Primeiro Encontro de Jovens Agricultores debateu desafios e oportunidades do setor na região

A iniciativa reuniu produtores e representantes do setor para debater os principais constrangimentos à atividade agrícola e as oportunidades para atrair novas gerações, num concelho onde foram aprovados 69 projetos de jovens agricultores, num investimento de cerca de 17 milhões de euros.

26 out. 2026, 10:15

A burocracia, os custos de produção e o envelhecimento geracional são alguns dos obstáculos que continuam a marcar o setor agrícola. No primeiro Encontro de Jovens Agricultores, realizado na sexta-feira, na Casa da Cultura de Macedo de Cavaleiros, Diana Alves, jovem produtora de azeite, destacou as dificuldades sentidas por quem pretende iniciar a atividade, apontando a demora nos processos de candidatura e a diferença entre o preço pago ao produtor e o valor de venda ao consumidor como alguns dos principais entraves.

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“Inicialmente debatemo-nos com imensa burocracia. O processo para um projeto é muito complicado e a espera pela resposta é muito demorada”, afirmou a jovem agricultora, cujo projeto está centrado na produção de azeitona para azeite. Diana Alves considera ainda que os problemas do mercado afetam todo o setor, sobretudo quando os produtores não conseguem cobrir os custos de produção. “Existe uma discrepância muito grande entre aquilo que é pago ao produtor e aquilo que depois o consumidor final paga”, alertou. A agricultora defende, por isso, uma maior fiscalização do mercado e apoios adaptados à realidade de cada região, tendo em conta as diferenças entre os minifúndios do Nordeste e as grandes propriedades do Alentejo.

Firmino Cordeiro, diretor-geral da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), considera que a renovação geracional é uma das grandes necessidades do setor. Portugal tem uma idade média dos agricultores entre os 64 e os 65 anos, o que evidencia as dificuldades em atrair jovens para a atividade. Ainda assim, destaca os resultados alcançados em Macedo de Cavaleiros, onde foram aprovados 69 projetos de jovens agricultores, um dos números mais expressivos da região Norte.

O responsável sublinha que os rendimentos mais baixos, o risco associado à atividade empresarial e a falta de condições nos territórios rurais podem afastar os mais novos. “Um jovem que tem um curso superior e tem uma possibilidade de emigrar, de sair, que lhe acenam com um emprego melhor, com outras condições, provavelmente pensa duas vezes”, afirmou. Firmino Cordeiro destacou ainda o anúncio feito pelo Ministro da Agricultura de da abertura de novo apoios, prevista para o final de 2026 ou início de 2027, que poderá permitir a instalação de mais de 200 jovens agricultores a nível nacional.

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A Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros também pretende reforçar o apoio ao setor. Sérgio Borges, presidente do município, destacou que os 69 projetos aprovados representam um investimento de cerca de 17 milhões de euros no território. Entre as medidas previstas pela autarquia para o setor estão os apoios às culturas permanentes, à pecuária e à apicultura, além dos 40 mil euros destinados à sanidade animal. O município conta ainda com um gabinete de apoio ao agricultor e ao jovem agricultor, que acompanha candidaturas e presta apoio jurídico e burocrático.

O primeiro Encontro de Jovens Agricultores reuniu representantes do setor, entidades públicas e produtores, para fomentar o debate sobre os desafios e características do setor agrícola num território onde a atividade continua a ter um peso determinante na economia local.

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