Luís Neves admite que “não foi tudo perfeito” no combate ao incêndio que atingiu três concelhos de Bragança
Ministro da Administração Interna reconheceu que lhe reportaram algumas críticas e garantiu que, “naturalmente”, falará com os responsáveis da Proteção Civil “para perceber de facto o que é que aqui se passou”.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu domingo, em Mirandela, que “não foi tudo perfeito” no combate ao incêndio que começou, dia 28 de julho, em Valpaços e se estendeu a Vinhais, Mirandela e Macedo de Cavaleiros.
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De passagem por Mirandela, para um contacto de proximidade com as populações, questionado sobre se lhe foram reportadas críticas ou alegada descoordenação na atuação das forças de socorro, o governante esclareceu que, “às vezes o cidadão olha e pensa que determinado trabalho podia ser feito de determinada maneira, mas quem sabe são os agentes de proteção civil e os bombeiros”. Ainda assim reconheceu que lhe reportaram precisamente essa situação e garantiu que, “naturalmente”, falará com os responsáveis da Proteção Civil “para perceber de facto o que é que aqui se passou”.
SIRESP “portou-se de uma forma inexcedível”
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Apesar das críticas que irá agora procurar esclarecer, Luís Neves fez uma avaliação muito positiva das comunicações de emergência durante o incêndio, que começou no distrito de Vila Real e se estendeu ao de Bragança. “Quero dizer que o SIRESP aqui portou-se de uma forma inexcedível”, afirmou, destacando as “centenas de milhares de comunicações” realizadas durante os dias de maior intensidade do fogo.
Segundo o ministro, perante a dimensão e gravidade da situação, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil mobilizou postos móveis para reforçar as comunicações no terreno.
Governo quer mudar prioridade do combate para a prevenção
Na visita a Mirandela, o ministro deixou também uma mensagem sobre a estratégia nacional de combate aos incêndios rurais, defendendo uma mudança de paradigma com maior investimento na prevenção.
Luís Neves lembrou que, durante muitos anos, a prioridade esteve concentrada no combate. Antes dos grandes incêndios de Pedrógão Grande, em 2017, “80% era despesa só para o combate” e apenas 20% era destinada à prevenção. “Hoje estamos a mudar esse paradigma. Mais de 52% do que é gasto nesta temática é gasto na prevenção”, afirmou.
O ministro destacou ainda o papel dos bombeiros e do ataque inicial no controlo da maioria das ocorrências. “Mais de 95% dos incêndios são combatidos nos primeiros momentos. Devemos isso à rapidez com que os nossos bombeiros atuam”, afirmou, considerando que o ataque inicial tem sido “o fator de sucesso”.
Ainda assim, os grandes incêndios registados este ano, nomeadamente em Vouzela e Valpaços, demonstram, na sua perspetiva, a necessidade de olhar simultaneamente para o combate e para a prevenção.






