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	<title>Arquivo de Luís Ferreira - Nordeste</title>
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	<title>Arquivo de Luís Ferreira - Nordeste</title>
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		<title>As cimeiras</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/27/as-cimeiras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 17:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de tantas ameaças e propostas para acabar com as guerras que assolam a Europa e o Médio Oriente, eis que os grandes líderes se movimentam</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/05/27/as-cimeiras/">As cimeiras</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Depois de tantas ameaças e propostas para acabar com as guerras que assolam a Europa e o&nbsp;Médio Oriente, eis que os grandes líderes se movimentam, um pouco apressadamente, na realização de cimeiras, tentando daí retirar proveitos e caminhar igualmente para soluções de paz. Muito difícil de atingir soluções viáveis, pelo que já se sabe como resultado destas cimeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trump anunciou com pompa e circunstância, a sua ida à China com o objetivo de conseguir apoios para a sua luta em prol da paz. O resultado parece não ter sido o esperado. No entanto, alguns acordos económicos foram assinados e numa coisa estão de acordo: a abertura do Estreito de Ormuz e a paz na guerra do Médio Oriente. A questão nuclear também foi abordada e no sentido de o Irão não continuar o enriquecimento de Urânio para fins militares. Mas não podemos esquecer que o Irão é um aliado da China e a esta interessa todo o petróleo que de lá possa chegar, já que é o maior fornecedor de Xi Jinping. Interessa muito à China que a questão do Estreito de Ormuz seja rapidamente resolvida, mas isto traz outras condicionantes que não interessam aos EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deste modo, Trump não trouxe na bagagem muita coisa de interesse que seja plausível e convença os americanos das suas boas intenções. A dívida externa dos EUA é enorme e foi agravada pela política de Trump. Os trunfos para ganhar as próximas eleições são escassos, daí esta correria louca em cimeiras para conseguir aliados e apoios que cada vez são menos. Mas a economia russa não está melhor. Ela está a enfraquecer e o orçamento militar desceu muito, sinal do empobrecimento económico russo, que a guerra com a Ucrânia tem ajudado a desgastar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não foi só Trump a procurar Xi. Também Putin foi à procura de alargar os apoios chineses e o restabelecimento de antigos acordos. Com o enfraquecimento da economia russa, o apoio em alguns setores económicos é de enorme interesse para a Rússia. Por outro lado, Putin quer mostrar ao mundo que continua a contar com o apoio político e económico da China, até porque também esta mantém linhas de escoamento económico para a Rússia. Mas onde ficam as guerras da Ucrânia e do Médio Oriente? Claro que foram abordadas um pouco secretamente, já que no que se refere à guerra da Ucrânia pouco se sabe do que foi dito, além de que o Presidente chinês não se quer intrometer, mas quer o fim do conflito. No entanto, é sabido que a China preparou mais de quatrocentos militares para poderem intercetar os drones ucranianos. Tudo com boas intenções!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, Putin não trouxe grande coisa da China. A China é cada vez mais uma potência mundial, embora com falhas e sem comprometimentos. Com o Mundo fragmentado, as aspirações chinesas não foram muito notáveis nesta cimeira. Reativar acordos anteriores e um apoio muito subtil para além do aparente bom entendimento entre os dois líderes, pouco daí resulta como substantivo. Ficou por resolver, por exemplo, a construção do gasoduto a unir os dois países pela Sibéria. Se isso foi abordado, não sabemos e não foi ventilado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destas cimeiras o que a comunicação social se fartou de referir foi o modo como os dois líderes foram recebidos na China. Até o pormenor das bandeirinhas a acenar para os Presidentes e as paradas militares, foram objeto de análise para identificar possíveis diferenças e descriminação nas duas receções. Enfim!</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cimeiras foram a procura de apoios substanciais para tentar resolver os problemas que tanto Trump como Putin criaram. Se há guerra na Ucrânia foi Putin que a iniciou. Se há guerra no Médio Oriente foi Trump que a provocou a pedido de Netanyahu. Agora ambos procuram a China para os ajudar a resolver um problema que eles criaram e não querem desfazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Ucrânia está a ripostar às investidas russas com ataques sistemáticos e sincronizados a estruturas importantes da Rússia e até muito próximas de Moscovo. Atacar a Crimeia é outro objetivo de Kiev e está a conseguir isolar a península. A guerra não está a correr nada bem à Rússia. Daí que a procura de apoios e resoluções destes conflitos, sejam importantes para a Rússia. Mas os EUA também estão a enfraquecer economicamente. Apesar de serem a potência militar mais forte do mundo, vale o terem mais de setecentas bases militares espalhadas por vários países em todos os continentes, o que lhes permite assegurarem uma intervenção rápida a qualquer altura. É o exemplo de Israel. Mas Trump não está a gostar do caminho que a guerra está a levar. Daí alertar Netanyahu para esperar e parar os ataques ao Irão. Há coisas mais importantes a resolver. O líder israelita não gostou, mas ele está a lutar contra o Hezbollah, contra o Irão e contra a possibilidade de perder as eleições e ir a tribunal, ser condenado e preso. E neste aspeto, não há cimeira que lhe valha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fundo, nestas cimeiras, o ponto de apoio aprece ter sido, sem dúvida, a China. O que vai resultar em concreto, ainda não sabemos, mas parece não ser tão depressa que estas guerras irão acabar e a gasolina baixar, endireitando a economia mundial.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/05/27/as-cimeiras/">As cimeiras</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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		<title>Incertezas</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/14/incertezas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 10:34:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> As guerras em curso arrastam os países mundiais para crises económicas há muito esquecidas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/05/14/incertezas/">Incertezas</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Mundo vive momentos aflitivos de uma enorme incerteza. As guerras em curso arrastam os países mundiais para crises económicas há muito esquecidas. A conclusão imediata a que chegamos é que tudo está louco. Na verdade, os atores principais desta tragédia, são descompensados mentalmente e demasiado egocentristas. O que pretendem afinal?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quer queiramos ou não, vamos sempre debater os mesmos sentidos oportunistas dos líderes que gerem os conflitos existentes. Uns, como Trump, gerem unilateralmente os seus objetivos e interesses e, já sabemos que manifestamente, há enormes incertezas nas suas decisões. Hoje, só alguns acreditam ou apostam no que ele afirma e se for para tirar proveitos económicos, ainda é mais fácil. Veja-se o caso das subidas e descidas do preço do petróleo. Não é crível que, dependente das afirmações sobre a guerra do Irão, o preço desça rapidamente, para subir dias depois quando o que se esperava não acontece. A Paz, a guerra, as tréguas e o cessar fogo, são as premissas em que assenta o jogo económico. As Bolsas mundiais apostam e jogam rapidamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também se torna evidente que o pião deste panorama mundial é Trump. Ele tenta manobrar as guerras em que se meteu e vai afirmando que o cessar fogo está perto, mas a verdade é que não acontece. E se os três dias de cessar fogo entre a Ucrânia e a Rússia aconteceu, logo disse que foi ele que pediu aos Presidentes da Rússia e da Ucrânia para que isso fosse uma certeza. Terá sido? E porque é que Putin aceitou tão facilmente algo a que sempre se opôs? Afinal, o dia da vitória, 9 de maio que a Rússia sempre festejava com pompa e circunstância, acabou por ser um simples desfile de tropas e sem armamento bélico. Referiu Putin que pairava o medo no ar que a Ucrânia atacasse Moscovo. Na verdade, apesar de ter menos apoios dos EUA, a Ucrânia rearmou-se extraordinariamente e, com menos dinheiro conseguiu produzir drones de longo alcance e mísseis que atingem mais de três mil quilómetros. Depois de alguns ataques ucranianos ao interior da Rússia e a destruição de centrais de distribuição de petróleo e outras infraestruturas importantes de produção de armamento, algo que para Putin era impensável, este vê-se perante incertezas altamente prováveis de ataques em qualquer lugar do interior russo. Os drones que atingiram Moscovo, são prova de que afinal, não há uma proteção tão forte como se julgava na capital russa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, estando Putin assustado, é natural que aceite este cessas fogo, seja como for, para seu sossego momentâneo. A Ucrânia está a reconquistar território e o exército russo recua a olhos vistos perante os avanços ucranianos. A guerra aqui, está a caminhar para um acordo de paz dentro em breve. Quase cinco anos de conflito são um destruir inimaginável do tesouro de qualquer país e, se pensávamos que a Rússia não tinha esses problemas, enganámo-nos, mas há sempre uma incerteza que paira no ar. Não é fácil Putin aceitar a derrota e vai querer negociar o que já conseguiu territorialmente. Quando acontecerá? Trump também não tem a resposta porque não tem certezas, embora vá dizendo que depois do cessar fogo, a paz está próxima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para já, a Rússia vai celebrando o dia da vitória sobre os nazis e com os comedimentos visíveis. Os líderes mundiais que costumavam estar presentes na cerimónia, não apareceram. Só o Presidente da Bielorrússia esteve em primeiro plano. Fiel capataz de Putin, é o único que o vai apoiando retirando daí os proventos económicos que lhe são permitidos. Depois do cessar fogo, a guerra vai continuar certamente e com ataques russos às cidades ucranianas, como já referiu o presidente russo. Mesmo em tempo de cessar fogo a Rússia atacou cidades ucranianas. Assim nada feito. Portanto, nada de novo a não ser que será mais uma certeza no meio de tantas incertezas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Médio Oriente, os EUA continuam a ser humilhados pelo Irão. Trump todos os dias profere afirmações gratuitas que só aproveitam aos negociadores do Brent. O Estreito de Ormuz é o ouro do Irão a par do seu petróleo. Controlando o Estreito, o Irão controla o abastecimento de energia a quase todo o mundo. Cerca de 25% do petróleo e do gaz mundial, saem pelo Estreito de Ormuz e não parece que Trump consiga evitar isso. Aliás, a guerra no Médio Oriente, foi provocada por Trump a pedido de Israel. Para quem quer acabar com as guerras todas, provocar mais uma não é, certamente o mais aceitável, seja para quem for. As negociações de paz que tanto reclama ao Irão, não são uma certeza de resolução do conflito para já. O Irão tem a faca e o queijo na mão, embora esta teimosia e confronto lhe seja altamente prejudicial economicamente. Que decisão vai tomar o Irão? E o Paquistão que serve de intermediário até onde vai apostar nesta paz?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo são incertezas. Nada está á vista que leve à solução destes conflitos. No entanto, Trump continua todos os dias a dizer que as negociações estão no bom caminho e que a paz está próxima. Se o arrependimento matasse, ele estaria já morto. Como acreditar em quem hoje diz uma coisa e amanhã o seu contrário?</p>
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		<title>A falta de confiança</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/01/a-falta-de-confianca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 09:47:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivem-se tempos difíceis. Num mundo onde todos dependem de todos, já ninguém confia em ninguém.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vivem-se tempos difíceis. Num mundo onde todos dependem de todos, já ninguém confia em ninguém.<br>Alguém comentava, tempos atrás, que se estava a entrar numa nova ordem mundial, mas mais parece que se entra numa nova desordem mundial que Trump criou e acelerou, com a entrada na guerra do Médio Oriente. Completamente desnecessária, este conflito com o Irão, só justificado pelo interesse de Israel, arrastou os EUA para uma cena bélica da qual deverá já estar arrependido. Embora não queira admitir, Trump vai debitando nas redes sociais, as suas decisões momentâneas, prolongando assim uma decisão que em nada o satisfaz e o penaliza politicamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o investimento em armas nucleares aumentou perante uma escalada militar despoletada por guerras como as que se vivem no Médio Oriente e na Ucrânia. Se a guerra da Ucrânia estava a enfraquecer a economia russa, o que se passa no Médio Oriente veio aliviar essa pressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos bem que se vive uma crise energética resultante deste acelerar das guerras em presença e do impasse nas negociações entre os EUA e o Irão. Os combustíveis, petróleo e gaz, começam a escassear e a complicar as redes de transportes aéreos e terrestres. As companhias aéreas já reduziram alguns voos para poupar combustível. Já ninguém confia nos planos para finalizar a guerra com o Irão. As negociações andam aos soluços. Param e arrancam e nada decidem. O mesmo acontece aos combustíveis, ora sobem, ora descem. Ninguém sabe o seu custo no dia seguinte. Tudo depende das afirmações vagas de Trump, como se alguém estivesse dependente delas para ganhar milhões. E até pode ser verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A possibilidade de choques globais amplia-se e a China está a reforçar a segurança com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimentos, aumentando a sua capacidade de resposta às sanções. Ela depende e muito, do petróleo que lhe chega do Médio Oriente. O controlo do Estreito de Ormuz, quer pelo Irão, quer pelos EUA, num braço de ferro que não agrada a ninguém, nem ao Irão, está a complicar toda a economia mundial. Os EUA não dependem do petróleo que de lá vai e por isso mesmo, Trump parece brincar com o interesse dos outros. Apesar de estar a perder milhões de dólares por dia numa questão que não lhe interessa, não é capaz de pôr fim a um conflito que ele próprio provocou. O único interessado é Netanyahu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Rússia, por outro lado, está a ganhar cada vez mais com a guerra do Médio Oriente. Vende mais petróleo e compensa as perdas económicas que tem tido com a guerra da Ucrânia. Há sempre quem ganhe e sempre quem perca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, Trump arrisca afundar a sua presidência, já que a guerra com o Irão reflete-se na economia americana, com a subida dos preços da energia, a sua escassez e até a suspensão de voos e medidas de racionamento. Figuras influentes do partido republicano, já se pronunciaram contra esta participação na guerra e começam a surgir críticas e divisões internas. A erosão do prestígio presidencial é visível nas sondagens levadas a cabo por empresas americanas bem conhecidas. As eleições intercalares que se aproximam, podem ditar uma derrota para Trump. Isto poderia levá-lo a equacionar a posição americana no contexto bélico atual, mas o seu ego demasiado cheio, não lho permite. Mais tarde, pode não ir a tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o Irão também não se quer vergar às ameaças de Trump. Afinal tem tudo o que Trump não conseguiu tirar-lhe. Mantém o seu urânio enriquecido, o seu aparelho militar, os seus mísseis e drones e o controlo do Estreito de Ormuz. Um avanço irresponsável de Trump contra o Irão pode muito bem ditar o seu fim. A quantidade de militares americanos e os porta-aviões que estão já estacionados, numa posição de força americana para intimidar os iranianos, não abona no bom sucesso das negociações. Os iranianos não se deixam intimidar. Trump não tem necessidade disso e já ninguém acredita muito no que diz. Este impasse só pode ser ultrapassado pelo sucesso do que se passar na mesa de negociações no Paquistão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a Rússia e a China estão expectantes e à espera de uma solução pacífica e que sirva os interesses de todos. Mas parece que ninguém confia muito no que se diz e no que se promete. A verdade é que há uma falta de confiança enorme entre os países envolvidos e não só. O dia de amanhã é incerto e o final do conflito não será tão próximo como Trump sempre diz. Ele nunca diz a verdade. Ninguém acredita no egocentrismo das suas pronunciações.</p>
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		<title>O estreito da discórdia</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/04/17/o-estreito-da-discordia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 09:27:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A guerra que poucos queriam, mas que Israel quase exigiu, levou os EUA a entrarem num conflito no pressuposto de que seria breve e tudo se resolveria em quatro ou seis semanas. Erro de Trump. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/04/17/o-estreito-da-discordia/">O estreito da discórdia</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A guerra que poucos queriam, mas que Israel quase exigiu, levou os EUA a entrarem num conflito no pressuposto de que seria breve e tudo se resolveria em quatro ou seis semanas. Erro de Trump. Depois de algumas semanas de guerra e de ter como consequências a subida vertiginosa do preço do petróleo, do gaz e dos fertilizantes, assim como de quase todos os bens que dependem destes produtos, a guerra alastrou-se aos países vizinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A necessidade de acabar com a guerra, levou à intervenção da China e da Rússia, aliadas do Irão, no sentido de conseguir um cessar-fogo e uma solução para acabar com o conflito. A economia mundial ressentiu-se enormemente em vários aspetos. As negociações começaram e parece seguirem num caminho promissor. Mas o Irão tem um trunfo enorme que é o controlo do estreito de Ormuz de que não pretende abrir mão, indo mesmo ao ponto de querer cobrar taxas aos navios que por lá passem, o que é contra o Direito Internacional, mais concretamente da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cessar-fogo foi anunciado, mas não foi cumprido integralmente. Israel quer continuar a bombardear o sul do Líbano e as posições do Hezbollah e, aparentemente, não quer o cessar-fogo nesta parte da guerra. Contudo, há já marcação para um encontro entre os Presidentes do Líbano e de Israel no sentido de chegar a um acordo. Vamos esperar para ver o que sai dali.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma faixa de apenas 34Km de largura entre o Irão e Omã proporciona a passagem do Golfo Pérsico para o Oceano Índico de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e outros bens vitais, incluindo fertilizantes necessários à agricultura em todo o mundo. A fome paira no ar se o conflito não parar. O cessar-fogo pode criar oportunidades de trânsito, mas não oferece total segurança marítima, segundo a Maersk, a segunda maior empresa de transporte marítimo do mundo. Até agora nenhum petroleiro fez a travessia do estreito. Mais de 230 petroleiros e outros navios estão retidos pela guerra. Antes do conflito passavam 91 navios, o que representa 20 milhões de barris de petróleo. Se o Irão continuar a dizer que só podem passar 15 navios, isto significa apenas 5 ou 6 milhões de barris, o que é uma gota no oceano. As consequências são desastrosas. As companhias de aviação, por exemplo, já estão a reduzir algumas rotas para poupar as reservas de gasolina. Este racionamento vem no seguimento da falta enorme de petróleo e isto sente-se mais nas companhias asiáticas que já acabaram com algumas ligações aéreas. Tudo se está a complicar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao Irão não interessa a guerra, mas agora que tem o controlo do Estreito, não o quer perder e é uma das premissas das negociações que Trump tem de enfrentar. Desta vez é ele que não tem as cartas na mão! As ameaças parecem não intimidar o Irão, um país imenso e difícil de dominar. No entanto, permitir que continue a controlar esta importante via navegável será provavelmente algo inaceitável para os países do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos, como também o não é aos países europeus que dependem muito do fornecimento petrolífero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os EUA sempre se interessaram em manter os estreitos naturais abertos a toda a navegação. Foi o que aconteceu durante a guerra entre o Irão e o Iraque. Agora, mesmo que os americanos se desinteressem do que se passa no Estreito, os países da região certamente vão recorrer à força para garantir a sua reabertura. Caso não seja possível garantir a segurança dos navios, as companhias de navegação internacionais e especialmente as seguradoras, não arriscam passar com toda a certeza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Trump, este passo foi um tiro no pé. Além de não ter conseguido terminar com a guerra no tempo previsto, viu-se envolvido numa guerra que pode ser longa, o que ele não pretende, mas também num conjunto de ameaças que não caíram nada bem ao povo americano e ao mundo. Não se acaba com uma civilização assim de ânimo leve. Nem ele conseguiria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resta um trunfo: a ilha de Kharg como moeda de troca, mas para isso seria necessário conquistá-la. E qual o preço disso? E que consequências isso traria para a região e para a América? Claro que sem a ilha o Irão não conseguiria escoar o petróleo e o gaz e, em última análise teria de negociar com os EUA. Vamos esperar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cartas estão em cima da mesa. As negociações irão continuar. O Estreito de Ormuz continuará a marcar o ritmo da economia mundial, mesmo que os EUA não precisem do que por lá passa.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/04/17/o-estreito-da-discordia/">O estreito da discórdia</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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		<title>O Golfo em fúria</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/04/08/o-golfo-em-furia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 10:02:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>São necessários dois parceiros para se dançar o tango e Israel convenceu os EUA para dançar e este aceitou por falta de outro convite mais agradável.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/04/08/o-golfo-em-furia/">O Golfo em fúria</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">São necessários dois parceiros para se dançar o tango e Israel convenceu os EUA para dançar e este aceitou por falta de outro convite mais agradável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, os americanos não conseguiram convencer os russos a fazê-lo. Putin mostrou-se um parceiro muito calculista e desajeitado e Trump não conseguiu dar os passos certos sem pisar o seu par. Sem par credível e satisfatório, Trump virou-se para a Venezuela e resolveu comandar a dança. Não se saiu muito mal, embora tenha infligido uma série de leis internacionais, o que para ele não tem grande importância. Conseguiu subjugar a Venezuela e convencer os venezuelanos que estavam em segurança e que tudo iria ser melhor futuramente. Para quem?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vinte e oito de fevereiro iniciou-se o conflito no Golfo com o ataque surpresa ao líder supremo Ali Khamenei que acabou por ser eliminado. Este acontecimento poderia levar à queda do regime, mas não. Seria um ataque para durar pouco tempo e o suficiente para travar o enriquecimento nuclear que poderia pôr em causa a sobrevivência de Israel, pois não faltava muito para ter o mínimo para fabricar oito bombas atómicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que parecia fácil tornou-se difícil e surgiram os imponderáveis. As consequências estão a ser devastadoras. O Golfo está a ferro e fogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Israel está em pânico. A sua sobrevivência como Estado e país, está a arrastá-lo para uma enorme fogueira onde se pode queimar seriamente. Se, por um lado, isto interessa aos americanos, já que têm muitas bases na região e precisam mantê-las e assegurar a sua supremacia no Médio Oriente, por outro, interessa mais a Israel que se vê ameaçado pelo Irão que jurou tirar Israel da face da terra. Mas as consequências são imprevisíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atacado por todos os lados, Netanyahu agradece o apoio dos EUA, mas não vale tudo. O Irão, o Hezbollah, os Houtis e o Hamas, são inimigos demasiado presentes e fortes para descartar. Os rebeldes do Iémen acabaram por entrar na guerra e lançar mísseis contra Israel. Avisaram os EUA da situação e dos perigos que correm daqui para a frente. Isto pode levar a maiores perturbações no Mar Vermelho e complicar ainda mais o comércio mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No sul do Líbano, Israel continua a bombardear o Hezbollah, destruindo território que não lhe pertence, o que desagrada fortemente ao governo libanês. Mas Israel bombardeia tudo e todos e acabou por matar três jornalistas estrangeiros, o que configura uma violação dos direitos internacionais. Afinal para que servem as Convenções Internacionais? Todos parece esquecerem a Convenção de Genebra!<br>O Conselho de Paz de Trump propõe o desarmamento do Hamas em oito meses. Então o que era para ontem já passa para daqui a oito meses? E o fim da guerra do Irão é para quando? E como vai ser?<br>Como se isso fosse pouco, Trump virou-se para Cuba e já ameaçou que depois da guerra do Irão, o próximo passo será Cuba. Porquê? Que mal lhe fez Cuba?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trump tem uma adoração especial por guerras de curta duração, mas a verdade é que nem terminou com nenhuma, como diz, como ainda arranja mais para se distrair. Quem paga tudo isto? Pagamos todos nós e não é pouco. Agora o Golfo está em fúria, mas a concretizarem-se as ideias de Trump, a fúria vai instalar-se também no Golfo do México. Afinal o homem que apregoa a paz, só faz guerras. Até quando?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O triangulo do poder</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/10/28/o-triangulo-do-poder/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 09:24:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de conseguir um cessar fogo no Médio Oriente e dar ao Mundo a sensação de uma vitória, pelo menos temporária, entre Israel e o Hamas, Trump Virou-se para a Rússia na esperança de conseguir mostrar a Putin o caminho para outro cessar fogo na Ucrânia. Com um encontro agendado para Bucareste, que à Europa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="rtejustify">Depois de conseguir um cessar fogo no Médio Oriente e dar ao Mundo a sensação de uma vitória, pelo menos temporária, entre Israel e o Hamas, Trump Virou-se para a Rússia na esperança de conseguir mostrar a Putin o caminho para outro cessar fogo na Ucrânia.</p>
<p class="rtejustify">Com um encontro agendado para Bucareste, que à Europa sempre pareceu despropositado pelas lembranças de outros anteriores que falharam, Putin, inseguro, adiou a ida à Hungria, dando a Trump a certeza de que queria continuar a manobrar a guerra.</p>
<p class="rtejustify">Se uns dizem que foi Trump que assim decidiu, outros dizem que foi Putin a mostrar ao presidente americano que é ele que manda e decide sobre a guerra na Ucrânia. Aquilo que sobressai aos olhos da comunidade internacional é que Putin tem feito gato-sapato de Trump e este nada faz a esse respeito. Será que é tão tonto e egocêntrico que não percebe isso mesmo?</p>
<p class="rtejustify">Bem, seja como for, os seus conselheiros não serão feitos da mesma massa e, para bem dele e dos americanos, já lhe devem ter dito mais do que uma vez para ter cuidado com o líder russo. Ora, perante os últimos acontecimentos, parece que Trump resolveu dar um ar da sua graça e mostrar a Putin que os trunfos não estão só do lado russo. Embora continue a dizer que é amigo de Putin, o certo é que lhe vai impor sanções económicas drásticas, proibindo a importação de petróleo das duas principais refinadoras russas. Vladimir veio a terreiro admitir que estas sanções, apesar de serem economicamente muito importantes e mexerem com toda a economia russa, não deitariam a baixo a Federação Russa e seriam um passo para travar as negociações entre os dois países.</p>
<p class="rtejustify">Isto é bem demonstrativo da situação económica que vive a Rússia neste momento, embora queira fazer crer o contrário. Mas o pior estava para chegar. Trump resolveu virar-se para a China e iniciar acordos económicos, ao mesmo tempo que dava mais importância aos países asiáticos, com quem os EUA sempre tiveram linhas económicas importantes.</p>
<p class="rtejustify">E depois de deixar no ar a incerteza sobre os Tomahawk a ceder à Ucrânia e se entender com a Índia nas questões petrolíferas, conseguiu ainda ser mediador no acordo de paz entre a Tailândia e o Camboja, retirando dividendos importantes e marcando pontos internacionalmente, deixando Putin para trás e com os receios inerentes a toda esta movimentação, Trump põe no líder russo um peso enorme que vai ser custoso aguentar. Para cúmulo, diz na comunicação social que só aceitará reunir com Putin quando ele terminar a guerra.</p>
<p class="rtejustify">Estava traçado o triangulo que dará certamente a Trump o poder que persegue, fazendo Putin ir atrás do prejuízo. Para agravar a situação de Moscovo, Trump adiantou que iria reunir-se com o líder da Coreia do Norte, para tratar de assuntos económicos.</p>
<p class="rtejustify">Ora isto foi um duro golpe para Putin, que se viu relegado para um plano inferior e logo enviou a Washington um representante seu para reunir com homólogo americano.</p>
<p class="rtejustify">Se Trump resolve dar mais importância a XI, que é, de certo modo, aliado de Putin, pelo menos economicamente e também chama à liça outro aliado que é Kim e ainda, na outra ponta, se alia com Modri, é bem verdade que a Rússia está a perder o que conseguiu nos últimos tempos e isto mexe muito com o ego de poder que Putin possui. Por isso mesmo achou necessário dizer em conferência de imprensa, que preferia as negociações ao confronto e o diálogo à guerra.</p>
<p class="rtejustify">Deste modo, Trump virou o jogo e agora é Putin que vai atrás dele na esperança de chegarem a um entendimento. Também é verdade que a Rússia continua a bombardear e a destruir cidades ucranianas, mas nada mais pode fazer para manter alguma coerência e mostrar que ainda tem poder, pelo menos nesta vertente da guerra. Contudo, a economia russa está cada vez mais debilitada e Putin sabe disso, razão pela qual subiu os impostos e a inflação está cada vez mais alta a par do nível de vida. Até quando os russos vão aguentar?</p>
<p class="rtejustify">Assim, parece que Trump, aconselhado ou não, resolveu bater com a porta e trancar Putin na sua sala de poder, enquanto abriu outras para dar esperanças aos americanos e assegurar uma economia em <em>crescendo</em> que lhe renderá alguns votos. Entretanto, mantém-no fora de um triangulo importante que lhe dará certamente o poder necessário para negociar com Putin quando for necessário e este chegar à conclusão que é fulcral para a sua sobrevivência. É uma jogada de mestre, quase impensável vinda do líder americano, mas que resultará a seu favor num futuro próximo. Aliás, já está a resultar. Putin anda atrás do prejuízo. Afinal, a guerra não é a única solução. Não é mesmo solução nenhuma.</p>
<p class="rtejustify">&nbsp;</p>
<p class="rteright"><strong><em>Luís Ferreira</em></strong></p>
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		<title>DEPENDÊNCIAS AO VIRAR DA ESQUINA</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/08/05/dependencias-ao-virar-da-esquina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 10:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parece que não nos estamos a aperceber que quer em Portugal, quer na Europa, o atual sistema partidário está a colidir fortemente com o sistema social que teimamos em manter. Em Portugal e mesmo na Europa, continuamos a lavrar no mesmo erro, ou seja, continuamos a acreditar no mesmo modelo social, parecido com o que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que não nos estamos a aperceber que quer em Portugal, quer na Europa, o atual sistema partidário está a colidir fortemente com o sistema social que teimamos em manter.</p>
<p>Em Portugal e mesmo na Europa, continuamos a lavrar no mesmo erro, ou seja, continuamos a acreditar no mesmo modelo social, parecido com o que foi criado no século passado. Mas as coisas são diferentes.</p>
<p>No século passado, como a economia era muito próspera porque havia muitos contribuintes e poucos beneficiários da Segurança Social, o equilíbrio era razoável e positivo. Além disso havia um equilíbrio demográfico. Hoje nada disto acontece. A economia está debilitada, o equilíbrio demográfico não existe, há poucos jovens para muitos idosos. Por outro lado, a quantidade de pessoas protegidas é uma imensidão.</p>
<p>Para reconhecermos esta faceta na sociedade portuguesa, basta passearmo-nos pelo interior do país, passar em algumas aldeias e logo nos apercebemos do despovoamento existente e no desequilíbrio social que existe. Os jovens desapareceram das aldeias.</p>
<p>Sabemos que agrada à população portuguesa ser protegida pelo Estado e os governos e todos os partidos apresentam frequentemente novos benefícios para salvaguardar a situação social dos mais desprotegidos.</p>
<p>Nos últimos anos aumentou a quantidade de subsídios a atribuir à população. Subsídios para tudo e mais alguma coisa. É verdade. Merecido ou não, não interessa para o caso. O que é necessário é dar subsídios pois isso pode trazer algo em troca.</p>
<p>Ora isto acontece igualmente na Europa. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Europa viveu momentos de prosperidade, pelo menos até 1975. Depois até 1999 houve uma desindustrialização que trouxe consequências inesperadas e graves.</p>
<p>Na verdade, em todos os países e em todos os governos, passou a haver uma dependência enorme de subsídios. E aqui não se contabiliza a população em geral, mas essencialmente os que ficavam, de algum modo, perto dos governos e com eles conviviam politicamente. Os partidos ganhadores em eleições começaram a subsidiar os deputados por várias formas. A verdade é que pareciam verdadeiras agências de colocação. Era uma forma de dependência segura para os dois lados.</p>
<p>Os deputados submetiam-se e submetem-se sem problemas a esse tipo de dependência e não lhes interessa desviar o seu rumo, pois caso o façam, perdem essas prerrogativas incluindo não integrarem as listas em próximas eleições. As pessoas têm de se portar bem para poderem fazer parte das listas em eleições futuras.</p>
<p>O que verificamos agora é que a maior parte dos deputados não tem profissão, ou seja, não a exerce. Porquê? Porque se profissionalizam politicamente e o lugar que ocupam, passam a ser a sua profissão a tempo inteiro. É uma profissão bem paga, mas muito dependente.</p>
<p>E o que acontece depois? Pois, quando acaba o lugar de deputado, as pessoas como se profissionalizaram desta forma, não têm para onde ir. Ficam sujeitos aos subsídios vitalícios que o Estado lhes atribui e vão para casa descansar.</p>
<p>Claro que tudo depende do tempo que exerceram os seus lugares. Uns têm sorte de passarem muitos anos como deputados, mas outros saltam fora por motivos diversos passados quatro ou seis ou oito anos, o que agrava a situação dos próprios. Tudo depende também dos partidos a que estão ligados e que lhes permite serem deputados. Os lugares dos partidos na Assembleia da República, vão variando e exemplo disso foram as últimas eleições. Muitos deputados que já estavam a profissionalizar-se, acabaram por ter de abandonar os seus lugares. A dependência talvez se tenha perdido. Resta-lhes esperar por um subsídio do qual se tornarão dependentes ou tentar, se for caso disso, exercer outra profissão para a qual tenha aptidões. Enfim!</p>
<p>Este sistema partidário, definitivamente está ultrapassado.Perante um Sistema Social desadequado e um sistema partidário absolutamente dependente concomitantemente com um desequilíbrio social tremendo, a solução é uma mudança drástica urgente.</p>
<p>A verdade é que se este sistema partidário não mudar, o que acontece é que conduzirá o país a uma situação muito grave, já que as consequências são várias e em variadas vertentes. E quem não pensar nisto já, em breve se aperceberá disso. É que é já ao virar da esquina que pode haver um trambolhão enorme.</p>
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		<title>A linha que divide o poder</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/07/22/a-linha-que-divide-o-poder/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 09:56:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há quem apelide o poder como um mal necessário. Porém, outros classificam-no como a necessidade de exercer o bem e o mal, dependendo de quem o exerce. A verdade é que sem poder ninguém consegue governar. Resta saber como se utiliza esse poder. O Mundo vive hoje momentos demasiado controversos e perigosos e é, substancialmente, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem apelide o poder como um mal necessário. Porém, outros classificam-no como a necessidade de exercer o bem e o mal, dependendo de quem o exerce. A verdade é que sem poder ninguém consegue governar. Resta saber como se utiliza esse poder.</p>
<p>O Mundo vive hoje momentos demasiado controversos e perigosos e é, substancialmente, governado por quem vai exercendo o poder a seu modo, sem se importar muito com o que os outros possam pensar a esse respeito. Os conflitos a que todos nós assistimos diariamente pelas televisões, consubstanciados em opiniões de pessoas supostamente dentro dos problemas, informam-nos cabalmente do que se passa e, ao mesmo tempo, do que possam pensar os governantes que lideram tanto os conflitos como as possibilidades de os resolver.</p>
<p>No entanto, esses governantes, supostamente sábios e poderosos, brincam aos jogos de poder, impondo linhas vermelhas a quem estiver contra os seus interesses ou quiser ultrapassá-los.</p>
<p>A guerra da Ucrânia, o conflito do Médio Oriente, as invasões da Síria, do Líbano e os ataques ao Irão levam estes acontecimentos para um patamar impensável. As consequências colaterais são enormes para todos os países e aqui não existem linhas vermelhas. O poder passa por cima sem se importar com elas.</p>
<p>A invasão da Ucrânia pela Federação Russa é a demonstração do poder de Putin. Ele próprio impõe limites aos países que podem ajudar a Ucrânia a defender-se desta guerra aberrante e cheia de contradições. A Ucrânia nada fez para merecer ser invadida, mas a sede de poder e de controlo levou-o a tentar algo que, por acaso, lhe saiu muito mal. A Ucrânia estava bem preparada militarmente e tem sabido defender-se, embora com a ajuda de outras potências.</p>
<p>Agora, muito mais debilitada, a Rússia de Putin promete paz, quer negociação, mas bombardeia no mesmo dia que promete negociar. O poder sobrepõe-se e não se subjuga a uma ideia de paz.</p>
<p>E mesmo os supostos compromissos com Trump não são cumpridos. O Presidente dos EUA está farto de promessas. O “amigo” Putin, afinal, tem andado a enganá-lo. Resolve tomar uma posição mais dura e ameaça com ajuda à Ucrânia, mas Putin não se amedronta.</p>
<p>A Europa reúne forças e agrupa frentes de defesa. A Grã-Bretanha, a Alemanha e também a França alinham o seu poder para ajudar a Ucrânia. Acelera-se a produção de armamento. Isto acelera um possível confronto Leste-Oeste e tudo fica mais perigoso. Medvedev já adiantou a hipótese de “atacar preventivamente” a Europa. Loucura completa. Só da cabeça de um fanático! Ou será que é o estrebuchar do moribundo?</p>
<p>Isto porque, quer queiramos ou não, a Rússia está muito debilitada militarmente e tem valido uma certa ajuda da Coreia do Norte, quer em homens, quer em armamento.</p>
<p>No Médio Oriente, especificamente em Israel, assistimos igualmente a uma movimentação desorientada de tropas e de ataques israelitas quer na Faixa de Gaza, quer na Síria, quer no Líbano, quer ao Irão. Apesar do apoio de Trump, este não está a gostar do rumo que Netanyahu está a levar. Este, preso a dois ministros de extrema-direita ou ultraortodoxos que querem a exterminação do Hamas a todo o custo, não sabe bem o que fazer.</p>
<p>O seu limite de poder vai até à possibilidade de sair do governo, caso não cumpra as ameaças dos ministros de extrema-direita que sustentam o governo. Ou Netanyahu cede e continua a guerra, ou o governo cai e ele vai preso pelos crimes de que é acusado. A solução é conseguir apoios ao centro, de modo a manter o poder e ter a possibilidade de rumar a uma paz mais duradoura que permita uma reconstrução da Faixa de Gaza. Mas como? Será que Trump vai permitir?</p>
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		<title>Negociar com o destino</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/07/15/negociar-com-o-destino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 10:43:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nem todos temos a mesma conceção de destino.Uns são fatalistas, como o foi Camões, que acreditam que o destino está marcado e nada podemos fazer para o alterar. Outros são positivistas, acreditando que tudo pode ser melhor e que podemos sempre contribuir para essa melhoria. Ainda há os que não se importam com o destino [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2025/07/15/negociar-com-o-destino/">Negociar com o destino</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nem todos temos a mesma conceção de destino.Uns são fatalistas, como o foi Camões, que acreditam que o destino está marcado e nada podemos fazer para o alterar. Outros são positivistas, acreditando que tudo pode ser melhor e que podemos sempre contribuir para essa melhoria. Ainda há os que não se importam com o destino e nem sequer acreditam nele.</p>
<p>Afinal, o que é o destino? A humanidade sabe que todos caminhamos para um fim, pelo menos terreno, e esse será o destino final. Como chegar até lá é uma incógnita. Os caminhos são infinitos e muitas vezes demasiados sinuosos. Também não sabemos quão distante é esse final. Há caminhos curtos e outros mais longos, mas todos acabam. Têm de acabar. É o destino. Quando esse caminho, que supostamente poderia ser longo e vitorioso, é interrompido abruptamente, leva a um sentimento de abatimento, desânimo e vazio imenso.</p>
<p>Foi esse caminho que foi interrompido a Diogo Jota e ao irmão. Foi esse caminho que levou a um destino terrível, impensável. Um destino criminoso que roubou a vida a dois jovens irmãos e os afastou do amor familiar que tanto partilhavam. Foi esse destino que roubou a três crianças o amor do pai e à mulher, esposa e mãe, o pilar de uma construção que se imaginava segura, forte e duradoura. Como se pode acreditar num destino positivo depois disto?</p>
<p>Não podemos negociar com o destino. Nem com o tempo.<br />
E se pudéssemos negociar com ele, o que lhe pediríamos? O que poderíamos oferecer em troca? Será que o destino aceitaria alguma coisa? Não, porque ele é intemporal, é abstrato, é impessoal. Não tem sentimentos. Se fosse possível, certamente a viúva tentaria negociar de alguma forma com o destino, o reverso da medalha que ele lhe deu.</p>
<p>Do mesmo modo, o tempo é inegociável. O fio do tempo é indelével e irreversível. Mas é pesado. Nem que fosse somente negociar o esquecimento para aliviar o peso imenso que sobrecarrega o corpo entorpecido pela perda e pela tragédia, seria certamente uma possibilidade. Mas o esquecimento é impossível. Esquecer é o suicídio da alma e, como a alma é imortal, esquecer é impossível.</p>
<p>Dobrada pela consternação que a morte violenta de Jota lhe causou, agora só sente falta de apoio, de amparo, de consolo, de amor, de carinho, de palavras. O peso do vazio e do silêncio é demasiado. De momento, é invadida pelo entorpecimento. A realidade é sentida dentro de dias. O silêncio torna-se enorme. Terá de enfrentar momentos irrealistas. O luto não é ultrapassável, mas é integrado e terá de aprender a viver com ele. O tempo é grátis!</p>
<p>Um acidente terrível e violento que dizimou dois únicos irmãos e deixou os pais sozinhos para enfrentar um futuro que nunca imaginaram, não tem palavras para descrever. Deixou igualmente três crianças, que não entendem absolutamente nada do que se passa, mas questionarão dentro de poucos anos o porquê de lhe faltar o pai. Vão viver um tempo diferente, um sofrimento diferente e um vazio insubstituível, mas aprenderão a viver com ele. O tempo será um aliado do destino que lhes calhou em sorte.</p>
<p>Alguns críticos referiram-se ao facto de Jota e o irmão terem o impacto que tiveram em todo o mundo, quer na sociedade civil, quer no meio futebolístico. Adiantaram que, se fossem outros jogadores, nada disto se faria e o impacto seria quase nulo. Talvez assim fosse. A diferença está na visibilidade que tinham e para a qual a imprensa e a comunicação social contribuíram. Apesar de não ser um jogador de topo, Jota era conhecido e bem visto como pessoa de fácil relacionamento e amigo de ajudar, além de ser um bom atleta. Muitas vezes ficava no banco de suplentes e, quando entrava, resolvia os jogos, marcando os golos necessários. Era querido no Liverpool e todos conheciam e eram amigos do Jota, o número 20. E assim será eternizado em Inglaterra.</p>
<p>Por cá, foi rodeado de amigos, de colegas portugueses e ingleses, de políticos e por uma família destroçada, sem forças, que o acompanhou até à última morada. Constrangidos por uma morte violenta, avassaladora e demasiado imberbe, que resolveu roubar dois jovens que tinham uma vida pela frente, todos pisaram o mesmo chão que os conduziu a uma morada para a qual ainda não tinham feito qualquer contrato de arrendamento. Demasiado violento.</p>
<p>Na realidade, se fosse possível negociar com o destino, nada disto teria acontecido, mas o destino não se revela e a irreversibilidade dos acontecimentos ainda não está ao alcance dos humanos. Que descansem em paz.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Os loucos do poder</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/06/24/os-loucos-do-poder/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 10:38:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Ferreira]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornalnordeste.com/2025/06/24/os-loucos-do-poder/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sentam-se à mesa, mas ninguém quer comer porque o prato servido não se consegue engolir. São os loucos do costume. Não se falam, não se entendem e não querem a paz. Sentam-se à mesma mesa para quê? O Mundo está a assistir nos últimos dias a um crescendo gigantesco de ações de guerra e de [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2025/06/24/os-loucos-do-poder/">Os loucos do poder</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sentam-se à mesa, mas ninguém quer comer porque o prato servido não se consegue engolir. São os loucos do costume. Não se falam, não se entendem e não querem a paz. Sentam-se à mesma mesa para quê?</p>
<p>O Mundo está a assistir nos últimos dias a um crescendo gigantesco de ações de guerra e de nada mais se fala a não ser disso mesmo. Televisões e jornais de todos os países passam o tempo a referir, quase ao minuto, o que se passa no Médio Oriente e na Ucrânia. É uma loucura pegada.</p>
<p>Israel insatisfeito com as atrocidades que está a levar a cabo na Faixa de Gaza, resolveu alastrar a guerra ao Irão com a desculpa de que este está quase a obter urânio enriquecido suficiente que lhe poderia permitir fazer bombas nucleares. Sabemos bem que essa desculpa não é a única para declarar guerra ao Irão. Apesar de haver razões várias para acusar o Irão de apoio belicoso a grupos como o Hamas, o Hezbollah e os Houties, o certo é que pouco mais fazia além disso, mesmo que isso já fosse demasiado. Mas Israel tinha que agir com esse propósito.</p>
<p>Apoiado pelos EUA, Netanyahu sentia-se à vontade para agir contra a ditadura do Irão. E foi o que fez.</p>
<p>Contudo, Netanyahu para se manter no poder, tem de dar aos israelitas essa noção de poder e de força superior, fazendo com que os partidos que suportam o governo se mantenham unidos. É um objetivo comum e que interessa ao primeiro-ministro, pois quando isso deixar de acontecer, corre o risco de sair do governo, ser julgado e ir preso.</p>
<p>Deste modo, Netanyahu tem de manter o país em guerra constante alicerçando o seu discurso na defesa do país contra os que são inimigos de Israel. Se o Irão tivesse uma bomba atómica, Israel corria um sério perigo e isso não pode acontecer.</p>
<p>Para Trump isso interessa, pois Israel é um dos seus aliados mais fortes no Médio Oriente e é ali que estão grandes interesses económicos e bases militares americanas. Assim, os EUA continuarão a ajudar Israel até conseguir os seus objetivos. Esta comunhão de interesses sustenta esta guerra, ainda que se diga constantemente que se deve negociar a paz. Contudo, Trump refere-o, mas pede uma rendição incondicional do Irão o que implica não continuar o enriquecimento de urânio.</p>
<p>Mas a solução não é fácil. O líder do Irão não cede a chantagens e não quer conversações quando se vive em guerra constante. A não ser que Israel acabe com a guerra, o Irão não se senta a mesa das negociações. No entanto, não se deve subestimar o poder do Irão. Apesar de Israel controlar os céus do Irão, isso não significa que este não cause muitos estragos em Israel, como aliás se tem visto. É uma guerra a que Israel não estava habituado.</p>
<p>Estamos perante três loucos compulsivos que, ambiciosos de mais poder, não se importam com as vidas que dizimam e com o que destroem. Muito embora Trump encha a boca com “as mortes que acontecem” em Gaza, na Ucrânia, na Rússia, na Síria, no Líbano e agora no Irão e em Israel, ele vai enviar uma Task Force para o Médio Oriente e soldados integrados em missões especiais que se desconhecem.</p>
<p>Vai acabar por acontecer uma intervenção dos EUA neste conflito, mesmo que no seu programa eleitoral, Trump tenha dito que iria desviar a América dos conflitos e guerras que não eram as suas. Já estamos habituados às ambiguidades de Trump. Como se pode ser tão louco e insensível? Pelo menos mandou fechar a sua própria Embaixada em Jerusalém. Sabe, com toda a certeza, o que vem pelo caminho, face às ameaças do Irão. Para os EUA, esta guerra não é desnecessária, perante a possibilidade de o</p>
<p>Irão conseguir ter armas nucleares. Seria demasiado perigoso, até mesmo para a Europa. Por enquanto, Trump vai aguardar mais um tempo para que a diplomacia funcione entre os beligerantes. Há fragilidades de parte a parte e pode ser que funcione.</p>
<p>Vimos como o escudo de defesa de Israel também é falível. O Irão conseguiu entrar e destruir bairros em Haifa, Telavive e Jerusalém. Os israelitas contabilizam já algumas dezenas de mortes e muitas mais vão acontecer certamente. O Irão é demasiado grande para se dominar em pouco tempo. Terá de haver uma insurreição de dentro para fora que seja capaz de derrubar o poder dos Aiatolas de modo a levar o país a uma alteração de regime, talvez uma democracia. Fácil não é. A grandiosidade da antiga Pérsia não voltará tão depressa.</p>
<p>Mas esta guerra tem uma componente surreal. É que antes de atacarem, avisam o país inimigo quando e onde vão cair os mísseis. Claro que isto evita muitas mortes, mas não deixa de ser caricato. Parece um jogo de crianças que só acaba quando um dos contendores ficar sem munições.</p>
<p>Identicamente acontece na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Putin não quer perder a face embora esteja com dificuldades óbvias, mas desistir não é seu feitio. No entanto, continua a estar disponível para negociar a paz, mas não quer perder o poder que tem dentro da Rússia e, talvez, fora dela. Manter o carisma de segunda grande potência mundial, é primordial. Mas do outro lado, o invadido, também não cede e com razão, às exigências de paz que Putin impõe na mesa de negociações. Demonstrações de poder de loucos que, sendo loucos, não se apercebem da tamanha loucura que teimam em manter.</p>
<p>Entretanto, nas ruas de Teerão, de Telavive, de Haifa, de Kiev ou de Odessa, continuam a ouvir-se gritos de quem tudo perdeu sem culpa das ambições dos loucos do poder.</p>
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