Investigadora brigantina vence prémio internacional Archimedes

Alexia Fernandes venceu prémio na categoria “melhor apresentação de um jovem investigador”

Créditos: DR

01 out. 2026, 07:30

A investigadora brigantina Alexia Fernandes venceu o prémio Internacional Archimedes atribuído durante XV International Symposium on Biomechanics and Medicine in Swimming (BMS 2026).

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“A relação entre a potência e a variação da velocidade como indicador de eficiência mecânica nas quatro técnicas de natação” foi o trabalho desenvolvido pela jovem que foi considerado como a “melhor apresentação de um jovem investigador” com menos de 30 anos.

Alexia Fernandes diz que receber este prémio “foi fantástico e excecional” por dois motivos, pelos facto de o seu trabalho ter sido prémiado “entre tanto outros trabalhos, todos muitos bons”, mas também pelo facto de tratar do congresso internacional “mais importante” na área da natação que se realiza, apenas de quatro em quatro anos, e reúne investigadores internacionais e de grande relevancia na área da natação.

O projeto de Alexia Fernandes recai numa nova metodologia que permite analisar a variação da velocidade durante o nado, fazendo com que os atletas percebam quais as exigência de potências mecânica devem adotar para uma maior eficiência no arrasto hidrodinâmico.

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“Esta métrica permite definir e melhorar a eficiência de nado, ou seja, a forma como os nadadores aplicam a força que se traduz diretamente em deslocamento. Ou seja, se eles aplicarem uma força eficiente na água, eles vão se conseguir deslocar-se também  de forma mais eficiente. É essa eficiência que esta métrica nos indica, porque se a velocidade for muito variável num contexto que não o exige, significa que os nadadores estão a aplicar a força de forma irregular ou que a técnica pode ser melhorada”, explicou.

A investigadora, de 29 anos, explicou como alcançou esta nova abordagem analítica para uma métrica que não registava avanços conceituais significativos desde 1930.

“Neste caso, basta obter a velocidade instantânea do nadador, que de momento pode ser obtida através de velocímetro ou então por avaliações cinemáticas através de câmaras, que na prática ainda é algo complexo de se fazer "disse, salientando que tiveram de avaliar os nadadores em laboratório devido a esta ultima forma de interpretação ser mais complexa.

“Os nadadores tiveram que se deslocar à piscina que está equipada para fazer avaliações. Ou seja, ainda não é bem fácil fazer isto no contexto da prática desportiva, a não ser que os clubes tenham algum acesso a esse tipo de dispositivos”, frisou, acrescentando que “é possível os nadadores serem avaliados, basta ter a velocidade instantânea deles e é possível avaliar a sua performance e prever a melhoria da performance com esses dados”, vincou.

Além do trabalho premiado, Alexia Fernandes apresentou uma segunda investigação relacionada com a motivação de treino da natação master.

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“Sou treinadora e eu tenho uma equipa de masters que tem tido resultados brilhantes a nível nacional e que tem crescido muito. Então aproveitei a colaboração com outros colegas para fazermos outra investigação sobre a motivação dos nadadores masters. São nadadores que têm 25 anos ou mais, para perceber o motivo que os leva a competir”, disse, explicando que a nível nacional, a natação master tem tido um crescimento significativo tendo passado de “300 participantes” há uma década para “1000 atualmente”.

“Tem que existir um motivo para este crescimento”, concluiu.

Este seminário é o evento científico mais antigo dedicado a uma modalidade desportiva que se realiza desde 1970. Reúne investigadores de vários pontos do mundo e foi considerado por Alexia Fernandes, como uma oportunidade para a sua carreira profissional e de investigação, bem como para a valorização e promoção do trabalho que desenvolveu no doutoramento.

Alexia Fernandes tem 29 anos e é de Bragança. Escolheu o Porto para os estudos superiores, tendo-se licenciou em ciências do desporto. Tirou mestrado em treino desportivo com especialidade em treino de alto rendimento e doutoramento. 

O 15º Seminário Internacional de Biomecânica e Medicina na Natação reuniu investigadores de vários países entre 7 e 11 de setembro.

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