História de Carção imortalizada em livros
Sofia Jerónimo, natural de Carção, no concelho de Vimioso, compila as suas vivências e memórias da sua terra natal no livro intitulado “Carção: Um pedacinho do ‘Reino Maravilhoso’”, apresentado na passada sexta-feira.
Esta obra assume-se como “um pequeno historial da vida dos carçonenses nos anos 60/70”, altura em que a autora tinha apenas 12 anos. “Saí de cá há 50 anos, mas tenho presente na minha memória o que era a vida nesse tempo”, acrescenta Sofia Jerónimo.
Nessa altura, a autora conta que a vida era muito diferente, caracterizando-a como simples, dura e com muito trabalho. Em Carção, estes tempos eram marcados pela antagonia entre os lavradores e judeus, dois grupos que tinham vidas completamente separadas, não sendo permitidos casamentos entre eles.
As mentalidades também divergiam completamente. “Por exemplo, as mulheres dos judeus não trabalhavam, cuidavam apenas da casa, ao passo que as dos trabalhadores iam para o campo. Também só os filhos dos judeus é que se formavam, dado que os lavradores precisavam dos seus para trabalhar na terra”, conta Sofia Jerónimo.
Com a publicação dos seus escritos, esta carçonense pretende dar a conhecer às gerações mais novas a história que orgulha o povo desta freguesia transmontana. Vivências, costumes, preconceitos, actividades, carências, recursos sócio-económicos, mentalidades, ocorrências são algumas das temáticas abordadas nas cinco partes que preenchem as 211 páginas que compõem este livro.
“Para já editei a parte da poesia. A outra parte que completa as minhas vivências em Carção vai ser publicada num segundo volume”, acrescenta a autora.
Revista Almocreve pretende dar voz aos testemunhos da história e tradições que marcam a vida da população
Recorde-se que Sofia Jerónimo dedicou a sua vida à docência, tendo a escrita assumido um papel de relevo na sua vida. Antes de editar este livro publicou alguns trabalhos na revista Almocreve, que é propriedade da Associação Cultural dos Almocreves de Carção.
A 6ª edição desta publicação, que pretende ser “um retrato das gentes de Carção”, também foi apresentada na passada sexta-feira, no âmbito das Festas em honra da Nossa Senhora das Graças.
Este dia foi ainda marcado pela apresentação do livro “Carção – A capital do Marranismo”, da autoria de António Júlio Andrade e de Maria Fernanda Guimarães. Tal como o Jornal Nordeste já noticiou, esta obra dá a conhecer os contornos do Marranismo nesta freguesia transmontana, onde a Inquisição queimou mais de 18 pessoas e prendeu mais de 200 por se dedicarem a este culto.
No ar fica o desafio às entidades regionais para apostarem na criação da Rota dos Judeus de Trás-os-Montes, onde esta cultura está muito vincada, no sentido de promover o desenvolvimento através do turismo.
Sofia Afonso, por seu turno, deu a conhecer o seu primeiro livro, intitulado “Enquanto o tempo quiser”, que compila cerca de 60 poemas alusivos a diversas temáticas, desde a actualidade aos problemas da sociedade.

