Produtores querem afirmar os vinhos de Trás-os-Montes e conquistar novos mercados
Na primeira Semana dos Sabores de Trás-os-Montes e Wine Experience, em Bragança, Ana Alves, da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes defendeu, uma maior presença dos vinhos regionais nos restaurantes.
O futuro dos vinhos de Trás-os-Montes constrói-se entre a vontade de preservar um legado familiar, a necessidade de conquistar novos consumidores e a ambição de afirmar uma identidade regional à mesa. Foi essa a mensagem que atravessou a primeira edição da Semana dos Sabores de Trás-os-Montes e Wine Experience, que decorreu em Bragança e juntou produtores de vinho, representantes do setor vitivinícola e agentes económicos em torno da valorização do que a região tem de melhor.
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Para Liliana Taveira, produtora do vinho Persistente, de Valpaços, continuar a atividade não é apenas uma decisão económica. “Quero dar continuidade porque isto é um legado de família e tem todo o mérito para não morrer aqui”, afirmou a produtora, cuja exploração, situada na encosta do Rabaçal, se prepara para completar 20 anos.
A história começou com o pai, mas é agora Liliana Taveira quem quer assegurar que o projeto continua a crescer e a chegar a novos consumidores. Uma vontade que persiste apesar das dificuldades que atravessam a agricultura e, em particular, o setor do vinho. “Mesmo assim vale a pena apostar. São produtos de excelência e temos qualidade única na região. Não se pode desistir. Não é porque o mercado está tenso que podemos baixar armas”, defendeu, dizendo que o fator económico é uma das principais preocupações. A abundância de oferta, conjugada com a diminuição do consumo, “torna mais difícil escoar a produção” e garantir a sustentabilidade do negócio.
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Carta de vinhos para dar protagonismo à região
Para Ana Alves, da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes, é fundamental aproximar os vinhos dos consumidores, através da restauração e da hotelaria. Quem visita Trás-os-Montes procura a gastronomia, os produtos locais e a autenticidade da região, mas nem sempre encontra uma oferta de vinhos que acompanhe essa experiência. “Os restaurantes são verdadeiros promotores e embaixadores do território”, afirmou. É precisamente para reforçar essa ligação que a Comissão Vitivinícola está a implementar uma carta de vinhos dedicada a Trás-os-Montes, “através de um processo gradual, concelho a concelho”, acompanhado por ações de formação dirigidas aos profissionais da restauração.
A iniciativa pretende “aumentar a presença dos vinhos regionais nas ementas” e “melhorar o conhecimento dos profissionais” sobre as castas, as características e as possibilidades de harmonização dos vinhos com a gastronomia.
A marca que enquadra esta estratégia é “Eu Provo Trás-os-Montes”, pensada para dar maior visibilidade aos vinhos da região e criar uma identidade facilmente reconhecível pelos consumidores.
A primeira edição da Wine Experience contribuiu para esse objetivo ao reunir 23 produtores e cerca de 150 vinhos em prova.
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Quebra do consumo e alterações climáticas entre os desafios
Apesar das oportunidades, Ana Alves não escondeu as dificuldades que o setor enfrenta.
Este ano, em algumas zonas da região, a vindima começou excecionalmente cedo, com produtores a iniciarem os trabalhos em julho. A maturação mais acelerada das uvas e os teores alcoólicos mais elevados são sinais de uma realidade que exige adaptação. Ainda assim, considerou que “a viticultura de altitude, característica de parte de Trás-os-Montes, pode representar uma vantagem perante as alterações climáticas”, mas alertou para a necessidade de uma “gestão mais consciente da água” e de medidas que permitam utilizar os recursos de forma sustentável.
A transição geracional é outro dos desafios. Ainda assim, “a região, felizmente, conta com jovens agricultores e viticultores que assumiram as explorações dos pais e dos avós e procuram dar-lhes continuidade”, introduzindo novas formas de valorizar os negócios familiares.
Criar uma identidade à volta dos sabores transmontanos
A primeira Semana dos Sabores de Trás-os-Montes e Wine Experience nasceu da vontade da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança (ACISB). A ideia, segundo Anabela Anjos, secretária da ACISB, foi “reunir diferentes setores em torno de uma ideia comum”, ou seja, “valorizar os produtos regionais e afirmar a identidade de Bragança e de Trás-os-Montes”.
“A grande ideia é movimentar os produtos que são da nossa região e, claro está, associar à nossa gastronomia um vinho da nossa terra”, afirmou ainda, dizendo que “a gastronomia pode ser uma das grandes portas de entrada para o território, mas a experiência ganha outra dimensão quando a comida é acompanhada pelos vinhos produzidos localmente”.
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