Casa cheia na estreia de “Trindade a Sete”
Os claustros do antigo convento Franciscano, situado a escassos metros da casa onde nasceu Trindade Coelho, acolheram a estreia o espectáculo. Casa cheia e, no final, todos aplaudiram a peça de pé, os cenários e os actores que transmitiram o que poderia ter sido a vida atribulada daquele que é considerado o maior autor do conto rústico português.
Em cena estiveram cinco actores profissionais, aos quais se juntaram artistas locais e figurantes que desmontaram as vivências do escritor desde a sua saída de Mogadouro para o Porto, a sua passagem pela Universidade de Coimbra e o seu descontentamento em Lisboa.
A peça, escrita e encenada por Rui Silva, um jovem e talentoso actor com formação na área do teatro com passagem por companhias como a Seiva Trupe do Porto, resultou de uma proposta da Comissão de Festas de Nossa Senhora do Caminho/2008.
A peça levou quatro meses a encenar e contou com a colaboração de cerca de meia centena de pessoas.
“Não havia um texto teatral sobre Trindade Coelho e tentei demonstrar que o escritor não era só uma personagem do século XIX. O que escreveu está tão actual como há 100 anos atrás, sendo este o principal motivo que me levou a escrever e encenar o espectáculo”, sublinhou Rui Silva.
Relato de Trindade Coelho sobre a interioridade da região transmontana continua vivo
O relato de Trindade Coelho sobre a interioridade da região transmontana continua tão vivo que ainda há pessoas inconformadas com a situação da região ao nível social, cultural e económico, sendo que a peça demonstrou aos espectadores que Trindade Coelho era um homem do povo que lutava pelo povo.
“Apesar de ter sido escrita e encenada para o local da estreia, já há pedidos para o trabalho ser exibido em outras localidades, não estando colocada de lado a reposição em Mogadouro, dado o sucesso alcançado”, afiançou Paulo Carvalho, um dos mentores da iniciativa.
A peça trouxe, ainda, a lume a neurastenia, doença que levou Trindade Coelho ao suicídio, há 100 anos atrás, em Lisboa. “Era uma doença tão estranha que até os próprios médicos tiveram dificuldade no seu diagnóstico”, como o próprio escritor teria dito.

