PCP diz que vai levar preocupações de Trás-os-Montes sobre energia ao Parlamento Europeu
O eurodeputado do PCP considera que os projetos de produção de energia renovável devem ser avaliados também em função dos impactos nas populações e do contributo para o desenvolvimento regional. Depois de ouvir autarcas e movimentos em Trás-os-Montes, João Oliveira garante que as preocupações recolhidas serão levantadas no Parlamento Europeu.
O eurodeputado do PCP, João Oliveira, esteve quarta-feira na região para ouvir as preocupações das pessoas relacionadas com a produção de energia, exploração de recursos e desenvolvimento regional. A visita passou por Miranda do Douro e Mogadouro onde o comunista conversou com responsáveis autárquicos e com a Plataforma Nordeste Vivo, garantindo que os contributos recolhidos serão levados ao Parlamento Europeu.
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Em Miranda do Douro, João Oliveira reuniu-se com o vice-presidente da Câmara Municipal, Nuno Rodrigues. Depois, foi a Picote, reuniu com o presidente da Junta de Freguesia, tendo visitado também a barragem de Picote. Em Mogadouro, o eurodeputado visitou as zonas envolvidas por megaprojetos e depois reuniu com a Plataforma Nordeste Vivo.
A produção de energia a partir de fontes renováveis foi um dos temas principais, especialmente os impactos da instalação de parques eólicos e outras infraestruturas no território.
“É bom que haja produção de energia a partir de fontes renováveis, mas é preciso que ela seja configurada de forma equilibrada, não apenas com o território onde é instalada, mas com os interesses das populações”, disse à Rádio Brigantia João Oliveira.
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O eurodeputado defende que as decisões sobre energia devem ser tomada tendo em conta os impactos na região.
“É preciso que ela seja instalada de forma a poder contribuir para o desenvolvimento da região, para a satisfação das necessidades das populações”, sublinhou.
Depois da reunião em Miranda do Douro, João Oliveira garantiu que todos as preocupações recolhidas aparecerão na intervenção do PCP no Parlamento Europeu.
“Estes elementos que nós levamos daqui permitem trazer a discussão à realidade”, disse, lembrando que os debates europeus sobre produção de energia e grandes projetos não podem ser feitos de forma “abstrata e distante do território e das populações”.
O eurodeputado acredita que a participação das populações deve ser um critério central nas decisões sobre política energética.
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“É absolutamente essencial que as populações e os seus interesses sejam considerados e sejam colocados na primeira linha das prioridades das decisões políticas que são tomadas”, defendeu.
PCP admite levar questão das minas da A Gudiña à Europa
João Oliveira também foi questionado sobre o projeto mineiro da A Gudiña, perto da fronteira com Espanha, e sobre possíveis impactos ambientais nos rios, na fauna e flora da região.
O eurodeputado acha que a responsabilidade pelo licenciamento da atividade industrial e extrativa cabe às entidades nacionais, especialmente ao Governo. No entanto, admite uma intervenção europeia se houver um enquadramento para levar as preocupações das populações ao Parlamento Europeu.
“Quando houver enquadramento da União Europeia e espaço no Parlamento Europeu para levar as reivindicações das populações, de exigência de defesa dos seus direitos, nós daremos voz a essas reivindicações”, disse.
João Oliveira também defende que a exploração dos recursos naturais deve ajudar o desenvolvimento nacional e regional e que as populações devem ter espaço de participação nos processos de decisão.
“É essencial que as populações tenham espaço de participação e intervenção nesses processos”, frisou.
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