Universidade do Minho desenvolve sistema de inteligência artificial para gerir rega dos olivais em Trás-os-Montes
Projeto-piloto decorre no Vale da Vilariça e pretende reduzir o consumo de água e melhorar a produção de azeitona
Uma equipa da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) está a desenvolver um sistema baseado em inteligência artificial (IA) capaz de prever e monitorizar as necessidades hídricas dos olivais. O projeto-piloto está a decorrer no Vale da Vilariça e pretende ajudar os agricultores a decidir quando regar e qual a quantidade de água necessária.
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O sistema cruza informação recolhida através de sensores instalados no terreno, nomeadamente dados relativos à humidade do solo e às condições atmosféricas, para determinar as necessidades de água das oliveiras. A partir dessa informação, a tecnologia poderá recomendar o momento mais adequado para iniciar a rega e a quantidade de água a disponibilizar através dos sistemas gota-a-gota.
A gestão poderá ser feita através de uma aplicação, acessível por telemóvel ou computador. Mesmo os agricultores que não disponham de sensores poderão utilizar a ferramenta, uma vez que o sistema poderá recorrer a dados provenientes de estações meteorológicas, satélites e modelos de inteligência artificial.
A iniciativa surge num contexto de alterações climáticas e de períodos de seca cada vez mais prolongados, que têm colocado desafios à produção olivícola. A falta de água pode comprometer o desenvolvimento das oliveiras e provocar quebras na produção, com consequências na quantidade e qualidade da azeitona e, consequentemente, no preço do azeite.
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Com a nova ferramenta, a equipa pretende permitir aos produtores antecipar as necessidades das culturas e definir planos de irrigação mais eficientes. O sistema poderá também contribuir para identificar as necessidades de nutrientes das árvores, com o objetivo de melhorar a produtividade e reduzir o desperdício de água.
Os primeiros trabalhos de campo já arrancaram numa exploração agrícola em Vilarelhos, no Vale da Vilariça, onde estão a ser recolhidos dados sobre as condições atmosféricas e do solo. A informação servirá para aperfeiçoar os modelos de inteligência artificial e o software, num processo que contará também com a experiência dos agricultores associados.
“Quem não quiser comprar os sensores, poderá também utilizar o software, porque vamos instalar uma estação atmosférica local”, explica Cecília Coelho.
O objetivo da equipa passa não só por tornar o setor olivícola mais eficientes e sustentável, como também pela vontade de aplicar esta solução noutras regiões de Portugal e também em Espanha.
O projeto é coordenado pela investigadora Cecília Coelho, do Centro de Matemática da Escola de Ciências da Universidade do Minho.
Entre os parceiros estão a Associação de Agricultores do Vale da Vilariça, a empresa Sementinteligente, e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Com duração prevista entre 2025 e 2028, o projeto representa um investimento de 280 mil euros, assegurado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), pela Fundação “la Caixa” e pelos parceiros da iniciativa.
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