Treze voluntários unidos para combater a solidão dos idosos

Projeto “Gerações + Voluntariado”, integrado no CLDS 5G, aposta na proximidade, no convívio e na solidariedade intergeracional. A iniciativa pretende chegar à população mais envelhecida e isolada do concelho e está aberta à participação de novos voluntários.

04 nov. 2026, 09:00

Treze voluntários estão já mobilizados para levar companhia, alegria e proximidade à população mais envelhecida de Carrazeda de Ansiães. O projeto “Gerações + Voluntariado” está no terreno com um objetivo claro: combater a solidão e o isolamento dos idosos, através de visitas, conversas e atividades de convívio.

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A iniciativa integra o CLDS 5G – Contrato Local de Desenvolvimento Social e pretende reforçar as respostas de proximidade num território de baixa densidade, onde o envelhecimento da população e o isolamento de quem vive sozinho representam desafios cada vez mais significativos.

O arranque formal desta iniciativa fica também assinalado pela assinatura do Acordo de Voluntariado entre o Município de Carrazeda de Ansiães e os voluntários, na terça-feira, 3 de novembro.

Para o presidente da Câmara Municipal, João Gonçalves, a disponibilidade destes cidadãos para ajudar merece especial reconhecimento. O autarca destaca a importância de um projeto direcionado para uma população particularmente vulnerável nos territórios de baixa densidade, onde muitos idosos vivem sozinhos e enfrentam situações de isolamento. “Numa sociedade cada vez mais egoísta, é de realçar a predisposição para ajudar”, disse.

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Também Cátia Fernandes, coordenadora do programa, considera fundamental criar novas respostas que aproximem a comunidade da população idosa. A prioridade será chegar a quem está mais isolado, promovendo relações de confiança e combatendo a solidão através de um acompanhamento próximo e regular. “Essa é a principal dificuldade que os territórios de baixa densidade têm, sobretudo a questão do envelhecimento, e como tal torna-se necessário haver esta proximidade e nada melhor havendo proximidade através da criação de novo voluntariado dirigido especificamente para este tipo de população”, explicou.

Entre os 13 voluntários há diferentes idades, experiências e motivações, mas todos partilham a vontade de fazer a diferença na vida de outras pessoas. É o caso de Ana Gonçalves, de 61 anos, que, apesar de ainda estar profissionalmente ativa, decidiu abraçar o desafio. Considera o voluntariado um sonho antigo e uma oportunidade de colocar a sua disponibilidade ao serviço dos outros. “Para mim é um privilégio, é um sonho que eu tenho há muito tempo. Desde que acabei o meu curso eu não pratiquei e então gostava de pelo menos ser útil por fazer um voluntariado”, contou.

Com 74 anos, Arminda Ramires leva uma longa história de dedicação aos outros. Diz que nasceu voluntária e recorda a influência da mãe, que desde cedo lhe transmitiu o valor da solidariedade e da ajuda ao próximo. “Eu nasci voluntária. Aprendi a ser voluntária com a minha mãe, que era uma pessoa muito estimada na aldeia”, recordou, explicando que a acompanhava desde pequena quando esta ajudava pessoas doentes.

Aos 80 anos, Dulcineia Almeida também aceitou de imediato o convite. A vontade de conviver, cantar e levar alegria a quem atravessa momentos difíceis foi determinante para integrar o projeto. “Eu gosto imenso destas coisas. Cantar e rir e fazer rir e consolar os tristes. Conviver com pessoas, principalmente os de idade”, afirmou. A voluntária espera conseguir animar quem está mais em baixo, ajudando os idosos a esquecer, ainda que por momentos, os problemas do dia a dia.

Até 2029, o “Gerações + Voluntariado” pretende consolidar esta rede de solidariedade, multiplicando oportunidades de encontro, partilha e acompanhamento. A iniciativa está aberta a todos os que queiram disponibilizar algum do seu tempo para ajudar.

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