Bragança recebe a II Norcastanha
O certame, que visa promover a fileira da castanha, integra um extenso conjunto de iniciativas dedicadas a este produto. “Este ano há um reforço das actividades, pois a feira assenta nas parcerias com diversas entidades”, sublinhou o vice-presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Rui Caseiro.
Para o autarca, a castanha de Trás-os-Montes, que representa cerca de 30 por cento da produção nacional, “deve ser a melhor do País”. E, sendo um produto com peso na economia local, “deveria pugnar-se para que seja ainda mais valorizado, uma vez que os beneficiários são os próprios produtores”, sublinhou.
Neste sentido, a Norcastanha pode ser uma forma de promover e dinamizar esta fileira, na qual Portugal é o segundo maior produtor da Europa, a seguir à Itália. “As áreas plantadas começarão a produzir em pleno dentro de algum tempo, já que actualmente ainda há muitos soutos novos”, adiantou Rui Caseiro. Actualmente, Portugal produz cerca de mil quilogramas por hectare, enquanto que Itália atinge os 20 mil quilos. O responsável acredita que é possível igualar os agricultores transalpinos. “Com o tempo vamos aumentar a produtividade dos soutos antigos e consolidados de Itália”, salientou.
Especialistas vão reunir-se para debater evolução do sector
Atendendo ao peso da região na produção de castanha, o responsável defende a aposta na transformação deste fruto. “Em Portugal já se faz alguma coisa, como o descasque e a congelação da castanha que é vendida em mercados estrangeiros, mas há aspectos que podem ser incentivados”, avançou o autarca.
A Norcastanha vai reunir, ainda, no Fórum Internacional de Países Produtores de Castanha, alguns dos principais especialistas e investigadores nesta área, que irão debater a evolução e problemáticas deste sector. Dividido em três sessões distintas, os profissionais abordarão os constrangimentos da produção de castanha na Europa, bem como as tecnologias de transformação e colheita. “Os especialistas vão falar, por exemplo, das diferentes formas de apresentar a castanha no mercado”, explicou o presidente da Escola Superior Agrária de Bragança, Albino Bento, que participa na organização do Fórum.
Ainda segundo este responsável, “Portugal produz, mas não tem a mais valia da confecção, um benefício que vai para quem compra o produto e depois o transforma”.
Recorde-se que, além do Fórum Internacional de Países Produtores de Castanha, o certame integra a semana gastronómica da Castanha da Terra Fria (Denominação de Origem Protegida), que contará com a participação de restaurantes da região, a realização do concurso de Quadras de São Martinho, dedicado às escolas de 1º, 2º e 3º Ciclo, bem como a Mostra Tecnológica Internacional da Fileira da Castanha. A Norcastanha, orçada em cerca de 60 mil euros, termina com o típico Arraial de São Martinho, em que os participantes podem provar jeropiga e castanhas assadas ou cozidas no “Maior Pote do Mundo”, apresentado na Norcaça 2007.

