O apelo de Espanha
Se não é para trabalhar, é para obter uma pós graduação, de modo que instituições de ensino superior de Salamanca ou Valladolid recebem os alunos transmontanos que preferem rumar a Espanha do que obter novos graus em Braga ou Porto.
Há vários argumentos que pesam nesta decisão, mas as acessibilidades e o valor das propinas são decisivos. Comecemos pelas estradas. Chega-se mais depressa de Bragança a Zamora do que de Bragança a Vila Real, assim como é mais fácil ir de Zamora a Valladolid do que de Vila Real ao Porto. A espanhola Nacional 122 não tem o perfil do IP4, é certo, mas a partir de Zamora é a Autovia del Duero (sem portagem) que leva os transmontanos até à capital de Castilla Y León, enquanto do lado português são as curvas do Marão que mais desencorajam a opção Porto.
Ao contrário do que acontece em Espanha, a estradas são a principal causa da falta de coesão nacional em Portugal. Vai-se de Bragança a Miranda pela Nacional 122, vai-se de Miranda a Lisboa pela Autovia de la Plata e só se regressa a Portugal em Vilar Formoso, a tempo de apanhar a A23 na Guarda para seguir até à capital.
Os portugueses continuam a tirar partido da chamada “cortina de ferro” que Espanha tem construído ao longo das fronteiras, seja a nível rodoviário, aeroportuário ou ferroviário.
Quanto ao valor das propinas, aconselha-se competitividade às instituições lusas, porque o apelo espanhol é grande.

