Contra-Corrente
Vamos ao que interessa: dizer que: “Durão Barroso não estava preparado para assumir os destinos do País”, é passar um atestado de incompetência a Blair e outros próceres europeus que convenceram o dito Barroso a “fugir” alegremente e a possibilitar a ascensão do pior primeiro-ministro desde o tempo dos Alanos, levando as hostes laranjas ao desastre. A escapadela de Barroso não tem perdão, quando se candidatar à Presidência da República não leva o meu voto, mas no mais, ele está na fresca ribeira (perdoem o chavão) e apresta-se a renovar o mandato obtendo sorrisos, aprovações e louvores dos governantes socialistas, com José Sócrates em primeiro lugar. Não estava preparado? Estava e recomendava-se. Extraordinário o argumentário de Hirondino no referente à “perseguição aos contribuintes” por Manuela Ferreira Leite. Ou ele anda à procura de água em Marte, ou então refugiou-se numa cova para os lados de Freixo a fim de não ver, perceber, entender e suportar a fúria do fisco nestes tempos de agora, o qual não se importa de penhorar uma casa no valor de muitos milhares de euros, quando a dívida em causa não chega à meia centena de euros. Realmente! Sobre alienação do património estatal mandava a prudência não falar em tal coisa. Risível a pergunta sobre a escolha de Pedro Santana Lopes e a não indigitação de Manuela. Parece desconhecer o factor partidário e respectivas articulações. Não preciso de explicar mais. Ou é necessário? O articulista é afoito no julgamento a Manuela Ferreira Leite – fica-lhe bem, é barato, mas não deve compensar – pena nada nos dizer acerca do efeito das reformas socialistas, dos crescentes sinais de autoritarismo, manobrismo e tutti-quanti. Também nada nos diz acerca da fabulosa actuação do Ministro da Agricultura, do imbróglio da justiça e das supinas ideias de gestores aplicados e inventivos a ponto de defenderem os caloteiros da EDP, propondo que as dívidas deles sejam pagas pelos clientes cumpridores, dos erros informáticos da Galp e do descalabro nas contas na Águas de Portugal, sem claras consequências para os ditos gestores. Estou convicto de Hirondino Isaías não ser votante na esfera laranja, daí dever regozijar-se pela aparente inépcia da leader do PSD. Mas não, o seu texto da faz lembrar um toque a rebate, sabe-se lá bem porquê. A ilusão e o desejo muitas vezes levam-nos a tomar a nuvem por Juno, depois colhemos grandes desilusões. E o articulista sabe bem quão verdadeira é a minha afirmação, disso teve prova em recentes eleições, também a ilusão plasmada neste escrito o pode voltar a trair. Nessas e noutras coisas, de Conrado guardo prudente silêncio. Em relação às obras públicas a Dama do silêncio parece ter batido no marco, vejam-se as reacções que provocou, e vai continuar a provocar. Acaba o artigo trazendo à colação o contemplativo Confúcio, sem qualquer propósito de lhe responder à letra, até porque não sou advogado da Senhora, nem comungo conjuntamente com ela no referente a diversas tomadas de posição, não resisto a retrucar recorrendo a Catão. Disse ele: “Todos os homens têm autoridade sobre as suas mulheres, nós, romanos, mandamos em todos os homens mas são as mulheres que mandam em nós.” Catão vale bem uma leitura. Aqui fica a sugestão.
PS. Escrito no dia 9 de Julho.

