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Casas (cuidados arquitectónicos)

Casas (cuidados arquitectónicos)
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  • 8 de Julho de 2008, 10:04

Não digo que a situação de descaso que antigamente imperava por todo o lado e que permitiu verdadeiras barbaridades arquitectónicas, se mantenha. Não. Hoje há um maior cuidado e respeito pelas construções tradicionais mas, o que é certo, é que as aberrações cuja construção foi permitida em tempos, são reais e os seus proprietários, que agiram dentro da legalidade de então, sentem que não podem nem devem ser responsabilizados por isso. O seu sentir é legítimo e não querem sentir-se injustiçados perante a hipótese de uma possível reconstrução dos seus edifícios. Por vezes, aquela é a obra da sua vida que tantos sacrifícios exigiu, outras é pura especulação financeira mas, o que está feito, feito está.
Pode parecer que perante factos consumados não há volta a dar. Julgo que para tudo há pelo menos uma solução. Se me perguntarem se é fácil desfazer as asneiras que se foram fazendo ao longo dos anos, direi que cada caso é um caso e que tudo depende das condições que governo e autarquia disponibilizarem aos proprietários e de quanto estão os proprietários dispostos a ceder.
O que me leva a escrever este texto é a situação da minha cidade que neste momento vai pelo bom caminho mas que em tempos andou um bocado à deriva. Citarei apenas alguns exemplos. Veja-se o bairro dos Batocos onde um enorme prédio esconde a vista de um dos bairros mais antigos da cidade; a Praça da Sé onde o prédio do Clube de Bragança, sendo um exemplar muito característico e muito fotografado pela sua singularidade, está ferido na sua nobreza por albergar no seu telhado aquela estrutura de zinco que deveria ser removida o mais depressa possível; ainda na mesma praça se encontra o edifício chamado “dos Coelhos” que nunca deveria ter sido construído com aquelas características, pois basta olhar para o lado para verificarmos que não se enquadra de maneira nenhuma naquele espaço; alguns na avenida João da Cruz… outros exemplos há sobejamente vistos e revistos por quem ainda arranja tempo para reparar.
O que sugiro é que sempre que seja possível se proceda de maneira a reconstruir as casas ou edifícios, acatando agora, regras previamente definidas e respeitadoras da arquitectura tradicional e regional que eram características daquela rua, daquele bairro, daquela localidade.
Como exemplo apresento as típicas janelas transmontanas, com molduras de cantaria, as belas varandas de madeira… O que teremos contra os materiais nobres da região como o granito, o xisto, a madeira de carvalho? O que se deve manter e preservar são as fachadas. Portas adentro a história é outra. Estamos habituados a viver com conforto e em espaços amplos e saudáveis. Pois que se criem, desde que o exterior da casa ou do edifício não fique descaracterizado.
Uma pequena nota para algo de que em tempos já falei. As ruas devem receber nomes de pessoas, acontecimentos e temas ligados à região. Veja-se o caso da rua Almirante Reis. Só uma ilustrada minoria saberá quem foi e que feitos levou a cabo esta personalidade nacional. Talvez seja altura de homenagearmos os nossos como Eduardo de Carvalho, etc.
O Arquivo Distrital deve a sua existência, em grande parte, ao Dr. Belarmino Afonso. Não sei se alguém já se terá lembrado de lhe fazer uma singela homenagem com a implantação de um busto numa zona nobre do espaço circundante. Aqui fica a ideia.

Marcolino Cepeda

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