Trabalhadoras da limpeza do Hospital de Mirandela em greve contra alegado incumprimento de direitos laborais

Protesto decorre da “falta de cumprimento das obrigações legais e contratuais por parte da empresa” Limpezas Felizes.

A situação envolve cerca de dez trabalhadoras

04 nov. 2026, 08:30

As trabalhadoras da limpeza do Hospital de Mirandela, ao serviço da empresa Limpezas Felizes, estão hoje em greve, acompanhada de uma concentração de protesto junto à entrada principal do hospital, entre as 10h30 e as 12h00. A ação foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Atividades Diversas (STAD).

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Segundo Vivalda Silva, responsável nacional do setor da Limpeza Industrial do STAD, os principais motivos da contestação “estão relacionados com o não pagamento de valores e direitos que as trabalhadoras já usufruíam ao serviço da anterior empresa responsável pela limpeza hospitalar”. “Estamos a falar de uma passagem de pessoal de uma empresa para outra, onde havia direitos que as trabalhadoras tinham, como subsídios de alimentação superior e prémios, e que a empresa deixou de pagar”, afirmou.

Entre as situações denunciadas pelo sindicato está também o alegado não pagamento do trabalho prestado aos domingos. Segundo Vivalda Silva, o setor prevê um acréscimo de 16% sobre o salário pelo trabalho realizado nesses dias, valor que deverá refletir-se igualmente nos subsídios de férias e de Natal. “A empresa não pagou no subsídio de férias e vamos ver se vai pagar no subsídio de Natal”, referiu, apontando ainda a falta de majoração de férias para as trabalhadoras que não tiveram faltas, bem como descontos mensais nos salários que não são devidamente “explicados” às funcionárias. “Todos os meses há descontos no salário sem que as trabalhadoras saibam o porquê”, denunciou.

E, tratando-se de um setor em que “os salários são baixos”, Vivalda Silva disse ainda que qualquer redução “faz muita diferença”.

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A situação envolve cerca de dez trabalhadoras. Apesar de ser um “grupo reduzido”, a responsável do STAD considera que “são bastantes para depois, no final de cada mês, a empresa ficar com dinheiro, que ao final do ano é muito”.

Questionada sobre se os problemas se verificam noutros locais onde a Limpezas Felizes presta serviços, Vivalda Silva esclareceu que “a situação não é igual em todos os estabelecimentos”. Deu como exemplos o IPO de Coimbra e o Hospital de Santa Marta, em Lisboa, onde não têm recebido reclamações significativas. No entanto, apontou dificuldades noutros locais, nomeadamente “atrasos no pagamento dos salários”, que “chegam a ser efetuados apenas nos dias 2, 3, 4 ou 5 do mês seguinte”.

STAD acusa empresa de falta de diálogo

De acordo com Vivalda Silva, o Ministério do Trabalho já convocou a empresa para reuniões, mas o processo não terá permitido alcançar qualquer entendimento. “Não há, por parte da empresa, disponibilidade para reunir e ter um diálogo social que seja construtivo”, considerou.

Conforme disse ainda, o sindicato tentou igualmente reunir com a administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste, mas não terá sido recebido. Segundo a responsável, a administração justificou a posição com o facto de as trabalhadoras não pertencerem diretamente aos seus quadros.

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Ainda assim, o STAD espera que a concentração à porta do hospital permita chamar a atenção da entidade responsável pela unidade de saúde para o conflito laboral. “Vamos ver se despertamos também o cliente para esta situação e se nos recebe para, entre todos, resolver a situação”, explicou.

O STAD espera que as cerca de dez trabalhadoras adiram à paralisação. “Aquilo que nós sabemos é que, se não fizermos nada, não se resolve nada, de certeza”, referiu a responsável sindical, que disse ainda que, caso não seja encontrada uma solução, o sindicato poderá avançar com processos judiciais para garantir que as trabalhadoras recebam os valores que considera serem-lhes devidos.

Tentámos chegar à fala com a Limpezas Felizes, mas, até ao momento, não foi possível.

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