Entrevista

Tiago Rafael conquista título nacional de Sportbike aos 15 anos e sonha com as grandes pistas

Tiago Rafael venceu o Campeonato Nacional de Velocidade ao sagrar-se campeão de Sportbike, numa época marcada por nove vitórias consecutivas, pole positions e voltas mais rápidas. Aos 15 anos, o jovem piloto assume a ambição de chegar a campeonatos mais competitivos. Em entrevista ao Jornal Nordeste, Tiago e o pai, Carlos João, fazem o balanço da época e revelam as dificuldades financeiras, os sacrifícios familiares e a necessidade de encontrar patrocinadores para que o sonho possa continuar.

14 set. 2026, 16:00

Jornal Nordeste (JN) – Campeão a uma corrida de terminar o campeonato, nove vitórias consecutivas e a volta mais rápida da corrida.  O que é que representa esta última vitória Tiago?

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Tiago Rafael (TR) - Até agora está a ser uma época bastante positiva, os treinos têm surtido efeito nas corridas. E nota-se, estou à vontade com a mota. Até agora estou invicto, ainda não acabou o campeonato, mas já sou campeão o que significa muito para mim porque estou num nível alto e competitivo.  Mesmo com uma mota completamente stock a correr contra motos bastante preparadas, o treino compensa. E as sessões de treino todas que eu faço coma minha moto e com motos  mais fortes, ajuda-me em pista.

JN – Como é que é vencer o campeonato de SportBike. Era esse o objetivo para ti esta temporada?

TR - É bom ganhar o Campeonato Nacional, sinto-me orgulhoso de mim e da minha equipa também era aprender com a moto e ganhar experiência para, um dia mais tarde, conseguir entrar em campeonatos mais competitivos.

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JN - Nove vitorias consecutivas é também um dado significativo e a começar na P1 a luta é, na mesma, até ao fim?

TR – Este ano estou com ritmo bastante superior no nacional e tenho dominado por causa disso. Acabo as corridas com mais de 15 segundos de vantagem e isso dá-me bastante conforto e sinto bem comigo próprio para, caso para o ano, venha a integrar um campeonato mais competitivo ou até mesmo ir para o espanhol sentir-me competitivo e saber que posso lutar por pódios. Mesmo no campeonato do mundo, se souber que tenho lá lugar, vou fazer de tudo para ganhar. .

JN - Esta vitória aconteceu no Estoril, como é que é este circuito?

TR - Acho que é dos circuitos que eu mais voltas tenho, mas não é o meu circuito favorito nem de perto. É um circuito bastante técnico, com curvas bastante estranhas e apex muito diferentes do normal.

JN – O que é que ajudou para conseguires a vitória?

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TR – Ajudou e ajuda a equipa que tenho por trás, que são os meus mecânicos, as dicas do pessoal mais velho que me ajuda bastante e a preparação que tenho feito ao longo desta época.

JN - Vencer nas categorias mais jovens, dá-te uma motivação extra para continuares e conseguires alcançar os teus objetivos?

TR – Estamos cada vez mais perto de conseguir, mas tudo também fica, cada vez, mais caro e por isso precisamos de mais precisamos mais de patrocínios. Chega a um ponto onde isto é muito dispendioso. Ou seja, nós vamos ganhando as categorias de base, mas chegamos a um ponto em  que é preciso muito dinheiro para continuar. E nós estamos ali mais ou menos com um pé fora, um pé dentro. Onde já não sobe mais a partir de agora.

JN - Os desportos motorizados, dependem muito desses patrocínios. Vocês sentem que o que faz a diferença a partir de uma determinada categoria é isso? É o facto de precisarem que as equipas e grandes marcas apostem em vocês?

TR - Chega a um ponto onde eu já não posso fazer nada, já não me cabe a mim. Eu por mim continuava a correr até ao fim da minha vida, mas chegamos num nível onde, como se diz, a carteira não é elástica. É preciso chegar alguém, uma marca grande, uma marca de motos, e ajudar.

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JN – O que é a Sportbike, que diferenças existem com os restantes campeonato?

TR - A sport bike é uma categoria nova que criaram este ano. O que aconteceu foi que houve uma deliberação da Federação Internacional de Motociclismo,  para que as Supersport 300 acabem. E então evoluíram para estas Sportbikes, que estão entre uma Supersport 600 e uma Supersport 300. Em tempos é mais ou menos o equivalente a uma Moto4 ou uma Honda Talent.

Carlos João (CJ) - O que para nós é o ideal. Porque com o Tiago nunca procuramos resultados, mas sim a evolução dele como piloto e a formação dele. Para nós foi o passo ideal, porque encontramos ali um degrau a meio para que ele se possa preparar melhor para quando, eventualmente,  passarmos para uma SuperSport 600.

JN - Enquanto pais, como é que se vive o mesmo sonho que o filho fazendo este esforço financeiro?

CJ - Enquanto pai sinto que é uma obrigação minha e um dever meu continuar a dar ânimo e fazer com que o sonho dele se concretize. Enquanto eu puder, eu vou tentar concretizar o sonho dele. Ele tem vontade, ele trabalha como ninguém, trabalha sozinho. E enquanto isso acontecer eu vou estar sempre do lado dele. Acho que qualquer pai faria isso pelo filho. Agora, claro que fazemos muitos esforços, privamo-nos de muita coisa. Vida pessoal não temos praticamente. Nós é, trabalho, treinos, preparação para as corridas, corridas e voltar para casa e recomeçar.

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JN – É frustrante para vocês perceber que o Tiago já chegou a um nível que já não se avança por falta de talento mas sim por questões de patrocínios e de investimento externo?

CJ  - Frustrante é, mas a mim como pai só me dá mais força para continuar a lutar e procurar mais. O Tiago, este ano,  fez, até agora, uma época em que venceu na categoria mas também na geral. Portanto, ele fez, em todas as provas, pole position, volta rápida, e vencia a categoria e a geral. O que é que podemos fazer mais? Se calhar procurar um campeonato que seja adequado ao nível que ele já apresenta neste momento. Vamos ver, depende do que conseguirmos em termos de apoios.

JN – A longo prazo, torna-se cada vez mais difícil também pelo crescimento físico do Tiago, por ele ainda ser só um adolescente de 15 anos?

CJ - É que já nem é ao longo prazo, já é ao curto prazo. O Tiago começou nas Sportbikes completamente stock, versão Factory, mas está completamente stock. E ele já está num patamar onde as suspensões já não chegam. Já temos que trocar os cartuchos de suspensão, já vamos ter que trocar o amortecedor traseiro. E uns cartuchos de suspensão ultrapassam dos mil euros. A moto está a chegar ao limite de evolução neste momento. Então, sistematicamente é sempre investir. Quanto mais rápido vai, mais pneus gasta, mais dinheiro é preciso. Quanto maior é a moto e mais potência tem, mais gasta. E depois, para estar a este nível, é preciso treinar. Os treinos também gastam.

JN -  Tiago, em relação aos treinos ao teu dia à dia, como é que geres tudo isto sendo um jovem de 15 anos?

TR – Não é só andar em cima da moto, claro também é preciso muitas preparação fisica. Tenho uma nutricionista, agora nas férias como tenho a agenda um bocadinho mais livre vou ao ginásio, treinar. Faço fisioterapia, por exemplo, porque ser atleta não é só rosas. Nos tempos de escola, por exemplo,  é muito mais difícil. Este ano vou ter exames, mais as provas fora. Mais a nutricionista de coisar a comida ali certinha e ginásio é muito difícil.

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JN - E há sacríficos que tu tens de fazer, certo? Não te incomoda teres de viver uma vida diferente dos teus amigos?

TR - Eu, para ser sincero, não me importo. Eu gosto bastante deste estilo de vida, de treinar, e não sou pessoa de sair muito à noite.

JN - A uma corrida do fim deste campeonato de Sportbike, já es campeão. Qual é o próximo passo? O que tens planeado para o futuro?

TR - O próximo passo poderia ser o Campeonato Espanhol de Sportbike, onde é muito mais competitivo do que o português e há pilotos também do Mundial a correr lá. E se calhar um dia mais tarde também Mundial. Eu, por mim, continuava a subir de categoria, mas não é assim que funciona e estamos à espera de uma oportunidade. Eu gostava agora da minha classe estar a correr no Campeonato do Mundo. Sei que sou competitivo, sei que também não vou lá já a ganhar corridas, mas sei que se for apalpando o terreno e ganhando o ritmo, posso lutar pelos pontos no Campeonato do Mundo.

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