Inteligência artificial quer ajudar criadores de cabras Serranas a prevenir doenças e aumentar a produção
Projeto Udder.AI está a desenvolver uma ferramenta digital para apoiar a gestão da saúde mamária dos animais. Hélder Quintas, do MORE CoLAB, acredita que a tecnologia pode facilitar o trabalho nas explorações e tornar a atividade mais atrativa para os jovens.
A inteligência artificial poderá vir a ser uma aliada dos criadores de cabras da raça Serrana na prevenção da mastite, uma doença que afeta a saúde dos animais, compromete a qualidade do leite e provoca perdas económicas nas explorações. É esse o objetivo do projeto Udder.AI, que arrancou em outubro, em Bragança.
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Com uma duração prevista de 36 meses, reúne quatro entidades, a Ruralbit, que lidera o consórcio e desenvolverá a plataforma digital, o MORE – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação (MORE CoLAB), responsável pelo protótipo de sensorização e pelos modelos preditivos, a Universidade Politécnica de Bragança, através da Escola Superior Agrária e do Centro de Investigação de Montanha, que assegurará a validação clínica e científica, e a ANCRAS, que conduzirá os ensaios nas explorações.
Segundo Hélder Quintas, do MORE CoLAB “o projeto visa o apoio digital nas explorações de caprinas da raça Serrana, através do desenvolvimento de equipamentos e de ferramentas que recolham informação sistemática, quer da exploração, quer dos animais, para apoio à decisão no âmbito da saúde mamária”.
O objetivo passa por utilizar essa informação para “melhorar os resultados produtivos e reduzir os problemas de saúde dos animais”. Na fase final, o projeto deverá disponibilizar uma “ferramenta digital que ajude os criadores a tomar decisões sobre os seus rebanhos”, com base nos dados recolhidos e analisados.
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O sistema, cofinanciado pelo NORTE 2030, Portugal 2030 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), deverá combinar sensores não invasivos, imagens térmicas e multiespectrais e modelos de inteligência artificial para identificar sinais de risco associados à mastite antes de a doença se manifestar clinicamente. A solução pretende gerar alertas preventivos e informação individualizada que ajude produtores e médicos veterinários a atuar mais cedo.
Ferramenta adaptada à realidade dos produtores
Um dos desafios passa por garantir que a tecnologia desenvolvida é verdadeiramente útil para quem trabalha diariamente nas explorações, muitas vezes em contextos de envelhecimento da população. “Aquilo que pretendemos é que a ferramenta final seja friendly to use, que seja fácil de utilizar por todos”, clarificou Hélder Quintas.
Também a questão dos custos e do acesso à tecnologia está presente na abordagem adotada. Nesta fase, o Udder.AI “não está a desenvolver um produto comercial” para disponibilização generalizada no mercado. O trabalho decorre em articulação com a ANCRAS — Associação Nacional de Caprinocultores da Raça Serrana, procurando responder às necessidades concretas dos criadores envolvidos.
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Atrair os mais jovens
O projeto procura contribuir para a valorização da raça Serrana e para a continuidade da atividade pecuária numa região particularmente marcada pelo envelhecimento da população.
A renovação geracional é um dos grandes desafios da agricultura e da pecuária, e a introdução de ferramentas tecnológicas adaptadas à realidade do terreno poderá ajudar a tornar a atividade mais apelativa para os mais jovens. “A intenção também é fomentar a raça. E, obviamente, a raça só pode ser fomentada se houver quem esteja disponível para criar”, considerou Hélder Quintas, assumindo que a inovação pode ajudar a simplificar tarefas, melhorar a gestão e criar condições para que a atividade seja mais atrativa para quem pondera dedicar-se à criação de animais.
Sobre esta matéria, considerou ainda que “a tecnologia terá um papel cada vez mais importante na continuidade do setor”.
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