Sendim foi palco da 12.ª edição do Festival Ibérico de Pauliteiros
Pelas terras de Miranda, Sendim recebeu o 12º Festival Ibérico de Pauliteiros. sete grupos, portugueses e espanhóis, subiram ao palco e animaram as ruas de Sendim com a dança tradicional.
A vila de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, recebeu a 12.ª edição do Festival Ibérico de Pauliteiros, um encontro que reuniu sete grupos de Portugal e Espanha com o objetivo de valorizar uma das tradições mais emblemáticas das Terras de Miranda.
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A iniciativa, organizada pela Casa dos Pauliteiros de Sendim, nasceu como um encontro entre grupos locais e foi crescendo até assumir uma dimensão ibérica, trazendo diferentes variantes das danças de paus existentes na Península Ibérica.
Telmo Ramos, da Casa dos Pauliteiros de Sendim, explicou que o festival tem como objtivo preservar uma tradição que, em algumas localidades, tem vindo a perder expressão. “Há muitos grupos de pauliteiros, o que acontece é que, nesta região de Miranda, caíram em desuso e terminaram por falta de gente nas aldeias, mas estão a recuperar”, afirmou.
Segundo o responsável, a presença de grupos de diferentes regiões de Espanha, como Catalunha, La Rioja e Castela e Leão, permite mostrar a diversidade existente dentro destas manifestações culturais. “Este evento tem mesmo esse objetivo que é não deixar morrer a tradição e trazer as várias vertentes que há dentro das danças de paus, de espadas ou de bastões”, explicou.
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Uma das mudanças integradas nos últimos anos passa pela participação de grupos femininos. Telmo Ramos defendeu que a tradição não deve ser vista apenas como algo ligado ao passado, mas também como uma manifestação cultural em evolução.
“As tradições não são só o passado, mas é também o nosso presente e aquilo que vamos levando para o futuro”, afirmou. O responsável destacou o crescimento dos grupos de pauliteiras nas Terras de Miranda, lembrando que em Sendim o grupo feminino celebra, este ano, 15 anos de existência.
Para Telmo Ramos, a participação das mulheres representa também uma evolução natural desta manifestação cultural. “É de salutar porque é igualdade. Elas são também umas guerreiras, gostam de vestir os fatos e dançar também com os paus”, referiu.
O Festival Ibérico de Pauliteiros assume ainda uma importância estratégica na valorização patrimonial desta tradição. Depois do reconhecimento como Património Cultural Imaterial Nacional, em 2025, a ambição passa agora por alcançar a classificação da UNESCO.
“Este evento é serve também para dar sinal às entidades para trabalharem esta bandeira que temos nas Terras de Miranda e levá-la ao mais alto patamar em termos de património”, afirmou.
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O responsável considera que a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade seria “a cereja no topo do bolo”, defendendo que iniciativas como o festival permitem manter viva uma tradição “com genuinidade, mas também virada para o futuro”.
Nesta edição participaram sete grupos, entre os quais representantes da Figueira da Foz, Sendim, Malhadas, Póvoa, Logroño, La Rioja e Segóvia.
O festival ficou ainda marcado por uma homenagem a duas figuras ligadas à história dos Pauliteiros de Sendim: Paulo Felgueiras e Belmiro Carção, antigos elementos que tiveram um papel relevante na preservação da tradição durante a década de 80.
Telmo Ramos destacou que a singularidade dos pauliteiros está na conjugação entre a dança, o traje e a componente performativa. “O mais particular destas danças, na minha opinião, é ver homens vestidos de saias. Essa é logo a primeira e acho que é o que nos diferencia de todos os ranchos folclóricos”, afirmou.
A dança dos pauliteiros distingue-se ainda pela rapidez dos movimentos, pelo cruzamento dos paus e pelas coreografias, características que, segundo o responsável, continuam a surpreender quem assiste pela primeira vez.
Com a presença crescente de jovens nos grupos, Telmo Ramos acredita que a tradição está a ganhar uma nova valorização junto das novas gerações. “Agora é uma vaidade e os nossos jovens, mesmo universitários, têm uma vaidade em dizer. Lá fora, ‘sou da terra dos pauliteiros, danço e falo mirandês”, destacou.
O Festival Ibérico de Pauliteiros terminou com mais uma edição do Pauliteiros Summer Fest, prolongando a celebração desta tradição das Terras de Miranda.
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