O Município de Mirandela está a ultimar o projeto de requalificação do Mercado Municipal e da sua zona envolvente, numa intervenção estimada em cerca de quatro milhões de euros e que deverá avançar para concurso durante 2027. A empreitada deverá prolongar-se entre 12 e 18 meses e pretende modernizar o equipamento sem alterar a sua identidade.
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O projeto encontra-se em fase de conclusão, estando o município a ultimar os cálculos relativos ao preço base e ao valor estimado da obra. Segundo o vice-presidente da Câmara de Mirandela, Orlando Pires, a intervenção deverá contar com financiamento comunitário na ordem dos 40%. “É um projeto exigente, é um projeto de responsabilidade porque é um investimento grande”, afirmou o autarca, sublinhando que o objetivo passa por melhorar as condições do mercado sem comprometer a atividade dos comerciantes.
O Mercado Municipal é considerado pelo município um equipamento estratégico para a promoção dos produtos locais e para a dinâmica comercial da cidade. A atual estrutura foi alvo de uma intervenção na década de 1990, mas apresenta atualmente problemas relacionados com eficiência energética, conforto e condições de utilização. “O mercado teve uma grande intervenção nos anos 90. Entretanto, agora já apresenta muitas patologias ao nível da eficiência energética, ao nível do conforto para os feirantes e para quem visita e faz compras no mercado municipal”, explicou Orlando Pires.
A primeira fase da intervenção deverá concentrar-se no próprio edifício e no espaço imediatamente envolvente. Está prevista a reabilitação do parque de estacionamento, a melhoria das bancas utilizadas pelos vendedores sazonais e a instalação de pontos de água e de condições de salubridade.
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Serão também substituídas caixilharias das lojas, tanto na zona do rés-do-chão como no primeiro piso, com o objetivo de melhorar o desempenho energético. Na cobertura, o fibrocimento existente será removido e substituído por novos materiais.
Apesar da dimensão da intervenção, o município garante que não pretende alterar a imagem arquitetónica do mercado. “Não vamos mexer na estética do edifício”, assegurou Orlando Pires. “Vamos manter a sua traça original.”
O projeto de arquitetura foi desenvolvido pela Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, com o arquiteto Nuno Sousa, enquanto as especialidades foram igualmente elaboradas pela associação. O município recorreu ainda à Universidade Politécnica de Bragança para os estudos técnicos relacionados com as exigências ambientais e de eficiência do edifício.
A intervenção deverá garantir, segundo a autarquia, uma melhoria de pelo menos 30% do desempenho energético do equipamento, em linha com as exigências associadas ao financiamento comunitário.
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Segunda fase prevê intervenção na zona envolvente
A requalificação não ficará limitada ao edifício. Numa segunda fase, ainda sem calendário definido, o município pretende intervir na envolvente do mercado.
Entre as intervenções previstas está a ampliação do parque de estacionamento, com a criação de pelo menos mais 50 lugares, a melhoria dos acessos e a reformulação da Praça Álvaro Soares, situada em frente ao mercado.
Está também prevista uma intervenção no espaço exterior voltado para a Rua da República, incluindo a construção de um novo coreto e a melhoria do parque infantil.
A prioridade imediata é, contudo, concluir o projeto da primeira fase e preparar o procedimento de contratação pública. A obra deverá ter dotação nos orçamentos municipais de 2027, 2028 e 2029.
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Uma das preocupações assumidas pela autarquia é garantir que a intervenção não provoque uma quebra significativa na atividade comercial do mercado. Orlando Pires assegura que, na primeira fase da empreitada, não está prevista a deslocalização dos comerciantes com lojas. “Queremos criar o mínimo impacto nas dinâmicas do mercado e também não queremos cortar um conjunto de rotinas dos mirandelenses”, afirmou.
Comerciantes esperam que a obra atraia mais clientes
Entre os comerciantes, a necessidade de intervenção é consensual, embora existam preocupações quanto ao futuro do mercado.
Isilda Trigo vende produtos agrícolas na feira semanal e mantém uma ligação familiar ao mercado há mais de três décadas. Considera que a intervenção é necessária, sobretudo para melhorar as condições durante o inverno. “De inverno, o frio e o vento” são algumas das principais dificuldades sentidas pelos vendedores, aponta a comerciante, que chama ainda a atenção para os problemas de acesso ao mercado nos dias de feira.
Apesar da redução do número de clientes, Isilda Trigo nota sinais positivos entre as gerações mais novas. “Há muito menos gente a vir ao mercado. No entanto, já se começa a ver um bocadinho gente mais nova”, afirma.
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Rita Beira, proprietária da pastelaria Beira Doce, instalada no mercado há cerca de dois anos e meio, vê na intervenção uma oportunidade para recuperar um equipamento que considera atualmente pouco atrativo. “As obras vão dar uma cara lavada ao mercado. E espero que atraia muita mais gente”, acredita.
A comerciante aponta sobretudo para as condições de conforto. “É frio, é escuro, os clientes queixam-se que no inverno não vêm tanto porque está muito frio, porque as infraestruturas são antigas, não há aquecimento, não há nada”, frisa.
Entre os comerciantes mais antigos, a expetativa é acompanhada por algum ceticismo, depois de anos de espera por uma intervenção. Artur Sousa mantém uma loja no mercado desde 1984. Para o comerciante, as obras são necessárias, mas o problema ultrapassa as condições físicas do edifício. “Era possível e era preciso mesmo”, afirma, defendendo que o mercado necessita de “grandes mudanças”.
O comerciante de 75 anos aponta ainda para a perda de movimento e para as dificuldades económicas dos clientes, numa realidade que considera ter afetado diretamente as vendas. “O mercado cada vez tem menos gente”, lamenta, considerando que a diminuição da população e da natalidade também tem impacto na atividade comercial.
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Entre os comerciantes mais jovens, a perspetiva é mais otimista. João Caldeiras, de 26 anos, trabalha com o pai na Tua Energy, uma loja dedicada à climatização, e considera a intervenção importante não apenas para os comerciantes, mas para a própria cidade. “Precisamos de um mercado moderno, funcional, confortável e capaz de continuar a ser um espaço de referência para Mirandela”, defende.
O jovem admite que uma obra desta dimensão poderá provocar constrangimentos temporários, mas considera que o investimento é necessário. “Apesar das dificuldades que possam surgir durante a intervenção, esperamos que o resultado final seja positivo e que todos possamos beneficiar de um mercado renovado, mais atrativo e preparado para o futuro.”
Com o projeto em fase final de preparação, a Câmara de Mirandela aponta agora para 2027 como o ano de arranque do procedimento de contratação da primeira fase da obra.
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