Pastores protestam contra falta de indemnizações por ataques de lobo

Cerca de 50 pastores do Planalto Mirandês manifestaram-se ontem no Naso, em Miranda do Douro, sobre o atraso de pagamentos do Governo, devido aos ataques de lobos que têm acontecido nos últimos anos no território.

07 set. 2026, 09:55

Pastores e produtores pecuários deslocaram-se de vários concelhos, nomeadamente de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro. Para a manifestação vestiram ‘t-shirts’ pretas estampadas com frases como “Lobos protegidos, produtores falidos” ou “Vamos salvar o planalto”. Todos queixam-se do mesmo: a falta de pagamento.

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“O Governo não paga no devido tempo e aquilo que é pago não cobre os prejuízos”, disse José Pinto.

Também Manuel Rodrigues contou que a sua exploração sofreu dois ataques. “Fiquei sem dois vitelos e até agora ninguém pagou nada. Reportei o ataque, mas até agora não recebi nada. A única coisa que recebi foi uma carta a dizer que não tinha direito à indemnização porque tinha menos de um mês”, contou.

Alcino Antão partilhou outro caso. “Há um ano mataram-me 10 ovelhas e deixaram-me outras tantas feridas. Morreram-se depois dois, logo a seguir. Gastei uma média de 500 euros de medicamentos, não recebi nada. As duas que morreram depois a seguir também não recebi nada. Mandei um e-mail para o ICNF e outro para o IFAP, não tive resposta, até à data”, lamentou.

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Já o criador Viriato Domingues partilhou que se sente “triste e roubado”, porque há há mais de um ano, o lobo atacou 17 ovelhas e quatro cordeiros. “Isso já fez um ano dia 17 de junho. Ainda não recebi nada. Ainda ninguém me pagou nada”, reforçou.

O vice-presidente da Câmara de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, também é produtor pecuário e esteve junto dos manifestantes. Defendeu que o “Programa Alcateia” terá de ser revisto. “O agricultor não têm capacidade financeira para colocar vedações outra vez por cima das que têm, com mais custos. E o Governo tem que pensar nisso e as instituições têm que saber que estes programas só podem ser cumpridos se houver apoios, senão é impossível. Nenhum agricultor tem disponibilidade de 10 ou 20 mil euros para fazer uma vedação com as características necessárias para proteger a entrada do lobo”, rematou.

A União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo também marcou presença. O porta-voz, Orlando Gonçalves, reforça que um pouco por toda a região norte há ataques frequentes de lobos.

“Tenho uma exploração no Minho e foi brindado no dia 14 para 15 de janeiro com um ataque de lobo dentro de uma propriedade que tinha um muro com sete metros de altura e chacinou todos os animais que estavam lá dentro. Três estavam mortos, dois desapareceram e outro dois morreram no dia seguinte”, recordou.

Segundo o ICNF, o lobo-ibérico é protegido em Portugal desde 1988. O facto de ser um animal em perigo confere-lhe o Estatuto de Espécie Protegida.

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