Raças autóctones de Trás-os-Montes estão em risco de extinção por falta de renovação dos criadores

É precisamente para discutir este futuro que Miranda do Douro recebe, no dia 5 de setembro, o 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones

Burro mirandês é uma subespécie asinina característica da região de Terra de Miranda Créditos: Cláudia Costa

04 set. 2026, 08:00

As raças autóctones de Trás-os-Montes enfrentam um problema que pode comprometer a sua sobrevivência. Faltam novos criadores. Os atuais estão cada vez mais envelhecidos e as gerações mais jovens mostram pouco interesse pela agricultura e pela criação de raças tradicionais. O alerta é deixado por Miguel Nóvoa, presidente da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA). “Todas as raças estão sinalizadas como em risco de extinção”, explicou o responsável, referindo-se às aos ovinos, bovinos, caprinos e asininos existentes na região. Entre os casos mais preocupantes está a ovelha Churra Badana, devido ao reduzido número de exemplares.

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Contudo, o problema vai além da dimensão dos efetivos. “A média de idade dos criadores é muito elevada” e, à medida que envelhecem, “as novas gerações tendem a ter alguma aversão à agricultura e um maior distanciamento das raças autóctonas”.

É precisamente para discutir este futuro que Miranda do Douro recebe, no dia 5 de setembro, o 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones. Organizado pela AEPGA e pelo município de Miranda do Douro, o encontro realiza-se no mini-auditório municipal e pretende colocar no centro do debate não apenas os animais, mas também as pessoas que garantem a continuidade destes sistemas. Para Miguel Nóvoa, é necessário tornar estas atividades mais atrativas para os mais jovens, recorrendo também às novas tecnologias e aos conceitos de sustentabilidade e resiliência. “Pretendemos reverter o afastamento das novas gerações”, esclareceu.

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Raças adaptadas ao território

A aposta nas raças autóctones pode ter “impactos” muito para além da produção pecuária. Conforme recordou o presidente da AEPGA, durante séculos, estes animais foram selecionados e adaptados às condições dos territórios onde são criados, desempenhando um papel na utilização dos recursos locais, na manutenção das pastagens, na conservação da biodiversidade e na gestão da paisagem. O pastoreio extensivo pode também contribuir para a redução da biomassa combustível e, dessa forma, para a prevenção dos incêndios rurais.

“Resiliência” e “sustentabilidade” são, por isso, palavras-chave para o futuro destas raças. A “menor dependência de alimentação externa”, a “utilização dos recursos disponíveis no território” e a “adaptação às alterações climáticas” são algumas das vantagens apontadas pelo presidente da AEPGA.

O encontro pretende precisamente demonstrar esse potencial e cruzar diferentes experiências, sendo que, este ano, o programa dá particular atenção ao papel dos burros na pastorícia e no pastoreio extensivo, à coexistência entre animais domésticos e espécies selvagens e a projetos que utilizam diferentes espécies, como ovelhas, cabras, vacas e burros, na gestão dos territórios.

Integrado nas comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, proclamado pelas Nações Unidas para 2026, o 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones contará ainda com projetos e intervenientes de França, permitindo conhecer outras experiências de criação, pastoreio e gestão da paisagem.

A iniciativa junta criadores, pastores, técnicos, investigadores, associações e outros agentes ligados à valorização das raças autóctones.

A participação no encontro é gratuita, mas requer inscrição obrigatória.

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