“Viver as Muralhas” quer dar nova dinâmica ao Castelo e à Cidadela de Bragança

Projeto pretende reorganizar trânsito, reforçar o turismo e dinamizar a atividade económica

Projeto surge no seguimento da “estratégia municipal de valorização do património e do centro histórico e outros centros que têm um enorme valor patrimonial”

01 set. 2026, 07:30

O município de Bragança vai avançar com o programa “Viver as Muralhas”, uma estratégia integrada para “valorizar o Castelo e a Cidadela” e dar uma “nova dinâmica” a um dos principais espaços patrimoniais e turísticos da cidade, segundo esclareceu a presidente da câmara municipal, Isabel Ferreira.

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A iniciativa pretende atuar em “várias áreas”, desde a circulação automóvel e estacionamento à mobilidade, espaço público, acolhimento turístico, atividade económica e programação cultural.

Conforme Isabel Ferreira, o projeto surge no seguimento da “estratégia municipal de valorização do património e do centro histórico e outros centros que têm um enorme valor patrimonial”.

O arranque do programa acontece com a criação de um grupo de trabalho que terá como missão “fazer o levantamento das necessidades e preparar medidas a implementar a curto e médio prazo”.

Atrair turistas para além do Castelo

Uma das principais ambições passa por transformar a Cidadela num espaço onde os visitantes permaneçam mais tempo e descubram não apenas o Castelo, mas também os restantes equipamentos e a oferta turística e económica de Bragança. Assim, a presidente considera fundamental “criar uma maior articulação entre os diferentes espaços culturais existentes dentro das muralhas”, apesar de estarem sob diferentes tutelas. “Era importante criar sinergias entre estes diferentes monumentos, aproveitar os inúmeros turistas que visitam o Castelo, muitos deles exclusivamente o Castelo, e depois acabam por não visitar o resto da cidade e do concelho de Bragança”, referiu.

O programa pretende, assim, potenciar o Castelo como porta de entrada para outros pontos de interesse da cidade e do concelho, articulando património, cultura, comércio, restauração, artesanato e produtos locais.

Trânsito e estacionamento são prioridades

A organização do trânsito e do estacionamento dentro da Cidadela é outra das prioridades identificadas pela autarquia. A solução em estudo passa por reduzir a pressão automóvel no interior das muralhas e reorganizar o estacionamento, mantendo naturalmente os acessos necessários aos residentes, serviços e situações de emergência.

Uma das possibilidades é aproveitar parte do Parque de Autocaravanas da costa sul para estacionamento de visitantes. O primeiro patamar deverá continuar destinado à área de serviço de autocaravanas, enquanto os restantes poderão ser reconvertidos para estacionamento. “Precisamos absolutamente de organizar o trânsito e os estacionamentos dentro da cidadela e, portanto, um dos objetivos é regular precisamente essa circulação e o estacionamento”, destacou a presidente.

A autarquia pretende que esta reorganização contribua para diminuir o número de veículos no interior da Cidadela e melhorar a experiência de quem vive e visita o espaço.

Tuk-tuks elétricos e miniautocarro em estudo

A mobilidade entre o Castelo e o resto da cidade deverá também ser reforçada.

Além da ligação através do Comboio Turístico da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, o município admite disponibilizar outras soluções, como tuk-tuks elétricos, miniautocarros ou outros veículos silenciosos. “Precisamos também encontrar soluções de mobilidade entre o Castelo e o resto da cidade”, frisou Isabel Ferreira, que admitiu que esta é uma das áreas onde algumas medidas poderão avançar mais rapidamente, uma vez que existem veículos que podem ser alocados ao serviço.

Posto de Turismo é uma das medidas em estudo

A criação de um Posto de Turismo no Castelo é outra das propostas que integram o programa. Segundo Isabel Ferreira, trata-se de uma necessidade “frequentemente apontada pelos munícipes” e que a autarquia pretende agora estudar, incluindo a localização mais adequada. “Era muito importante ter um posto de turismo no Castelo”, assumiu.

O programa contempla ainda a melhoria dos espaços públicos, incluindo jardins, mobiliário urbano, iluminação, pavimentos, sinalética e zonas de estadia. A presidente destacou, em particular, a necessidade de intervenção nos jardins mais próximos do Castelo, considerando que atualmente “não apresentam as melhores condições” do ponto de vista estético e paisagístico.

Mercado regular de artesanato

A dinamização económica da Cidadela deverá passar também pela criação de um mercado regular de artesanato e produtos locais. A iniciativa deverá ser preparada em “articulação com artesãos, produtores e associações do concelho”, podendo incluir oficinas, demonstrações e atividades destinadas às famílias.

A ideia é “reforçar a ligação” entre a visita ao património e o consumo de produtos associados ao território.

Seis edifícios vão ser reabilitados por 860 mil euros

O “Viver as Muralhas” surge também articulado com outras intervenções já iniciadas pelo município. A autarquia está a avançar com a “reabilitação de seis edifícios” na Cidadela e na sua envolvente, “num investimento de 860 mil euros”.

Segundo Isabel Ferreira, a intervenção assume particular importância porque alguns dos edifícios são propriedade municipal e encontram-se degradados e devolutos.

Este investimento conta com “financiamento europeu, através do Norte 2030”. Para as restantes medidas do programa, segundo a presidente, “as fontes de financiamento serão avaliadas caso a caso”, podendo incluir diferentes financiamentos e o próprio orçamento municipal.

Primeiras medidas podem avançar na primavera

Ainda “não existe um valor global definido” para o “Viver as Muralhas”. Conforme Isabel Ferreira, “será necessário avaliar cada medida individualmente antes de determinar o investimento total”.

Apesar disso, a expectativa da autarquia é começar a concretizar algumas das iniciativas “já na próxima primavera”, a altura “mais adequada” para testar algumas das soluções de mobilidade, tendo em conta as condições meteorológicas do inverno. Isabel Ferreira explicou que “algumas intervenções podem avançar rapidamente”, nomeadamente a organização do trânsito e a disponibilização de veículos para a ligação ao Castelo. “Eu espero que seja rápido”, frisou ainda.

Primeira reunião marcada para dia 11

O desenvolvimento do programa vai envolver diferentes serviços e entidades, incluindo as áreas municipais do ambiente e território, turismo, cultura, desenvolvimento económico e mobilidade. Serão também chamados a participar a União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, as entidades responsáveis pelo Museu Militar e pela Domus Municipalis, o Turismo do Porto e Norte de Portugal, a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança, além de artesãos, produtores, comerciantes, operadores turísticos e representantes dos residentes. A primeira reunião do grupo de trabalho “está marcada para 11 de setembro”.

A participação dos residentes é assumida pela autarquia como uma componente “essencial” do processo, uma vez que são estes que “conhecem diretamente a dinâmica quotidiana da Cidadela”.

O objetivo é definir soluções que conciliem a valorização patrimonial com melhores condições para quem vive, trabalha e visita aquele espaço.

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