Novo Centro Tecnológico de Ciências Informáticas inaugurado em Macedo de Cavaleiros com investimento de um milhão de euros

A instituição quer agora recuperar a ambição de voltar a acolher ensino superior em Macedo de Cavaleiros.

02 nov. 2026, 10:01

Foi inaugurado, a 30 de outubro, o Centro Tecnológico Especializado (CTE) – Área das Ciências Informáticas da Escola Profissional Jean Piaget, em Macedo de Cavaleiros. O novo espaço representa um investimento global de cerca de um milhão de euros, dos quais aproximadamente 800 mil euros foram destinados à aquisição de equipamentos, num projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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O centro dispõe de quatro salas de informática, equipadas com computadores de última geração, e quatro laboratórios dedicados a áreas como robótica, redes, sistemas de informação geográfica e realidade virtual e aumentada. O objetivo é proporcionar aos alunos uma formação mais próxima das exigências do mercado de trabalho e, simultaneamente, criar condições para o prosseguimento de estudos no ensino superior

Para Armando Queijo, presidente da Escola Profissional Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros, a inauguração acontece num momento em que as competências digitais assumem um papel central na sociedade. “Estamos na era das novas tecnologias. Estamos perante a inauguração de um centro tecnológico exatamente na área das ciências informáticas, que não é o futuro, já é o presente.”

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O responsável considera que a aposta nas ciências informáticas permitirá reforçar a ligação da escola às empresas, instituições e associações da região, preparando os alunos para uma integração mais direta no mercado de trabalho. “Acreditamos que esse é o caminho que devemos seguir, que é essa a formação que devemos dar aos nossos alunos e prepará-los para a vida numa integração mais direta e mais colaborante com as empresas, com as instituições, com as associações”, afirmou.

Segundo Armando Queijo, o novo centro já está em funcionamento e começou a ser utilizado pelos alunos cerca de duas semanas antes da inauguração. “Os alunos, quando terminam o seu percurso secundário, têm duas hipóteses, ou prosseguem os seus estudos a nível do ensino superior dentro destas áreas ou entram diretamente na vida profissional”, explicou.

Maria José Fernandes, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte) para a área da Educação, destacou a importância do investimento e da articulação entre a escola, os municípios e a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM). “É importante, esta articulação que há entre as escolas, entre o município. Isto é muito importante”, afirmou.

O presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, considerou que o novo centro representa uma mais-valia não apenas para o concelho, mas para toda a região. “Tem um impacto enorme e, acima de tudo, temos a ambição não só de poder ainda replicar e dobrar este centro tecnológico.”

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O autarca defendeu também a importância do ensino profissional para responder às necessidades atuais das empresas e dos jovens, sobretudo em áreas como a informática e a mecatrónica. “Precisamos cada vez mais de profissionais nessa área”, afirmou, considerando o ensino profissional uma via mais célere para a entrada dos jovens no mercado de trabalho.

 Município quer duplicar o centro e recuperar ensino superior

Durante a inauguração, o município garantiu que mantém a intenção de recuperar o ensino superior em Macedo de Cavaleiros.

“A decisão, se fosse minha, era já amanhã”, afirmou Sérgio Borges quando questionado sobre o regresso do ensino superior ao concelho, ressalvando, contudo, que será necessário articular a decisão com o Governo, as instituições de ensino e as restantes entidades envolvidas.

A possibilidade de voltar a existir ensino superior em Macedo de Cavaleiros é também uma ambição assumida por Armando Queijo. O presidente da Escola Profissional Jean Piaget recordou que esteve na origem do ensino superior no concelho e que, em 2010, a instituição tinha cerca de 2.000 alunos nessa vertente.

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Apesar da saída do ensino superior do concelho, considera que existem atualmente condições para recuperar essa oferta. “Instalações temos, equipamentos temos. Falta naturalmente pensar as melhores áreas que deveremos ter aqui, falta também um bocado de vontade política.”

A aposta poderá passar, segundo o responsável, por áreas que respondam às necessidades do território. A saúde é apontada como uma das possíveis valências para uma futura oferta de ensino superior.

O novo centro tecnológico procurou também estabelecer uma ligação à identidade cultural do território. A escola desenvolveu, em parceria com os Caretos de Podence, uma mascote associada à instituição e ao centro tecnológico, aproveitando a notoriedade da tradição dos Caretos e adaptando-a ao universo tecnológico.

Atualmente, a escola conta com cerca de 120 alunos, provenientes de vários concelhos da região transmontana, mas também de países como Angola, São Tomé e Príncipe, Brasil e Guiné. A capacidade máxima prevista para a instituição é de 240 estudantes.

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Turmas partilhadas: um projeto de 500 mil euros por ano

Desde 2021, a CIM-TTM tem um projeto-piloto que procura permitir aos alunos permanecerem nos seus concelhos de origem, deslocando-se para outros municípios apenas quando a formação exige equipamentos ou recursos especializados. O modelo é apontado como uma solução para combater a dispersão territorial da oferta formativa.

Este projeto das turmas partilhadas representa, atualmente, um investimento de cerca de 500 mil euros anuais para a CIM-TTM, sobretudo associado ao transporte dos estudantes. Pedro Lima reconheceu que o esforço financeiro é significativo, mas considera-o um investimento estratégico para o território.

“É um encargo que representa um investimento, sem dúvida, e que nós fazemos e vamos continuar a fazê-lo. Mas é um pouco avultado para a comunidade intermunicipal”, disse.

O responsável da CIM-TTM considerou ainda que a experiência desenvolvida em Trás-os-Montes poderá servir de exemplo para outras regiões. “As turmas partilhadas vão ser implementadas, segundo disse a senhora vice-presidente, noutros territórios. Ou seja, é Trás-os-Montes a dar o exemplo.”

A vice-presidente da CCDR-Norte, para a Educação, considerou particularmente relevante o modelo das chamadas turmas partilhadas. Para Maria José Fernandes, este modelo permite aproveitar equipamentos especializados sem obrigar os alunos a abandonar os territórios onde residem. “O aluno pode ter as práticas neste centro tecnológico, mas as teóricas na terra dele. Escusa de sair de lá, vem aqui, no fundo, só para as partes mais práticas, onde estão os equipamentos que tem aqui. Isto faz a diferença.”

Maria José Fernandes defendeu ainda que o modelo poderá ser replicado noutros territórios, embora tenha reconhecido a necessidade de encontrar soluções para assegurar o financiamento dos transportes dos estudantes.

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