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	<title>Arquivo de Caroline Pereira - Nordeste</title>
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	<title>Arquivo de Caroline Pereira - Nordeste</title>
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		<title>GDB: a raça de um povo</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/04/gdb-a-raca-de-um-povo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 09:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olhar em retrospetiva para os últimos 20 anos do GDB é recordar uma autêntica montanha-russa de emoções.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Quando falamos de futebol, pensamos automaticamente em duas equipas, 22 jogadores e noventa minutos atrás de uma bola com o único objetivo de marcar golos. Em Portugal, quando questionamos as nossas crianças acerca da sua preferência clubística, esperamos quase sempre uma de três respostas: Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Portugal ou Sport Lisboa e Benfica. No entanto, o nosso panorama desportivo é muito mais rico. Existem cerca de 2200 clubes de futebol filiados na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nos quais se integra um emblema muito especial para todos nós: o Grupo Desportivo de Bragança (GDB).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olhar em retrospetiva para os últimos 20 anos do GDB é recordar uma autêntica montanha-russa de emoções. Na mítica época de 2006/2007, o GDB perdeu nos quartos de final da taça de Portugal com o Belenenses por 2-1 no estádio municipal de Bragança. Mais tarde, na época de 2012/2013, o clube sagrou-se campeão da antiga III Divisão Nacional, ascendendo ao Campeonato Nacional de Seniores (atual Campeonato de Portugal). Entre 2013 e 2018, o GDB manteve-se consecutivamente neste escalão, falhando por muito pouco, em várias ocasiões, o acesso aos play-offs de subida à Segunda Liga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, como qualquer história de amor, esta também conheceu momentos de agonia e de profunda dificuldade. Na época de 2018/2019, fustigado por dificuldades financeiras crónicas e perante a forte concorrência no futebol do Norte, o fado do GDB tornou-se mais obscuro com a descida aos campeonatos distritais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, houve quem nunca desistisse. E aqui impõe-se um agradecimento merecido aos Commando, a claque do GDB. São eles que, em conjunto com os restantes adeptos, dão alma e carregam a ambição deste clube. Percorrem milhares de quilómetros ao lado dos jogadores e das equipas técnicas, garantindo que o Bragança nunca joga só e que a força da nossa terra chega a todo o lado. O meu muito obrigada pelo vosso bairrismo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recente época de 2025/2026 foi o espelho perfeito desta garra brigantina. Contra o ceticismo de muitos, o GDB agigantou-se e sagrou-se campeão da Fase Regular da Série A do Campeonato de Portugal. É verdade que o sonho da subida à Liga 3 nos escapou recentemente frente ao Leça FC, numa derrota cruel e injusta que funcionou como um autêntico soco no estômago. Mas a história do GDB não fica por aqui. Se há algo que o passado nos ensina é que o transmontano pode vacilar, mas nunca se rende. O Bragança não subiu de divisão, é certo, mas resgatou algo muito mais valioso: o orgulho e a união de uma cidade inteira.<br>A fechar este ciclo, também neste mês que passou, uma figura histórica do futebol nacional e da nossa terra despediu-se dos relvados: Luís Miguel Afonso Fernandes, mais conhecido por &#8220;Pizzi&#8221;. O miúdo prodígio que saltou dos juvenis para os seniores do GDB, que correu nos relvados da II Divisão B e que acabou por pisar os grandes palcos da Liga Europa e da Seleção Nacional. Pizzi levou a raça brigantina pelo mundo fora, tornando-se um dos maiores embaixadores da nossa terra. Obrigada, Pizzi, por projetares o nome do clube onde nasceste e cresceste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta crónica descreve o espírito futebolístico que se viveu este ano em Bragança, mas isto nunca foi apenas sobre futebol. É sobre a resiliência e a identidade de um povo. É a prova viva de que podemos ser tudo o que quisermos; só precisamos de nos unir e nunca desistir da nossa terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ouça a Caroline no Parlamento Jovem todas as sextas às 21:00 na Rádio Brigantia</em></p>



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		<title>Pacote Laboral: Reforma ou Retrocesso?</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/07/pacote-laboral-reforma-ou-retrocesso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 14:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar dos claros recuos do Governo, em relação a algumas medidas mais contestadas, o acordo entre Governo, confederações patronais e centrais sindicais continua longe e a incerteza sobre o futuro da revisão laboral permanece. </p>
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<p class="wp-block-paragraph">No 1º dia de maio, celebrámos, felizmente, o Dia Internacional do Trabalhador, mas é impossível ignorar a triste ironia de, precisamente nesta data, a discussão prender-se com alterações laborais, “graças” ao pacote apresentado pelo Governo minoritário da AD, intitulado “Trabalho XXI”. Mais de 50 reuniões depois, só foi possível reunir o plenário da Comissão Permanente de Concertação Social três vezes e ainda há quem diga que é cedo para retirarmos conclusões, pois o anteprojeto, apresentado em julho de 2025, está em fase de negociação mas, na minha opinião, é precisamente altura de intervir, denunciar e participar pois a democracia não se faz em silêncio, nem à porta fechada e o momento do debate é precisamente agora e sempre que a solução se reduzir aos direitos dos trabalhadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos claros recuos do Governo, em relação a algumas medidas mais contestadas, o acordo entre Governo, confederações patronais e centrais sindicais continua longe e a incerteza sobre o futuro da revisão laboral permanece. A UGT classifca certas propostas como verdadeiras “linhas vermelhas” – com toda a legitimidade, pois são promotoras de mais precariedade, menos proteção do trabalhador face ao empregador, na relação laboral e um claro objetivo de retrocesso ao passado &#8211; pelo que não admite qualquer cenário positivo que inclua essas mesmas medidas e a rutura parece cada vez mais defnitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo caminho já fcaram, por exemplo, as intenções do Governo em retirar direitos aos trabalhadores com responsabilidades parentais, que podem recusar trabalhar em horários noturnos e fns de semana, ou, por exemplo, na possibilidade de o trabalhador comprar dias de férias ao empregador, adicionais aos 22 dias dos quais tem direito, sinais de que a contestação se refetiu, não só no imediato, na opinião pública, como teriam um impacto eleitoral futuro difícil de contrariar. No entanto, a infexibilidade atual assenta sobretudo em questões como o banco de horas individual (em termos simples, permite ao empregador impor o aumento do horário de trabalho até duas horas por dia, podendo atingir 50 horas semanais e um limite anual de 150 horas, em vez de pagar as horas extraordinárias prestadas), o aumento do prazo máximo, nos contratos a termo e a termo incerto (de dois para três anos, novamente, nos contratos a prazo e de quatro para cinco anos nos contratos a termo incerto) e ainda no direito de reintegração de um trabalhador despedido ilicitamente, em que o Governo quer que baste ao empregador indemnizar o trabalhador ilicitamente despedido. É uma mudança de paradigma e estas medidas visam enfraquecer deliberadamente a proteção do trabalhador, tornando a ilegalidade menos custosa para quem despede e mais pesada para quem é despedido. É, no fundo, normalizar o despedimento ilícito como custo aceitável de gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O discurso oficial arroga-se de modernidade e fexibilidade, mas as medidas refetem, uma vez mais, a defesa das entidades patronais, da incerteza profssional e de um país a prazo, em tudo idêntico às vontades dos últimos governos (pouco) sociais-democratas. Chamemos as coisas pelo nome: com este conjunto de propostas, estão a institucionalizar ainda mais a precariedade como um modelo de vida imposto a uma geração inteira. Não podemos continuar a fingir que a precariedade é uma etapa normal da vida adulta, não é um detalhe técnico.<br>Não nos iludamos: podem tentar disfarçar, emprestando termos artifciais modernos ao “pacote” do Governo, mas não estamos a discutir progresso. É fácil perceber o retrocesso civilizacional que representa, à boleia da baixa produtividade (não aumenta por decreto, nem por exploração do tempo do trabalhador) e da ideia de replicar o mercado de trabalho dos países nórdicos, profundamente mais conscienciosos enquanto sociedade. Quando a discussão, em termos europeus, se concretiza na redução da semana de trabalho para 4 dias, somos presenteados, cá no burgo, com a normalização da cultura de “trabalhar para sobreviver”. O caminho não é sobrecarregar quem trabalha; é distribuir melhor o trabalho existente, redistribuindo a riqueza produzida com o trabalho coletivo, permitindo que quem crie emprego digno também crie a sua própria riqueza. Para combater os problemas que existem, as medidas podem e devem ser outras, promovendo a qualifcação profssional, reduzir burocracias e encargos a empresas e empresários e ter um Estado que realmente invista bem os impostos que arrecada. Tudo o resto é regressar a uma lógica antiga: a de exigir mais a quem já dá tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta que fca é inevitável: como é que, num país com uma crise habitacional profunda, com um SNS sob pressão e com salários estagnados, a prioridade deste Governo minoritário é reformar a legislação laboral — precisamente contra a posição das centrais sindicais? Quem benefcia verdadeiramente com estas mudanças? Será que estamos a melhorar o trabalho em Portugal — ou apenas a torná-lo mais barato, mais fexível e mais precário? E se este projeto era assim tão estruturante, onde estava ele no programa eleitoral apresentado aos portugueses nas legislativas de 2025? E porque é que este pacote contraria exatamente a Agenda do Trabalho Digno que o PS colocou em curso nos últimos anos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a pergunta final é retórica: o Pacote Laboral é a reforma que os portugueses precisam?</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Ouça a Caroline no <em><strong>Parlamento Jovem </strong></em>todas as Sextas às 21:00 na <strong>Rádio Brigantia</strong></p>
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		<title>Uma data querida</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/04/09/uma-data-querida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 10:13:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Celebrámos, no passado dia 2 de abril, os 50 anos desde o nascimento da Constituição da República Portuguesa (CRP), o nosso "chão comum", enquanto cidadãos, inseridos na sociedade, dispostos (a maioria) a viver por direitos e deveres</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Celebrámos, no passado dia 2 de abril, os 50 anos desde o nascimento da Constituição da República Portuguesa (CRP), o nosso &#8220;chão comum&#8221;, enquanto cidadãos, inseridos na sociedade, dispostos (a maioria) a viver por direitos e deveres, princípios e também alguma ideologia. Nestas cinco décadas, comemorámos a libertação de um povo e a vitória da democracia e aproveitámos para reviver o seu longo percurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A CRP foi revista sete vezes, introduzindo alterações-chave, como a extinção do Conselho da Revolução e a criação do Tribunal Constitucional (1982), a abertura à reprivatização de empresas nacionalizadas (1989), a adaptação ao Tratado de Maastricht (1992), a introdução do voto emigrante e o aprofundamento das regiões administrativas (1997), a adesão ao Tribunal Penal Internacional (2001), o reforço da autonomia regional e a limitação de mandatos políticos (2004) e, por último, a permissão de referendos sobre tratados da União Europeia (2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vinte anos se passaram desde a última revisão à Constituição. E, efetivamente, até seria possível justifcar uma nova revisão à Lei Fundamental, no sentido de a atualizar face aos desafos contemporâneos, exemplifcados em questões como a crise climática, a inteligência artifcial e o reforço dos direitos humanos. A CRP deve ser um documento vivo, capaz de estabelecer os horizontes e objetivos a longo prazo da comunidade, primando pelo princípio de responder às suas necessidades e problemas.<br>Ao analisarmos algumas das propostas para eventuais revisões constitucionais, encaramos a tomada de posição de certos partidos com desconfança. Quando versam em temas como a saúde ou a educação, percebemos que a preocupação é essencialmente ideológica e o objetivo parece ser o desmantelamento dos serviços públicos como delineados pela CRP: serviços &#8220;universais e tendencialmente gratuitos&#8221;. Torna-se, por isso, imperativo defnir &#8220;linhas vermelhas&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A retórica de &#8220;mais Liberdade e menos Estado&#8221; sustenta, muitas vezes, um conceito ilusório de meritocracia, como se o mérito pudesse ser o único distintivo de um cidadão, ignorando as desigualdades de partida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elevador social é a matriz da equidade na nossa sociedade. Independentemente da conta bancária ou do local de nascimento, todo e qualquer jovem português deve ter direito ao acesso efetivo à educação. É isso que a CRP defende, mas é também aí que falhamos no seu cumprimento. E temos exemplos, perto de nós, como em Vimioso: um jovem que pretenda concluir o ensino secundário é obrigado a sair do seu concelho, sujeitando-se a deslocações diárias de quase duas horas ou à saída precoce de casa para concelhos vizinhos. Em Freixo de Espada à Cinta, por sua vez, o município conseguiu mitigar a mesma situação, através do ensino profssional (com equivalência ao 12.º ano), mas o problema de fundo persiste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na saúde, o cenário é idêntico. Problemas que, por lei, deveriam ter resposta, prazos regulamentados, arrastam-se frequentemente por anos. A solução, novamente inovadora, é a transferência de doentes para o setor privado &#8211; quando já existem &#8220;Vales-Cirurgia&#8221;, atribuídos a partir do momento em que os tempos de resposta garantidos são ultrapassados. No entanto, as listas de espera permanecem longas e continuam a existir muitas pessoas sem médico de família. Por um lado, onde está a capacidade (e o interesse) do setor privado para apoiar o SNS, e ser parte da solução resolver o problema estrutural do país? Em que medida é que a CRP anula esta sinergia, que tem sido tentada e tem falhado? Nos tempos mais difíceis, como durante a pandemia, quem segurou a saúde em Portugal? Quando o caso é muito grave, para onde são dirigidos os utentes?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto sociedade, também temos um dever constitucional de respeito pelo passado.<br>Passados 50 anos, continuam a existir resquícios de um Portugal obsoleto e ignorante, que pondera que o poder político, que tanto criticam, volte a colocar a prisão perpétua ou a castração química na agenda, para além dos discursos constantes contra etnias, raças, religiões e orientação sexual e, por exemplo, contra o direito da mulher à interrupção voluntária da gravidez. O retrocesso que estas medidas representariam seria grave pois abdicarmos dos princípios civilizacionais, que nos defnem ontem, hoje e amanhã, não garantem uma sociedade mais justa e segura. Afnal, digam-me: qual foi o criminoso que consultou o enquadramento legal antes de decidir se cometia ou não o crime?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além disso, o problema não estará na própria justiça, nos tribunais e no seu funcionamento, na burocracia, nos adiamentos e nas formas que se encontram para não pagar o preço, à sociedade, pelo seu comportamento?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há melhor pensamento fnal que parafrasear o nosso Presidente da República, António José Seguro: “Não é a constituição que impede a resolução dos problemas concretos dos portugueses. A frustração que muitos portugueses sentem não é da constituição, é do seu incumprimento”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não diria melhor.</p>
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