Pedro Chagas Freitas visitou o Centro Social Paroquial de Izeda

O escritor esteve na instituição a conviver com os utentes, ouviu as suas histórias e procurou conhecer de perto a realidade vivida no lar.

06 ago. 2026, 09:52

O Centro Social Paroquial de Izeda, no concelho de Bragança, recebeu a visita de Pedro Chagas Freitas.

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Longe dos auditórios, de feiras de livros e dos lançamentos que habitualmente marcam a sua agenda, o autor percorreu os corredores da instituição num ambiente de grande proximidade. O objetivo foi conhecer aquilo que tantas vezes permanece invisível.

“Foi tentar perceber, por um lado, o que é que estar aqui, viver aqui, o que é que é único, o que é que é humano, o que é que no limite faz a diferença. E nós às vezes só olhamos para as coisas grandes, para as coisas que estão no centro dos holofotes. E a minha visão aqui é precisamente a contrária, tentar ver o que às vezes não está à vista. O que às vezes não está à vista é o que é, o que me interessa também colocar o holofote sobre isso, sobre o que não estava visto, e gostei muito do que vi”, disse.

O escritor sentou-se ao lado dos idosos, conversou sem pressa e escutou relatos de vida que dificilmente cabem nas páginas de qualquer livro.

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“São pessoas que têm muito para contar, são pessoas que viveram muito, são pessoas que me podem ensinar muito, que espero que se coloquem também no papel de perguntadoras. É o que eu tento sempre dizer, não é por eu ser mais velho que não faço perguntas. Eu tento fazer perguntas, eu estou sempre a perguntar aos mais novos coisas, eu quero saber também. E julgo que este espaço é um espaço humano mais do que um espaço físico. Não interessam muito as paredes, interessa o que é que as pessoas fazem com o espaço que têm. E eu julgo que as pessoas têm de ter essa humildade. Eu estou aqui no lado também de humildade, no sentido de perceber O que é que eu posso fazer? O que é que no limite a minha presença pode trazer a alguém? E isso é o máximo que eu posso fazer, é estar. É o jogo que nós às vezes desprezamos, o estar. Achamos que o estar não é importante. O mais importante é estar, o mais importante é dizer, eu estou aqui”, referiu.

Durante a visita, o escritor reuniu igualmente com a Direção do centro, procurando compreender as dinâmicas da instituição, os desafios diários e a forma como é prestado o acompanhamento aos residentes.

“Senti que há um cuidado, que há uma capacidade de olhar para o outro, para a individualidade do outro. E julgo que nós temos essa obrigação também, de respeitar a individualidade do outro, tentar perceber o que é que o outro é, o que é que o outro precisa. E eu senti aqui que é possível nós termos esse cuidado também num espaço como este”, conclui.

Pedro Chagas Freitas é autor de várias obras e já vendeu mais de um milhão e meio de livros em todo o mundo.

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