Trás-os-Montes acelera nas exportações e no turismo mas emprego cresce abaixo da média do Norte
Terras de Trás-os-Montes registaram alguns dos melhores desempenhos económicos do Norte no segundo trimestre de 2026, sobretudo nas exportações e no turismo. A região foi, porém, a sub-região do Norte com menor crescimento do emprego registado e uma das que mais abrandou na criação de novas empresas.
As Terras de Trás-os-Montes surgem com um desempenho económico desigual no mais recente relatório Norte Conjuntura, da CCDR NORTE. Se, por um lado, a região se destaca pela capacidade exportadora e pelo crescimento da atividade turística, por outro continua a apresentar um ritmo de criação de emprego inferior ao das restantes sub-regiões e sinais menos positivos na dinâmica empresarial.
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O retrato ganha particular importância porque o segundo trimestre de 2026 foi, no conjunto, favorável à economia do Norte. A região criou 37,2 mil empregos face ao mesmo período de 2025, reduziu a taxa de desemprego para 5,7%, aumentou as exportações em 3,9% e registou um crescimento de 4,9% nas dormidas turísticas.
Trás-os-Montes lidera o crescimento nas exportações
É no comércio internacional que Trás-os-Montes apresenta o resultado mais expressivo.
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As exportações de bens da sub-região atingiram 193 milhões de euros no segundo trimestre de 2026, contra 138 milhões no mesmo trimestre do ano anterior. Trata-se de um crescimento homólogo de 39,8%, correspondente a mais 55 milhões de euros.
Nenhuma outra sub-região do Norte teve um crescimento semelhante. O Alto Tâmega e Barroso, segundo classificado, cresceu 10,7%, enquanto o Alto Minho aumentou 9,3% e a Área Metropolitana do Porto 7,8%. No extremo oposto, o Cávado recuou 16,7% e o Douro 18,5%.
O resultado de Trás-os-Montes não é apenas pontual, já que a CCDR NORTE assinala que a sub-região mantém crescimento homólogo das exportações pelo quarto trimestre consecutivo.
Bragança é uma das principais explicações para este desempenho. O concelho exportou 182 milhões de euros no trimestre, mais 55 milhões do que um ano antes, correspondendo a uma subida de 43,3%. Entre os 20 municípios mais exportadores do Norte, Bragança apresentou o segundo maior crescimento percentual, apenas atrás de Gondomar. Enquanto grandes polos industriais como Braga, Vila do Conde ou Vila Nova de Famalicão registaram quebras ou crescimento muito reduzido, Bragança reforçou significativamente a sua posição.
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Turismo, a segunda grande força de Trás-os-Montes
Também no turismo as Terras de Trás-os-Montes estão entre os grandes destaques do trimestre. A sub-região registou 82.663 dormidas, mais 9.070 do que no segundo trimestre de 2025. O crescimento foi de 12,3%, o mais elevado de todo o Norte.
O resultado supera o Alto Minho, que cresceu 10,4%, e fica muito acima da Área Metropolitana do Porto, que aumentou 4,9%. O crescimento médio do Norte foi de 4,9% e o de Portugal de apenas 1,2%. A única sub-região do Norte a apresentar uma evolução negativa foi o Alto Tâmega e Barroso, com uma queda de 2,3%.
Trás-os-Montes não só cresceu acima da média como conseguiu acelerar face ao trimestre anterior, passando de um crescimento homólogo de 3,9% no primeiro trimestre para 12,3% no segundo.
Dentro da sub-região, Bragança voltou a destacar-se. A cidade registou 40.837 dormidas, mais 3.709 do que um ano antes, crescendo 10%. Já Chaves, outro dos principais destinos turísticos do interior, teve uma evolução inversa, com uma redução de 3,5%.
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Emprego cresce, mas Trás-os-Montes fica para trás
O mercado de trabalho apresenta uma imagem menos favorável.
O emprego registado na Segurança Social aumentou 1,3% nas Terras de Trás-os-Montes, passando de 37.318 pessoas no segundo trimestre de 2025 para 37.790 no mesmo trimestre de 2026. São mais 473 empregos.
O problema está na comparação: 1,3% foi o crescimento mais baixo entre as oito sub-regiões do Norte. A média regional foi de 1,9%. No Alto Tâmega e Barroso, o crescimento chegou a 2,9%; no Tâmega e Sousa foi de 2,8% e no Alto Minho de 2,5%.
Ainda assim, não há uma inversão negativa. O emprego cresce há pelo menos quatro trimestres consecutivos em todas as sub-regiões do Norte, incluindo Trás-os-Montes.
E há sinais particularmente fortes em alguns municípios. Bragança aumentou o emprego registado em 2,6% e Chaves em 3,5%, ficando este último entre os municípios mais populosos com maior crescimento no Norte.
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Desemprego recua, mas menos do que noutras regiões
A evolução do desemprego acompanha a tendência positiva, embora também aqui Trás-os-Montes fique abaixo da média regional.
O número de desempregados inscritos no IEFP caiu de 3.992 para 3.569 pessoas, uma redução de 10,6% em termos homólogos.
Todos os territórios do Norte reduziram o desemprego, mas Trás-os-Montes teve uma das menores descidas. Apenas o Ave, com -8,1%, registou uma redução menos acentuada. No Tâmega e Sousa a queda chegou a 19,6%, no Alto Minho a 15% e no Cávado a 14,9%.
Também nos principais centros urbanos transmontanos há diferenças: em Vila Real a redução foi de 20%, enquanto em Chaves foi de 15,7% e em Bragança de 8,4%.
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Saldo das empresas continua positivo, mas há sinais de abrandamento
A criação de novas empresas e entidades apresenta um cenário mais ambíguo.
No segundo trimestre foram constituídas 77 novas entidades nas Terras de Trás-os-Montes, contra 80 no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, as dissoluções duplicaram, de 10 para 20.
O saldo entre constituições e dissoluções permaneceu positivo, em 57 entidades, mas ficou abaixo das 70 registadas um ano antes.
A comparação com outras regiões torna este resultado mais significativo. Enquanto Trás-os-Montes recuou, o Tâmega e Sousa aumentou as constituições em 34,7% e o Cávado em 21,4%. No Douro e no Alto Tâmega e Barroso também houve menos constituições, mas Trás-os-Montes passou de um saldo de 70 para 57 entidades.
Ainda assim, o saldo empresarial mantém-se positivo, acompanhando uma tendência que abrange todas as sub-regiões do Norte.
Uma economia regional entre duas velocidades
Trás-os-Montes está a ganhar força onde a economia transmontana tem maior potencial de afirmação externa, nas exportações e no turismo. A subida de 39,8% das exportações é, de longe, o melhor resultado entre as sub-regiões do Norte, enquanto o crescimento de 12,3% das dormidas coloca igualmente o território na liderança regional.
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Ainda assim, essa aceleração ainda não se traduz na mesma intensidade no mercado de trabalho. O crescimento do emprego é o mais baixo do Norte e a redução do desemprego é também uma das menos expressivas.
A região está a produzir mais valor em algumas áreas e a atrair mais visitantes, mas o impacto dessa dinâmica no mercado de trabalho continua relativamente limitado quando comparado com outros territórios do Norte.
Contexto do Norte ajuda a perceber o desafio
O desempenho de Trás-os-Montes ocorre num contexto regional globalmente favorável. O PIB português cresceu 2,5% no segundo trimestre, acima da União Europeia e da Zona Euro, enquanto o Norte aumentou o emprego, as exportações e a atividade turística, mas existem riscos. As importações do Norte cresceram 9,3%, mais do dobro das exportações, fazendo o saldo comercial passar de um excedente de 310 milhões de euros para um défice de 21 milhões. A inflação também acelerou para 3,1%, sobretudo devido à subida dos preços da energia.
A habitação manteve igualmente uma forte dinâmica no Norte. Foram licenciados 5.696 fogos de nova habitação no trimestre, o valor mais elevado desde o início da série estatística, em 2007, enquanto os fogos concluídos aumentaram 18,4%. Ao mesmo tempo, a avaliação bancária das casas subiu 16,7%.
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