Obras de reabilitação na Concatedral na reta final
Intervenção promovida pelo Património Cultural, I.P. foi financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência e incluiu a recuperação do edifício e do património religioso
Estão concluídas as obras de reabilitação e requalificação da Concatedral de Miranda do Douro, uma intervenção promovida pelo Património Cultural, I.P., e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num investimento de 1,25 milhões de euros.
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A intervenção contemplou a reabilitação e requalificação do edifício, a instalação de infraestruturas, a conservação e o restauro de património religioso integrado, bem como a harmonização e requalificação do sistema de coberturas. "Sendo o monumento mais emblemático da cidade, é a sede da diocese, a história nunca vai apagar esse capítulo da história de Miranda, é com muita satisfação que vemos estas obras e que assistimos e que fomos assistindo a estas obras de requalificação. Começarmos a ver a possibilidade da visitação às torres com todos os níveis de segurança, a própria cobertura, que foi também objeto de intervenção, que vai ter muito impacto impacto, porque vai deixar de chover naqueles sítios onde chovia até então e minimizar o impacto de todas as infiltrações, a nós, mirandeses, enche-nos de orgulho", esclareceu a presidente da câmara de Miranda do Douro.
Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a Concatedral de Miranda do Douro é considerada um dos mais relevantes testemunhos do património histórico e religioso de Trás-os-Montes.
A antiga Sé começou a ser construída depois de Miranda do Douro ter sido elevada à categoria de cidade e sede de diocese, em 1545. O projeto da Catedral surgiu em 1549 e as obras arrancaram em 1552, sob a direção dos arquitetos Gonçalo de Torralva e Miguel de Arruda.
O edifício insere-se na tipologia das Sés mandadas construir durante o reinado de D. João III. Apresenta uma fachada harmoniosa, com um corpo central ladeado por duas torres, enquanto o interior é composto por três naves abobadadas, de características góticas, com cruzaria de ogivas e nervuras visíveis.
Entre os elementos de maior valor artístico encontra-se o retábulo-mor, uma obra seiscentista concluída em 1614 e atribuída à oficina de Gregório Fernández, mestre galego radicado em Valladolid. Destacam-se ainda o retábulo de Nosso Senhor da Piedade, em talha barroca, e o órgão do século XVIII, também profusamente decorado com talha dourada.
A história da Concatedral está ligada à própria evolução de Miranda do Douro e à sua posição estratégica junto à fronteira. A cidade foi ocupada por forças espanholas em diferentes períodos, nomeadamente em 1710 e 1762, num contexto que contribuiu para o progressivo afastamento da sede episcopal.
A transferência do bispo para Bragança, cidade considerada menos exposta às ameaças externas, acabaria por acelerar o declínio de Miranda do Douro enquanto sede episcopal. Em 1780, o bispado instalou-se definitivamente em Bragança, passando a diocese a assumir a designação de Bragança e Miranda.
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