A ponte
Os acessos no lado espanhol continuam a marcar passo, apesar das últimas previsões terem apontado o Verão como a altura provável para a abertura ao tráfego. Nada mais errado, para mal da imagem de eficácia que Espanha foi construindo à volta das obras públicas.
E como a nova ponte ainda terá que esperar, entidades e empresas do Nordeste Transmontano são as mãos para acolher os portugueses não residentes junto ao antigo posto fronteiriço de Quintanilha.
É que também as ligações aéreas Paris-Bragança ainda não são uma certeza e o automóvel continua a ser o meio preferencial para regressar às origens. Após centenas de quilómetros e muitas horas de viagem, eis que a entrada em Portugal é feita com oferta de águas, brindes, informações úteis e muita hospitalidade.
As estradas animam-se de matrículas francesas, suíças, espanholas ou alemãs, enquanto cidades, vilas e aldeias do Nordeste Transmontano regressam ao passado, quando milhares de filhos da terra ainda não tinham partido em busca de melhores oportunidades.
Há quem se queixe que o Agosto já não é o que era, que os cafés das aldeias já não enchem, nem tão pouco os bailes das festas, e com razão. Pais e avós partiram e começam a faltar motivos para os filhos e netos regressarem a casa. Falta o elo de ligação. Este é o sinal mais preocupante da desertificação que continua a galopar, porque já há freguesias que, mesmo em Agosto, deixaram de conhecer as enchentes de outros tempos, e não é pelo facto dos emigrantes já não concentrarem as férias só no mês de Agosto. É mesmo porque começa a faltar o tal elo familiar e o mar concorre com o Verão nordestino.

