O regresso às aulas
De facto, não bastava a insegurança que se vive em Portugal com a onda de assaltos um pouco por todo o lado e as guerras entre gangs em alguns bairros das grandes cidades, ainda se junta agora a batalha, para não dizer guerra, entre professores. Na realidade, a colocação dos professores é e continuará a ser cada vez mais, uma guerra no sentido de ocupar uma posição, leia-se um lugar, na emaranhada teia do Ministérios da Educação.
Cada ano que passa há efectivamente menos alunos e, consequentemente menos professores porque também há menos turmas. Esta realidade é triste, mas é a que temos e com a qual temos que conviver, pelo menos enquanto não houver crescimento da população. Todos sabemos ou pelo menos temos essa noção, de que a população só cresce quando efectivamente a economia do país crescer e permitir às famílias terem mais filhos. Antigamente, ter muitos filhos era sinónimo de riqueza para os pais, pois todos entregavam o seu dinheiro o qual era gerido pelo patriarca da família. Assim, ter muitos filhos era sinal de que entrava muito dinheiro (!!!) já que todos trabalhavam para o mesmo. Por outro lado as solicitações eram muito poucas e como não havia televisão…! A população crescia naturalmente!
Hoje tudo é diferente. Não cresce a economia, não cresce a população, não há emprego. Aliás a única coisa que parece crescer é de facto o desemprego! Isto também leva a outras conclusões tristes. Como a população não cresce, verifica-se cada vez mais o envelhecimento da mesma, não havendo rejuvenescimento demográfico. Chegamos facilmente também à conclusão de que só temos pessoas idosas na vida activa, o que é desastroso, pois nem vai haver continuidade no trabalho como também não vai haver descontos suficientes para sustentar as pensões destes idosos que vão saindo do mercado de trabalho. Panorama macabro!
Posto isto, vejam agora a situação dos professores desempregados. E do mesmo modo, a dos alunos que, pretendendo seguir um curso superior, se vêem na indecisão pois olham para o lado e o que constatam é a situação de desemprego da mãe, do pai ou da irmã mais velha. Outros nem isto vêem, já que a única coisa que conseguem enxergar é um pouco de terra abandonada à espera de quem a amanhe, sem saber bem para quê!
É claro que a educação é essencial e o saber não ocupa espaço. Também é verdade que nem todos podem ser doutores. Mas note-se a indecisão de quem ouve dizer frequentemente que Portugal é um dos países da Comunidade Europeia que tem menos licenciados. E eu pergunto: para quê? Para ir para o desemprego? Para gastar dinheiro numa formação que só lhe serve para cavar terra? É verdade que se fala num mercado enorme, sem fronteiras e com imensas oportunidades, mas os outros também têm problemas. O desemprego não é problema só de Portugal. A crise demográfica é geral. O que temos que procurar são soluções para todos estes problemas, mas terão de ser equacionadas em conjunto, já que pertencemos todos a uma mesma Europa. Se se quer construir uma Europa unida, um espaço único, então também temos que em conjunto, arranjar as soluções para os mesmos problemas. E isto envolve também a Educação e o Ensino. Nós não podemos querer fazer algumas coisas à revelia dos outros países e andar a procurá-los para nos ajudar em outras. Tem que haver coerência!
A posição intransigente da senhora Ministra da Educação e do Primeiro-ministro, mais parecem declarações de guerra contra os professores do que um convite salutar desejável para iniciar mais um ano lectivo. A proclamação do Primeiro-ministro é absolutamente descabida quando, alterando a voz, diz que é assim que vai ser e os professores que não esperem facilidades, pois nada vai voltar atrás ou ser alterado. Obrigado pela informação! Foi muito esclarecedor! Com estas promessas até dá gosto voltar à escola para ensinar os filhos de quem trabalha e os filhos dos ministros e secretários de estado! Será aqui que se nota a polivalência dos professores? Possivelmente!
Pois quer nos custe ou não, o novo ano lectivo aí está para os que ainda têm a sorte de ter um horário assegurado. Os outros 40.000 vão ter de esperar muito por um lugar ao Sol, sendo certo que só 7 ou 8% terá essa sorte. Vamos esperar e acreditar que o ciclo histórico do crescimento demográfico se verifique dentro de 5 ou 6 anos, para todos voltarem a ter mais esperança e acreditar num futuro mais risonho. Enquanto há vida, há esperança!
Para os que agora começam, que se preparem para a tempestade, pois vão chegar os furacões que tudo arrasarão. A destruição vai ser enorme e drástica. Podem ter a certeza disso.

