Iniciativa Liberal quer “devolver o comboio roubado” à região

A Assembleia Municipal de Bragança aprovou por unanimidade a moção da Iniciativa Liberal que exige a reposição da ligação ferroviária à cidade, 34 anos depois do encerramento da linha. A proposta, intitulada “Devolver o comboio roubado”, pretende levar a reivindicação até às instâncias nacionais e europeias e alertar para o impacto que a ausência da ferrovia continua a ter no desenvolvimento da região.

Encerramento da linha aconteceu depois de anos de perda de "competitividade" face à rodovia

01 out. 2026, 09:12

Mais de três décadas depois, a ferrovia continua a ser uma reivindicação em Bragança. A Assembleia Municipal aprovou, por unanimidade, a moção apresentada pela Iniciativa Liberal, que considera ter existido uma “injustiça histórica” com o encerramento da ligação ferroviária e defende o regresso desta infraestrutura à cidade.

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Para a IL, Bragança está há 34 anos privada de uma infraestrutura considerada essencial para o desenvolvimento económico e para a coesão territorial.

Diogo Aleixo, da Iniciativa Liberal, considera que a aprovação unânime da moção representa um passo importante para levar a reivindicação além da esfera local. “Estamos muito felizes porque a Assembleia Municipal decidiu aprovar a moção que apresentámos, que pretende alertar as instâncias nacionais e europeias para o facto de Bragança ter sido roubada, no dia 14 de outubro de 1992, no que toca à infraestrutura ferroviária”, afirmou.

Segundo o representante da IL, o encerramento da linha aconteceu depois de anos de perda de competitividade face à rodovia. “Durante a noite, os comboios foram levados em circunstâncias muito estranhas. Antes disso, a linha já tinha vindo a perder competitividade para a rodovia e foi isso que a matou”, explicou.

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Diogo Aleixo defende, contudo, que a ferrovia não deve ser encarada apenas pelo custo associado à sua manutenção ou utilização, mas pelo impacto que pode ter na economia e na ligação dos territórios. “As pessoas passaram a utilizar a rodovia e a ferrovia era vista, simplesmente, como uma coisa muito custosa, mas que, na verdade, era muito importante para a economia local e nós vemos isso pelo mundo fora, pela Europa sobretudo”, afirmou.

A moção chama também a atenção para a demora histórica na concretização da ferrovia em Bragança. De acordo com a IL, a região chegou a esperar três décadas, no século XIX, entre os primeiros estudos e a construção da linha.

O responsável critica ainda o atual cenário, em que, segundo afirma, existe apenas a promessa de realização de um estudo por parte do Governo, com apresentação prevista para 2027. “Neste momento, a única coisa que existe neste processo é uma promessa do Governo de fazer um estudo, que será apresentado em 2027. É uma coisa que desde logo não compreendemos, como é que demora tanto tempo”, afirmou.

A Iniciativa Liberal considera que já existem estudos que apontam para a viabilidade de uma nova ligação ferroviária. Diogo Aleixo refere, em particular, o trabalho desenvolvido pela Associação Vale D’Ouro e defende que a futura ligação deverá ser concretizada em alta velocidade.

A moção aprovada pela Assembleia Municipal será agora enviada às entidades nacionais e europeias, nomeadamente aos comissários europeus responsáveis pelas áreas da transição climática e dos transportes, bem como ao primeiro-ministro e ao ministro das Infraestruturas e Habitação. 

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