Os Bombeiros de Izeda e de Bragança já possuem o Kit Via Azul, que foi concebido para garantir que cada pessoa com autismo ou outra necessidade específica tenha uma resposta adequada
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A apresentação do Kit Via Azul decorreu, no sábado, em Bragança. O projeto trata-se de uma iniciativa promovida pelo Município de Bragança, em parceria com os Bombeiros Voluntários de Izeda, que pretende tornar o socorro pré-hospitalar mais inclusivo e adaptado a pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo.
O objetivo é que durante uma emergência os socorristas tenham acesso imediato à informação essencial para dar resposta às pessoas com autismo ou outras necessidades específicas, de forma adequada e segura.
O Kit junta material físico, ferramentas digitais e formação especializada para tornar a resposta pré-hospitalar mais previsível, acessível e segura.
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“É um projeto que pretende adaptar a resposta pré-hospitalar às necessidades específicas inerentes ao diagnóstico de autismo. Pretende promover em primeiro lugar a literacia, a formação de quem está aqui a assegurar algum tipo de serviço de emergência ou de socorro. Pretende também aumentar a acessibilidade relativamente aos procedimentos pré-hospitalares, uma acessibilidade que é cognitiva, pode ser também comunicacional e que pretende também aqui ter um impacto na comunidade civil”, explicou Charlotte Coelho, uma das responsáveis do projeto.
Segundo Charlotte Coelho, psicóloga com especialização no Espectro do Autismo, a ideia nasceu de uma recolha de dados. “Quando tivemos a ideia perguntámos a 70 pessoas autistas e cuidadores se já tinham tido experiência no pré-hospitalar e, no caso de sim, o que é que achavam que poderia ser melhorado. Em cerca de 80% das respostas, a primeira fragilidade que foi apontada por esta amostra foi a falta de formação específica sobre a neurodivergência e o autismo a nível de quem promove a emergência e o socorro”, a partir daqui foram desenvolvidas estratégias para servirem de base para o projeto.
No âmbito do transporte pré-hospitalar ou de uma situação de emergência, muitas pessoas com autismo podem manifestar níveis elevados de ansiedade, o que pode dificultar a colaboração com os socorristas. A incompreensão e o medo face aos procedimentos, a falta de previsibilidade sobre a duração e a sequência dos acontecimentos, o desconhecimento de alguns profissionais sobre as características do autismo, a sobrecarga informacional e sensorial, a eventual presença de dor, entre muitos outros fatores, assumem-se como gatilhos que podem comprometer a colaboração, a autorregulação da pessoa e a eficácia da resposta profissional.
O projeto Kit Via Azul surge com o intuito de proporcionar uma resposta mais ajustada e inclusiva, garantindo que os profissionais do pré-hospitalar, frequentemente os primeiros a chegar ao local, conseguem reconhecer sinais de autismo e ajustar o seu modo de intervenção em conformidade com a grande variabilidade interindividual do espetro.
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O comandante dos Bombeiros Voluntários de Izeda, Óscar Esménio, reforçou a importância da inclusão. “Estamos a iniciar aqui no concelho, em Bragança, mas queremos replicar isto a nível nacional para que toda a gente tenha a mesma oportunidade de tratamento”, disse.
A autarca Isabel Ferreira também apontou que a ideia é oferecer “um tratamento cada vez mais diferenciado”, salientando que é preciso que os serviços públicos, nomeadamente “os serviços de emergência, também correspondam às especificidades destas pessoas”.
Eurico Gaspar, diretor clínico na Unidade de Pediatria, na Unidade Local Hospitalar Trás-os-Montes, que integra igualmente o projeto, partilhou que “a incidência da perturbação de espectro do autismo tem aumentado, a capacidade diagnóstica é maior, a capacidade de intervenção é maior, mas também o número de casos em si mesmo, por múltiplas e variadas razões, também tem aumentado” e por isso é cada considerou que é cada vez mais importante “a sensibilidade da população e civil”.
A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, na interação social e no comportamento, podendo ainda existir alterações do processamento sensorial. O termo “espectro” reflete a grande variabilidade de manifestações e níveis de suporte entre os indivíduos, não existindo um estereótipo de autismo.
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