Maré alta
Aos 4”, Márcio trabalhou na direita e fez o cruzamento. Ousmane, como
ponta de lança, só fez o seu trabalho, dominou a bola, tirou dois defesas do caminho e fuzilou o desamparado guarda-redes do litoral lisboeta, Nuno Madureira. Foi um golo a mostrar a capacidade de uma equipa vinda do distrital e que, já na primeira jornada no nacional, em Vieira do Minho, tinha dado claros sinais de que não seria uma qualquer.
A grande capacidade está na força e no querer destes atletas e dirigentes.
Contudo, não se pense que o encontro foi fácil. A equipa da casa reagiu e poderia ter empatado. Mas seguros na defesa, com Rambo e o quarteto defensivo bem concentrado, não houve grandes possibilidades de haver surpresas. Com o andar da partida e com um juiz bem dentro do jogo, só se pedia à equipa de Bragança união e carácter.
Equipa do Mãe d´Água está sempre com duplo pensamento: jogar
e dirigir.
No contra-ataque, os avançados tricolores da cidade do nordeste poderiam ampliar o marcador, mas seria tremendamente injusto devido à postura do constante vai e vem desta vibrante homenagem ao futebol.
Foi um belo jogo e quem tinha qualquer dúvida do valor do Mãe d’ Água, ficam agora dissipadas. Faltam jogadores, mas Marco Leite e Leo vão ter dificuldades em entrar rápido na equipa.
Os automatismos estão a ser uma fonte de energia para uma equipa que está sempre com duplo pensamento: jogar e dirigir. Márcio e Gene dão imaginação à equipa, já Careca, Rambo e Migalhão ousam. Na frente, Ousmane cumpre a obrigação de colocar em pânico os centrais adversários. Sobram jogadores com vontade, mas ainda longe da forma ideal.
A melhor aquisição é aquela que joga mal chegue, como Braima (ex-Bragança). Tambem Zé Zé demonstra ter boa vontade e poder de drible, mas tem que olhar para o
futebol do nacional com outra atitude e marcar um ritmo físico que ainda não tem. De resto, não é surpresa pois em Vieira já jogou meia parte em grande, agora tem que olhar mais para o grupo.
Ganhar depende de uma verdadeira união, só assim se faz um jogador. No entanto, devemos reconhecer que a boa condição faz a diferença.
O juiz de Lisboa atravessou o Tejo e foi ao distrito de Setúbal provar que as arbitragens são boas quando se sabe deixar jogar futebol.

