Sevenair tem 900 mil euros por receber do Estado e volta a reduzir voos na linha regional
A Sevenair tem cerca de 900 mil euros em dívida por parte do Governo, relativos aos serviços aéreos prestados na ligação Bragança–Portimão, e continua à espera de ser ressarcida pelo aumento dos custos com combustível. A partir de 26 de outubro e até 29 de março de 2027, a empresa volta a reduzir as ligações às quartas e quintas-feiras, realizando apenas o percurso entre Bragança e Cascais, enquanto aos domingos não há voos.
O Governo tem em dívida, para com a Sevenair, os serviços aéreos prestados na carreira aérea regional entre Bragança e Portimão. Segundo Sérgio Leal, diretor de operações da Sevenair, “o último trimestre do ano passado ainda está a ser verificado”. “Estamos a falar de uma quantia que ronda os 900 mil euros”, esclareceu.
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Entre essa dívida e os acertos de combustível, estão em causa “valores muito avultados”. “A Sevenair, que faz esta linha desde 2009, está mais ou menos acostumada a estes atrasos, mas isto torna a vida de uma empresa privada, uma empresa que não tem qualquer apoio público, muito difícil, assim como torna difícil a continuação da linha”, afirmou, destacando, ainda assim, que as “vicissitudes” desta ligação são, há muito tempo, conhecidas e, por isso, nada mais resta que “continuar” a operar.
Empresa volta a reduzir as ligações
A Sevenair, que faz, desde 2009, a ligação aérea Bragança – Vila Real – Viseu – Cascais – Portimão, reduziu novamente os horários das ligações. Desde segunda-feira, 26 de outubro, e até 29 de março de 2027, às quartas e quintas-feiras a Sevenair vai fazer apenas a ligação Bragança – Cascais. Aos domingos não há nenhuma ligação. Nos restantes dias a ligação é feita na sua plenitude.
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A empresa já tinha reduzido os horários e justificado essa mesma decisão no ano passado, esclarecendo que havia necessidade de reduzir custos e de os ajustar às verbas disponíveis. Em causa estava o aumento do preço dos combustíveis, assim como o aumento do preço de peças para os aviões”. “O contrato firmado com o Governo português para esta concessão previa, desde o início, esta situação. Portanto, em dois dias da semana, reduzir o número de setores”, explicou Sérgio Leal, acrescentando que “o próprio concurso, nomeadamente com o seu caderno de encargos e com o seu programa, já especificava que teria de haver uma redução”, que estaria relacionada com a “impossibilidade” de aumentar para valores que a empresa considera “justos”.
Quanto à indemnização compensatória que o Governo paga à Sevenair, segundo Sérgio Leal, em relação ao contrato anterior, “aumentou”, tendo em conta que “os custos aumentaram”. “No entanto, esse aumento não seria suficiente para manter o número de setores que tivemos, por exemplo, no contrato anterior. E o Estado, por saber isso, lançou um concurso já com uma redução prevista”, disse ainda, assegurando que a empresa tentou que esses voos fossem realizados nos dias em que se percebesse que havia menos impacto. “À quarta e à quinta-feira vimos que eram os dias que havia menos taxa de ocupação na aeronave e, portanto, propusemos assim”, referiu.
Questionado sobre a decisão do Governo, de não criar possibilidades para operar diariamente em todos os setores, sendo que Bragança não tem ligação ferroviária e conta com vários problemas nas ligações rodoviárias, Sérgio Leal preferiu não se estender nos comentários. “Obviamente que, para a região, quanto mais voos houver melhor, acredito que sim, mas é uma decisão inteiramente deles. Os municípios, se calhar, podem tentar articular junto do Governo para um próximo concurso. Claro que nós só concorreremos a este concurso, no futuro, se tivermos condições para tal. Nós somos um mero operador”, vincou, dizendo ainda que, “infelizmente, já neste concurso há algumas coisas que tornaram, de facto, a vida da Sevenair, enquanto operadora, muito mais difícil”. Ou seja, neste momento, a empresa está “a pagar aproximadamente o dobro” daquilo que tinha equacionado quando concorreu. “Embora haja uma cláusula contratual que protege o operador perante um aumento exponencial de combustível, a verdade é que, apresentada essa situação ao Governo, até ao momento, ainda não fomos ressarcidos”, esclareceu Sérgio Leal.
O resultado do concurso público foi conhecido no final de 2024, com a única concorrente, a Sevenair S.A, a ser escolhida. O contrato, assinado para quatro anos, entre o Governo e a Sevenair, foi de 13,5 milhões de euros, mais 3 milhões do que na concessão anterior.
Segundo Sérgio Leal, a taxa de ocupação “aumentou em relação ao ano passado”. “As subidas, numa linha como esta, nunca são exponenciais, mas existe uma subida gradual do número de passageiros. No período de verão, a taxa de ocupação chega perto dos 90%. No entanto, se formos olhar para o ano todo, estamos a falar em taxas de ocupação entre os 65 a 70%”, terminou.
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