Museu da Terra de Miranda reabre após quatro anos

Espaço foi alvo de uma requalificação, o investimento foi de de 2,5 milhões de euros.

12 out. 2026, 07:00

O Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, reabriu ao público a 10 de outubro, após quatro anos encerrado para obras de requalificação e ampliação. Com um investimento global de cerca de 2,5 milhões de euros, a intervenção marca uma nova etapa na história do espaço, que passa a apresentar uma abordagem renovada ao património material e imaterial do território.

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A renovação permitiu melhorar as infraestruturas, ampliar as áreas expositivas e modernizar os equipamentos, criando condições para uma experiência museológica mais interativa e próxima da comunidade. O processo prolongou-se devido à complexidade das obras, à mudança de tutela e à articulação dos apoios financeiros, incluindo verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo Celina Pinto, diretora do museu, o objetivo foi "transformar profundamente" não só o edifício, mas também a forma como a história e a identidade da Terra de Miranda são apresentadas aos visitantes.

“Foram precisos quatro anos para finalizar a obra estrutural”, explicou, destacando a ampliação do espaço e a criação de um novo discurso expositivo, que cruza a etnografia com a contemporaneidade.

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Mirandês assume protagonismo

Uma das principais novidades é a importância atribuída à língua mirandesa, que passa a ocupar um lugar central na experiência dos visitantes. O museu apresenta conteúdos em português e mirandês, afirmando-se como o primeiro espaço museológico de Portugal onde as duas línguas convivem desta forma.

A aposta pretende valorizar uma das principais marcas da identidade local e aproximar o público das histórias, dos saberes e das tradições que continuam a definir a região.

“A língua aparece aqui como protagonista”, sublinhou Celina Pinto, explicando que o novo percurso expositivo dá também destaque à geografia, à história e às pessoas que dão significado ao património.

A gastronomia, a cutelaria, a tanoaria, as tradições religiosas e populares e o trabalho das pauliteiras.

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Visita com experiências interativas

O renovado museu aposta igualmente nas novas tecnologias e na participação dos visitantes, com recursos audiovisuais e experiências que convidam a ouvir, tocar e experimentar.

Entre as propostas disponíveis, é possível sentar-se num escano e fazer uma leitura em mirandês, experimentar atividades relacionadas com o trabalho do tear ou aprender danças tradicionais através de um ecrã interativo.

“Os museus têm que ser atuais, vivos e dinâmicos”, defendeu Celina Pinto, explicando que a nova museografia foi pensada também para os públicos mais jovens.

Depois de quatro anos de encerramento, a direção espera que a renovação contribua para um aumento significativo do número de visitantes. Ainda assim, Celina Pinto considera prematuro avançar uma estimativa concreta para o primeiro ano de funcionamento.

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A responsável reconhece que a dinâmica turística e social se alterou durante o período em que o museu esteve fechado, pelo que será necessário avaliar a procura perante a nova oferta.

A expetativa é, contudo, positiva, também pelo entusiasmo demonstrado pela comunidade local.

Com um percurso expositivo renovado, uma forte aposta na língua mirandesa e experiências que colocam os visitantes no centro da descoberta, o Museu da Terra de Miranda procura afirmar-se como um espaço vivo de preservação e valorização do património, aproximando a história das tradições da realidade contemporânea do território.

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