Manuel Heitor desvaloriza nome da futura Universidade de Bragança: “O que interessa é o conteúdo”
O antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior defende que a afirmação da instituição passa pela qualidade da investigação e do ensino e não pela designação de politécnico ou universidade.
“O nome para mim não tem significado nenhum.” Foi desta forma que Manuel Heitor, antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, reage à transição do Instituto Politécnico de Bragança, agora Universidade Politécnica de Bragança, e futura Universidade de Bragança e do Norte Interior. O professor universitário defende que a mudança de designação só fará sentido se for acompanhada pela preservação e reforço da qualidade científica e educativa da instituição.
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As declarações ocorreram após a sessão de abertura da Reunião Anual da Aliança de Universidades Europeias STARS EU, que arrancou ontem em Bragança, para a qual Manuel Heitor foi convidado a discursar. Em declarações ao Jornal Nordeste, rejeitou uma leitura centrada no nome da instituição.
“Não tem nada a ver com o nome. Isto não é o nome, é o conteúdo”, afirmou. Para Manuel Heitor, a diferença estará na capacidade de a instituição continuar a desenvolver “atividade científica e de educação de grande qualidade”, bem como na sua capacidade para atrair estudantes e investigadores de diferentes partes do mundo.
“O título de ser Politécnico ou Universidade não significa nada. O que interessa é o conteúdo, é a qualidade do conhecimento”, reforçou.
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“Bragança é um caso de sucesso”
Durante a intervenção subordinada ao tema “The Future of European Higher Education & Research”, Manuel Heitor defendeu o desenvolvimento de redes de universidades europeias orientadas para o bem público e capazes de envolver diretamente as populações. Para o antigo ministro, o conhecimento produzido pelas universidades deve contribuir não apenas para tratar problemas depois de estes surgirem, mas também para os antecipar.
Deu como exemplos as doenças, desde o cancro às doenças mentais, mas também os incêndios rurais. Na sua perspetiva, mais formação e investigação podem contribuir para passar de uma lógica de resposta anual aos fogos para uma lógica de previsão e de gestão sustentável do território.
Mas esse processo, sublinhou, não pode ser feito apenas dentro das universidades. “Implica conhecimento, mas implica mais do que isso: sempre envolver as pessoas”, afirmou.
É neste contexto que Manuel Heitor apresenta Bragança como um exemplo que pode ser projetado para a Europa. “Bragança é um caso de sucesso”, considerou, destacando a atividade científica desenvolvida na região, nomeadamente em áreas como a investigação de montanha e os sistemas inteligentes, mas também a ligação da instituição às comunidades rurais.
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Para o professor universitário, a participação na aliança europeia pode contribuir para “pôr Bragança no mapa europeu” enquanto território de conhecimento, inovação e novas oportunidades.
Manuel Heitor destacou ainda a capacidade da instituição transmontana para atrair estudantes internacionais. A presença de estudantes oriundos do Brasil e de países africanos, mas também o crescimento de alunos provenientes da Ásia e da Europa de Leste, é, na sua perspetiva, uma das características que tornam Bragança particularmente relevante no contexto europeu.
O desafio, defendeu, passa por consolidar essa dimensão internacional e criar condições para que o conhecimento e a inovação se traduzam também em oportunidades para os jovens. “Não olhar apenas para a produtividade do trabalho, mas olhar também para a qualidade do trabalho dos jovens”, apontou.
STARS EU reúne cerca de 300 pessoas em Bragança
Durante três dias, a Reunião Anual da STARS EU vai juntar em Bragança cerca de 300 participantes, entre reitores, professores e estudantes, provenientes de 10 universidades europeias.
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Para Orlando Rodrigues, reitor da Universidade Politécnica de Bragança (UPB), as alianças europeias representam uma evolução do projeto de construção europeia e podem assumir um papel semelhante ao que o programa Erasmus teve na aproximação entre os jovens dos diferentes países.
“As alianças europeias são o futuro do programa Erasmus”, afirmou, defendendo que o programa de mobilidade “revolucionou verdadeiramente a Europa” ao colocar os jovens em contacto e ao contribuir para criar um espírito europeu.
O passo seguinte passa por aprofundar a cooperação entre instituições, não apenas através da mobilidade, mas também pela construção conjunta de formação, de modelos de governação e pela partilha de recursos.
O reitor considera que a diversidade das instituições que integram a aliança é uma das suas principais forças. Cada universidade apresenta áreas de especialização e características próprias, permitindo uma aprendizagem mútua. “Ao trabalharmos em conjunto temos sempre muito a oferecer uns aos outros”, resumiu.
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Ucrânia entra na agenda da aliança
O alargamento da Aliança esteve também em destaque com a formalização de um acordo de cooperação com a Petro Mohyla Black Sea National University, da Ucrânia, reconhecida em abril deste ano como Strategic Associated Partner da STARS EU. O acordo pretende aprofundar a colaboração institucional e académica com a universidade ucraniana, reforçando a abertura da Universidade Europeia a novas parcerias internacionais.
Orlando Rodrigues explicou que, apesar de a Ucrânia não ser membro da União Europeia, existe a possibilidade de instituições ucranianas se associarem às alianças europeias. O responsável classificou a integração como motivo de “muito orgulho” e como um marco de solidariedade europeia concreta.
A realização do encontro em Bragança é também vista pela instituição como uma oportunidade para projetar a região junto das universidades parceiras. Cada uma das 10 instituições participantes faz-se representar por uma delegação de dimensão significativa, estimada entre 25 e 30 pessoas, o que permite reunir na cidade cerca de 300 participantes.
Para Orlando Rodrigues, acolher a reunião é simultaneamente um reconhecimento do papel desempenhado pela UPB. “É importante para a nossa região e para a nossa cidade mostrarmos a nossa região a todas estas pessoas”, afirmou.
Durante a Reunião Anual da Aliança de Universidades Europeias STARS EU procedeu-se também à assinatura de um acordo para um mestrado de diplomação conjunta na área da Robótica, Mecatrónica e Controlo Automático, envolvendo quatro instituições parceiras: Université Marie et Louis Pasteur (França), University West (Suécia), Universidade Politécnica de Bragança (Portugal) e Cracow University of Technology (Polónia).
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