Produtores pedem controlo dos javalis e denunciam prejuízos nos soutos
Os ataques de javalis e de outros animais selvagens estão a destruir castanheiros jovens e a comprometer a produção na região. Em Vinhais, na Rural Castanea, os agricultores apoiaram o projeto-piloto do Governo que incentiva o abate de javalis, mas lamentaram a falta de apoios para reparar os estragos.
Os prejuízos provocados pelos javalis e por outros animais selvagens são uma preocupação crescente para os produtores de castanha de Vinhais. Entre castanhas comidas, terrenos revolvidos e castanheiros jovens com os troncos danificados, os agricultores dizem estar a perder produção e dinheiro, sem encontrarem respostas para compensar os estragos. “É todos os anos, todos os dias, toda a campanha”, afirmou Alice Fernandes, produtora de Nuzedo de Cima, quando questionada sobre a frequência dos ataques.
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A agricultora considerou essencial controlar a população de javalis e vê com bons olhos a medida anunciada pelo Governo, porque, os animais, “além de comerem as castanhas, destroem o castanheiro”, explicou, afirmando que, “as ajudas, aqui, nunca chegam”.
Também Irene Pires, da Gestosa de Lomba, que considerou que “a situação já ultrapassou os limites do aceitável”, sendo que os javalis “já entram dentro das localidades” e “já não se pode semear nada”, esclareceu que “todas as pessoas que plantam árvores novas já têm de lhes pôr rede ao redor do pé e, mesmo assim, não se livram deles”.
Para Irene Pires, o problema agrava as dificuldades de quem já enfrenta doenças nos castanheiros, perdas de produção e os efeitos do calor e da falta de água. Aos custos de manutenção dos soutos juntam-se agora os gastos com a proteção das árvores e “não há apoio nenhum”.
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Os prejuízos também são sentidos por Rui Gonçalves, produtor de Nunes. No seu caso, os veados contribuem para a destruição das árvores, descascando os troncos e danificando os exemplares mais jovens. Os javalis, por sua vez, “comem muitas castanhas e as que não comem, partem-nas e ficam lá”. Assim, considera que o incentivo ao abate de javalis é uma medida “positiva”.
Seis concelhos do distrito abrangidos
Vinhais é um dos seis concelhos do distrito de Bragança incluídos no projeto-piloto do Governo para incentivar o controlo da população de javalis. A medida abrange também Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Torre de Moncorvo.
Na inauguração da XXI Rural Castanea, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, explicou que o programa prevê apoios às associações de caça pelos abates que ultrapassem a média dos anos anteriores. O incentivo é de 50 euros por javali macho e de 70 euros por fêmea, até ao limite de financiamento previsto para cada associação.
Questionado sobre as críticas da Quercus, que defende a realização de estudos para avaliar a dimensão e a distribuição da população de javalis antes de avançar com medidas de controlo, José Manuel Fernandes rejeitou que seja necessário voltar a estudar o problema. “Os estudos estão feitos e, quando não se quer fazer nada, pede-se outro estudo”, afirmou, defendendo que os acidentes e os prejuízos registados no terreno “justificam uma intervenção”.
O programa pretende ainda valorizar a carne de caça e promover o seu consumo em Portugal. Nesse sentido, o governante destacou a redução da taxa de IVA para 6%, defendendo que a carne de caça pode também ter lugar na gastronomia nacional.
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