Tradições de Miranda do Douro viajam até Itália

A dança dos Pauliteiros, associada à dança de espadas, combina elementos rituais, religiosos e guerreiros

27 ago. 2026, 15:29

Os Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo e as figuras tradicionais da Velha, do Bailador e da Bailadeira, de Vila Chã de Braciosa, vão representar Miranda do Douro no XV Raduno Internazionale delle Maschere Antropologiche (R.I.M.A. 2026), em Tricarico, na região italiana da Basilicata. A presença de Miranda do Douro pretende aproximar comunidades que, apesar da distância geográfica, partilham tradições assentes em máscaras, rituais, música e dança.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O encontro decorre nos dias 4 e 5 de setembro e reúne grupos de diferentes países e regiões que mantêm vivas tradições associadas às máscaras, aos rituais, à música e à dança. Durante dois dias, Tricarico recebe desfiles de grupos mascarados, música popular, colóquios, exposições, oficinas e iniciativas ligadas à gastronomia tradicional.

Entre os participantes estão grupos provenientes de países como Equador, Bolívia, Peru, Bulgária, Espanha e Portugal, além de várias comunidades italianas.

A representação mirandesa inclui os Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo, uma das manifestações mais conhecidas da cultura tradicional das Terras de Miranda.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A dança dos Pauliteiros, associada à dança de espadas, combina elementos rituais, religiosos e guerreiros e é acompanhada por instrumentos tradicionais como a gaita de foles, a caixa de guerra e o bombo.e refira-se que o reconhecimento patrimonial desta tradição ganhou um novo capítulo em abril de 2025, quando as danças rituais dos Pauliteiros nas festas tradicionais de Miranda do Douro foram inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. A candidatura tinha sido apresentada pelo município em 2023.

A inscrição é também encarada como um passo tendo em vista uma eventual candidatura futura à lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

A viagem até Itália leva também três personagens que fazem parte de uma tradição particularmente ligada a Vila Chã de Braciosa: a Velha, o Bailador e a Bailadeira.

As três figuras integram a Festa do Menino, celebrada a 1 de janeiro, e percorrem a aldeia nas primeiras horas do dia, acompanhadas por gaita de foles, bombo e caixa de guerra. Visitam as casas, cumprimentam os moradores, dançam e recolhem donativos para a celebração.

Estas tradições fazem parte de um processo mais amplo de salvaguarda promovido pelo Município de Miranda do Douro, que apresentou uma candidatura para a inscrição dos rituais ancestrais com máscara associados ao solstício de inverno no Registo Nacional do Património Cultural Imaterial, com caráter de salvaguarda urgente.

O processo abrange também a Festa de L Bielho i la Galdrapa, em São Pedro da Silva, celebrada a 13 de dezembro, e o Ritual do Carocho e da Velha, em Constantim, a 26 e 27 de dezembro.