Museu do Abade de Baçal apresenta obra de José Malhoa

Pintura “Os Bêbados”, de 1912, passa a integrar a coleção do museu de Bragança. O diretor do espaço, Jorge da Costa, destaca a importância da aquisição para valorizar o núcleo de pintura naturalista e atrair novos públicos.

Pintura “Os Bêbados”, de 1912, passa a integrar a coleção do museu de Bragança

27 out. 2026, 08:20

O Museu do Abade de Baçal, em Bragança, apresentou, sábado, ao público a pintura Os Bêbados, de José Malhoa, uma das figuras maiores do naturalismo português. A obra foi adquirida pelo Estado português, por 400 mil euros, para integrar a coleção permanente do museu.

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A pintura a óleo sobre tela, com dois metros de largura e 1,5 metros de altura, retrata cenas populares associadas às celebrações de São Martinho e constitui “um importante reforço” do núcleo de pintura naturalista da instituição. Na apresentação, o diretor do Museu do Abade de Baçal, Jorge da Costa, sublinhou a relevância da aquisição para o enriquecimento do acervo. “É, provavelmente, a obra mais cara até hoje adquirida para o museu, mas não é a mais valiosa”, afirmou o responsável, explicando que a aquisição foi concretizada em maio, através da Comissão de Aquisições de Museus e Monumentos, no âmbito da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.

Segundo Jorge da Costa, a pintura “encaixa na perfeição” na coleção existente, que há bastante tempo não recebia novas obras. “Foi esta a oportunidade de valorizar a coleção”, destacou.

A decisão de trazer a obra para Bragança foi unânime, no âmbito da comissão de aquisições, da qual o diretor faz parte. Para o responsável, a chegada de uma pintura de reconhecida importância nacional representa também uma oportunidade para reforçar a visibilidade do museu e da cidade. “Bragança merece e o Museu do Abade de Baçal merece muito”, salientou, lembrando que “há vários anos não era adquirida uma peça” para a coleção da instituição.

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Uma obra para atrair novos públicos

A expectativa é que a presença de Os Bêbados contribua para aumentar o número de visitantes. Jorge da Costa revelou que, desde o anúncio da aquisição, já houve pessoas a deslocarem-se propositadamente ao museu para ver a pintura. “Quando valorizamos as coleções do museu é precisamente também para atrair mais público”, explicou o diretor.

A coleção do museu passa também a dar maior destaque a José Malhoa, uma vez que, “além da nova aquisição, foi identificado nas reservas um pequeno desenho a carvão do artista”, que se junta a uma obra que já fazia parte do acervo. A apresentação da pintura integra um conjunto mais alargado de novidades no Museu do Abade de Baçal. Entre elas estão novas incorporações, incluindo uma coleção de 13 livros da autoria do Padre António Vieira, Os Sermões, doada por uma colecionadora, além de outras peças provenientes de diferentes museus.

Museu aposta na renovação e na diversidade de públicos

Jorge da Costa destacou ainda o crescimento do número de visitantes, que atribuiu à renovação do museu e à realização de iniciativas dirigidas a diferentes públicos. Entre as intervenções recentes está a requalificação do jardim, cuja reabertura ao público coincidiu com a apresentação da pintura, após obras realizadas durante o verão com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O museu tem também desenvolvido “projetos dirigidos a crianças e jovens”, bem como iniciativas “destinadas a tornar a instituição mais inclusiva”. Entre estas encontra-se o projeto de Prescrição Cultural, que “pretende utilizar a arte como ferramenta terapêutica”, envolvendo entidades como centros de saúde e hospitais.

Jorge da Costa recordou, por fim, que o Museu do Abade de Baçal, por integrar a rede da Museus e Monumentos de Portugal, tem entrada gratuita todos os dias.

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