A Linha do Tua
Ultimamente voltou a ser falada devido a mais um trágico acidente, que a todos deixou tristes e perplexos. E tem sido sob uma grande carga emocional, que se tem opinado e discutido sobre as causas e consequências dos acidentes e sobretudo sobre o futuro da Linha do Tua e da Empresa do Metro de Mirandela. É sabido que, quando agimos ou pensamos sob uma tensão emocional, “a quente”, nem sempre obtemos bons resultados ou chegamos a boas conclusões e sobretudo ficamos mais susceptíveis a manipuladores, populistas e “vendedores da banha da cobra”.
Todos sabemos que temas sérios merecem abordagens sérias e racionais, “de cabeça fria”. É importante avaliar algumas situações curiosas, na minha opinião graves, que merecem a nossa atenção e reflexão.
Todos assumimos que, os problemas de natureza técnica, raramente encontram boas soluções quando são tratados na esfera política. Julgo que também ninguém pode discordar que a mediatização excessivamente opinativa deste processo, prejudica a investigação e apenas serve e acelera a sua politização, não favorecendo por isso mesmo, a concentração na questão fundamental – a segurança dos utentes.
Comentam-se as posições assumidas por todos os intervenientes, locais e nacionais, nas questões de segurança na circulação na Linha do Tua. Classifico com desconcertantes as declarações de vários responsáveis, dando garantias da segurança do trajecto ferroviário, pouco antes do infeliz acidente. É surpreendente que, apesar de estar em Mirandela, o presidente da empresa Metro de Mirandela, também Presidente da Câmara, accionista com 90% do capital da empresa, não foi ao local do acidente. Pior ainda, aparece no dia seguinte em directo, nas televisões, anunciando a falência técnica da empresa e augurando cenários de encerramento inevitável da linha. Logo de seguida, o Bloco de Esquerda, até aí um aliado de peso na estratégia do Presidente da Câmara e do Metro de Mirandela, na luta contra a barragem do Tua, emite um comunicado, no qual reedita o famoso “porque no te callas?”, admoestando-o pelas declarações proferidas. E o que pensar de uma desconhecida associação, com o pomposo nome de “Coagret, Associação de Coordenadores dos Afectados por Grandes Barragens e Transvases”, instalados pela Câmara Municipal na antiga estação de caminhos-de-ferro e no Conselho Consultivo do Metro de Mirandela? Confirmar-se-á que constituem o aconselhamento para a estratégia de comunicação do Sr. Dr. Silvano? Se assim for, avaliando as posições públicas dos coordenadores dos afectados, é muito preocupante, de facto.
Das populações, uma reacção justa e acertada: “Expliquem-nos, senhores responsáveis, o que se passa na Linha do Tua? Qual a razão dos acidentes? Investiguem. Invistam mais e melhor!
Como atrás referi, neste último ano, a mediatização da Linha tem ocorrido, infelizmente, pelas piores razões, relegando para segundo plano outro tipo de interrogações. Chegou a altura de nos questionarmos sobre o que foi feito nos últimos doze anos de vida do Metro de Mirandela. Doze anos perdidos sem um plano para rentabilizar a empresa, sem uma campanha para demonstrar o potencial turístico da Linha do Tua, divulgando um património paisagístico único, dando a conhecer ao Mundo a nossa Terra, valorizando o que é nosso. Deve por isso, assumir-se a ineficácia política e o insucesso de um projecto em que todos acreditámos.
Há certamente responsáveis por estes doze anos sem planos, sem estratégia, sem objectivos, sem sucesso, sem futuro … que permitiram que um dos melhores recursos da região fosse dado a conhecer ao mundo apenas por uma lamentável sucessão de acidentes e pelas polémicas populistas geradas para desviar a atenção da desresponsabilização e da incompetência.
Mais uma vez, as más opções estratégicas tomadas no passado, determinam o presente e condicionam o futuro. Tem sido sempre assim. Está na altura de mudar.
Júlia Rodrigues

