Vila Flor recebeu, no fim de semana, a primeira edição da Flor Rural – Rota Transmontana, uma iniciativa dedicada ao mundo das matilhas, da caça e das tradições rurais. O evento reuniu cerca de 120 matilhas de Portugal e Espanha, promovendo o convívio, a partilha de experiências e a valorização da atividade.
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Para João Frederico, matilheiro, esta primeira edição representou “um grande passo para o mundo da caça e das matilhas”, permitindo também mostrar que os matilheiros “não são criminosos, mas pessoas que vivem esta paixão desde pequeninos”.
Também Henrique Chapas destacou a importância do encontro para criar relações entre os participantes. “Dá para a gente trocar raças, mudar de sangue e aprender”, afirmou, sublinhando que “a gente aprende até à hora da morte”.
Adriano Teixeira apontou o convívio como uma das principais mais-valias. “É bom para todas as matilhas. O convívio, acima de tudo, é muito importante e ganha-se novas amizades”, afirmou.
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Já Joaquim Alves defendeu a importância de mostrar à sociedade o papel dos matilheiros, considerando que são “uma mais-valia” numa região que enfrenta uma forte presença de javalis. Para o matilheiro, é através da união que conseguem “mostrar que somos pessoas sensatas e pessoas de bem”.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Flor, Pedro Lima, explicou que a iniciativa nasceu de um desafio lançado por um dos intervenientes e pelo Clube de Caça e Pesca de Vila Flor, com o objetivo de “trazer aqui o mundo rural, trazer aqui aquilo que é a nossa identidade comum”. Para o autarca, a ligação entre “homem, cão e caça” está profundamente ligada à tradição, à cultura e à identidade do concelho.
Pedro Lima destacou ainda o papel que Vila Flor tem vindo a assumir na promoção da sua identidade e dos seus produtos endógenos, considerando que a caça é também parte importante desse património. Na sua perspetiva, os caçadores têm um papel relevante enquanto “zeladores do ambiente”, uma vez que a preservação do património natural é essencial para garantir a própria atividade cinegética.
O autarca aproveitou também para rejeitar a imagem negativa frequentemente associada à caça e à agricultura. “O agricultor, o caçador, o ambiente, a agricultura e a caça têm que andar de mãos dadas”, afirmou, defendendo que é necessário “desmistificar” algumas ideias criadas em torno destas atividades.
Sobre a primeira edição, Pedro Lima fez um balanço positivo e apontou já para a continuidade da iniciativa.
O programa incluiu demonstrações de cães de rasto, prova de cão coelheiro, passeios equestres e de charrete, garraiada, colóquios e uma bênção dos animais.






