“Mais importante do que o montante é que os apoios sejam céleres e fáceis de aceder”
O trabalho realizado pelos técnicos municipais deu origem a um relatório preliminar que já foi enviado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), servindo de base à avaliação dos prejuízos. Em simultâneo, o Ministério da Agricultura deverá realizar um levantamento próprio para apurar o impacto económico das perdas.
A recuperação de alguns prejuízos provocados pelo incêndio que atingiu o concelho de Vinhais depende agora da rapidez com que os apoios chegam ao terreno. Para o presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Luís Fernandes, mais do que discutir os valores anunciados pelo Governo, a prioridade é garantir que os agricultores conseguem aceder às medidas sem demora nem burocracia excessiva. “É importante que esses apoios sejam céleres e que os agricultores se consigam candidatar a eles de forma simples. É verdade que o montante conta, mas ainda mais importante é que seja desbloqueado rapidamente e que os agricultores tenham acesso a esses apoios”, defendeu o autarca.
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Depois de controlado o incêndio, que começou em Valpaços e se estendeu a Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, o município de Vinhais avançou para o levantamento dos estragos. O trabalho realizado pelos técnicos municipais deu origem a um relatório preliminar que já foi enviado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), servindo de base à avaliação dos prejuízos. Em simultâneo, o Ministério da Agricultura deverá realizar um levantamento próprio para apurar o impacto económico das perdas. “O que está contabilizado são as áreas afetadas e as culturas atingidas. Quanto aos valores, ainda não temos uma estimativa fechada, embora estejamos a falar de prejuízos na ordem das dezenas de milhares de euros”, explicou Luís Fernandes.
Segundo o levantamento efetuado, a freguesia de Vale das Fontes registou os maiores danos, com cerca de 27 hectares de culturas agrícolas afetadas, sobretudo olival e algumas vinhas. Em Rebordelo arderam cerca de 12 hectares, também essencialmente de olival.
No entanto, o presidente da câmara salienta que as perdas não podem ser avaliadas apenas pela área ardida. “Estamos a falar de oliveiras centenárias. Eram árvores com um elevado valor produtivo, porque produziam muito, mas tinham também um enorme valor patrimonial e paisagístico. Esse é um valor que não é possível quantificar”, lamentou.
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Além da destruição das culturas, o incêndio representa mais um duro golpe para agricultores que têm enfrentado sucessivos episódios semelhantes. As freguesias de Vale das Fontes e Rebordelo voltaram a ser afetadas pelo fogo, numa realidade que se repete pelo terceiro ano consecutivo. “Embora não sejam exatamente as mesmas áreas, os prejuízos vão-se acumulando e as consequências tornam-se cada vez maiores para quem vive da agricultura”, alertou o autarca.
Perante este cenário, Luís Fernandes considera que a rapidez na resposta das entidades públicas será determinante para evitar que muitos produtores desistam da atividade. “Há prejuízos que nunca serão totalmente compensados. Quando falamos de árvores centenárias, estamos a falar de património, de identidade da paisagem e de um investimento feito ao longo de muitas décadas. Isso não se recupera de um dia para o outro”, terminou o presidente, que, na semana passada, esteve numa reunião de trabalho em Valpaços, presidida pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha. O encontro reuniu os presidentes das câmaras de Vinhais, Valpaços, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Chaves, bem como representantes das diversas entidades que integram o sistema de Proteção Civil, com o objetivo de avaliar a resposta operacional ao incêndio, identificar aspetos suscetíveis de melhoria e reforçar a articulação entre os diferentes agentes de proteção e socorro.






