A Praça da Sé, em Bragança, recebeu no sábado, 10 de outubro, mais uma edição do Pão Solidário, uma iniciativa que alia a solidariedade à sensibilização para o cancro da mama. A ação reverteu a favor da Delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro e contou com a colaboração da Padaria de Gimonde, da Moagem do Loreto e de voluntários.
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A iniciativa, que se realiza há cerca de dez anos, voltou a disponibilizar mil pães solidários, oferecidos pela Padaria de Gimonde, com a farinha cedida pela Moagem do Loreto. Cada pão foi vendido por 1,50 euros, com a organização a apontar para uma angariação mínima de 1500 euros.
“Estamos a contar ter, no mínimo, 1500 euros, mas as pessoas são tão generosas que algumas estão a dar mais do que aquilo que é o valor do pão. Outras até dão e não levam o pão”, explicou Anabela Anjos, da Delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que destacou a boa adesão à iniciativa.
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Além da angariação de fundos, a ação pretendeu chamar a atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do cancro da mama, no âmbito do Outubro Rosa. Anabela Anjos lembrou que a doença não afeta apenas as mulheres, podendo também atingir os homens.
Este ano, a iniciativa apostou num pão de trigo barbela, com grãos de trigo-sarraceno biológicos, azeite, grãos germinados e mel. A escolha pretendeu valorizar uma variedade de trigo tradicional da região e incentivar o reconhecimento dos produtores locais.
Elisabete Ferreira, padeira da Padaria de Gimonde, sublinhou que o objetivo vai muito além da venda do pão. “O importante aqui não é a doação do pão, é que as pessoas se associem à causa”, afirmou, defendendo que mais padarias deviam juntar-se à iniciativa.
A responsável explicou ainda que a confeção deste pão envolve um trabalho exigente e vários ingredientes, considerando que a ação é uma forma de contribuir para uma causa que diz respeito a toda a comunidade.
“Isto é uma causa de todos, não é uma causa particularmente de ninguém”, salientou, apelando a uma maior participação dos brigantinos em iniciativas solidárias.
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Entre as pessoas que se associaram à iniciativa esteve Anabela Alves, doente oncológica que continua em tratamentos após lhe ter sido diagnosticado cancro da mama, em junho do ano passado. Depois de uma cirurgia, em novembro, e de tratamentos de quimioterapia entre janeiro e maio, encontra-se atualmente a realizar radioterapia.
A experiência pessoal reforçou a importância que atribui à prevenção e à atenção aos sinais do corpo. “No meu caso, fui eu que detetei no banho, com a palpação”, contou, defendendo que “é fundamental estar atento a qualquer alteração”.
Apesar do percurso de tratamento, Anabela Alves transmitiu uma mensagem de esperança e determinação. “Temos de ter muita força, nunca desistir”, afirmou, considerando também importante a realização de mais eventos de sensibilização ao longo do ano, para além das ações promovidas durante o Outubro Rosa.
Manuel Neves foi outro dos participantes que fez questão de comprar pão para apoiar a causa. “É preciso ajudar esta instituição, que é uma grande instituição para a investigação e para ajudar as pessoas que necessitam”, afirmou.
O participante revelou ainda que a doença oncológica o sensibiliza particularmente, uma vez que acompanhou uma irmã que foi submetida a uma amputação devido a cancro da mama e que, felizmente, teve uma evolução favorável.
Para Manuel Neves, estas iniciativas “são importantes e deviam ser realizadas e divulgadas com maior frequência”, frisou.
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