Vírus Shamonda detetado em exploração de Vimioso

Vírus transmitido por pequenos insetos já foi identificado numa exploração de bovinos em Santulhão, concelho de Vimioso. O veterinário do Agrupamento de Defesa Sanitária Miranda-Vimioso (ADS Miranda-Vimioso) explica os sintomas.

22 out. 2026, 15:09

O vírus Shamonda, que afeta sobretudo bovinos e é transmitido pela picada de pequenos insetos do género Culicoides, foi detetado numa exploração pecuária em Santulhão. A presença do vírus em Portugal foi confirmada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que, na atualização epidemiológica de 13 de outubro, contabilizava seis explorações com resultados laboratoriais positivos em diferentes pontos do país.

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A exploração de Santulhão afetada tem cerca de 50 bovinos adultos. Segundo Luís Fernandes, veterinário do ADS Miranda-Vimioso, a suspeita surgiu depois de terem sido observados alguns animais doentes.

“Na altura, o criador tinha lá dois ou três animais adoentados. Depois, entretanto, fez-se uma recolha, fez-se o saneamento para a sanidade, para pesquisa de brucelose, e mandou-se pesquisar também esse vírus. E sei que apareceram alguns”, explica o veterinário, que não consegue precisar o número exato de animais com resultado positivo, uma vez que os dados foram posteriormente encaminhados para a DGAV.

De acordo com a mesma fonte, os primeiros animais com sintomas foram identificados em setembro. “Febre, diarreia e perda de apetite estão entre os principais sinais”, aponta.

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A DGAV explica que o Shamonda é um Orthobunyavirus do serogrupo Simbu. Foi identificado pela primeira vez na Nigéria, em meados da década de 1960, e é transmitido sobretudo através da picada de insetos do género Culicoides, os mesmos vetores que podem estar envolvidos na transmissão de doenças como a língua azul e a doença hemorrágica epizoótica.

Nos bovinos, os sinais podem incluir febre, diarreia, falta de apetite, prostração e diminuição da produção de leite. Em fêmeas gestantes, a infeção pode ainda estar associada a abortos ou malformações fetais.

“Não apresenta muita mortalidade, mas bastante morbilidade, ou seja, afeta bastante os animais da exploração, embora não levem à morte muitos animais”, indica o veterinário.

Luís Fernandes alerta que os sintomas podem ser facilmente confundidos com os de outras doenças que já circulam na região. “Isto confunde-se com outro tipo de doenças que já tivemos aqui no Planalto também, como é o caso da Doença Hemorrágica Epizoótica (DHE) e a própria língua azul, mais em ovinos”, afirma. “Isso às vezes até passa um bocadinho mais despercebido.”

Por isso, considera essencial que os criadores estejam atentos a alterações no comportamento dos animais. “O que notam mais é a falta de apetite, o animal triste. Depois tem que se fazer o diagnóstico diferencial, que acaba por ser por uma analítica sanguínea, com despiste por PCRs, para isolar o vírus”, explica.

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Não existe atualmente uma vacina contra o vírus Shamonda. A DGAV recomenda medidas destinadas a reduzir a exposição aos insetos vetores e, perante animais afetados, tratamento veterinário sintomático.

Na maioria dos casos, os animais conseguem recuperar da infeção. No entanto, a doença pode ter consequências importantes para as explorações, sobretudo pela quebra da condição física e da produção.

“Por norma, os animais resistem, vão controlando a infeção. Mas lá está, há perda de peso, há perda de leite. Se não estão a dar leite, as crias também sofrem”, explica o veterinário. “Portanto, é tudo um quadro de perda, de produção.”

Em situações mais graves, a evolução pode ser diferente. “Num estado avançado sim, na medida em que deixa de comer e, se tiver muitos dias sem comer, aí pode evoluir para esse quadro”, acrescenta.

De acordo com Luís Fernandes, não há, até ao momento, conhecimento de outras explorações na área de Miranda do Douro e Vimioso que tenham sido identificadas com o vírus.

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“Para já só foi nessa exploração, pelo menos que a gente tenha suspeitado e que se tenha feito pesquisa”, afirma. Contudo, a ausência de casos identificados não significa necessariamente que não possam existir outros animais infetados.

França confirma morte de homem infetado com vírus

Até agora, a mensagem transmitida pelas autoridades veterinárias era de que não havia evidência de que o Shamonda Vírus não era considerado transmissível ao ser humano.

No entanto, esta quinta-feira, as autoridades francesas anunciaram a deteção do vírus num ser humano, naquele que é considerado o primeiro caso humano documentado. O doente encontrava-se hospitalizado em Lyon devido a uma doença grave e morreu no início de outubro.

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