IL promove vigília em Bragança e quer levar regresso do comboio ao Parlamento e à União Europeia

Liberais têm de reunir mais de sete mil assinaturas em petição pública para levar assunto à Assembleia da República

15 out. 2026, 17:21

A Iniciativa Liberal de Bragança promoveu, ontem à noite, uma vigília pelo regresso do comboio a Trás-os-Montes.

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A mobilização da IL reuniu várias pessoas que se mostram revoltadas com a retirada do comboio há mais de três décadas.

"Eu estava em Évora quando ouvi a notícia. Pronto, agora é que sim, agora já roubaram. Roubaram hoje a última carruagem, acabou-se o comboio para Bragança", contou Adelina Martins que se juntou à iniciativa por estar "revoltada" com o fim da ferrovia e por acreditar que é "uma injustiça tremenda e sem limites".

Graciela Nunes é de Carrazeda de Ansiães, mas vive em Lisboa. Deslocou-se até Bragança para participar na Vigília da IL por existir dentro dela "uma espécie de missão pela região". "Precisamos de nos reunir e de ter mais pessoas como Camilo Mendonça, como Abílio Bessa e como todos nós que estamos aqui. Nós precisamos da linha do TUA para ligar as populações do interior também", defendeu.

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Júlio da Costa Carvalho, figura incontornável do PSD de Bragança, também marcou presença. Afirma-se a favor do regresso da ferrovia e admite que sempre foi um crítico da decisão do Poder Central em retirar o comboio da região.

"Junto-me a todas as manifestações. Que visem atacar a decisão da extinção da linha de caminho de ferro, porque acho que foi um atentado contra a economia regional, contra os transmontanos, contra a população transmontana, contra o país, contra tudo."

O objetivo da IL é mobilizar a população para exigir o regresso do comboio mas também levar este assunto à assembleia da  republica e às instituições da União Europeia, adianta o coordenador distrital dos liberais, Nuno Fernandes.

"O objetivo é conseguirmos convencer o Governo de que a linha Porto-Bragança-Madrid é uma linha prioritária para o país, e para desencravar a região. É a linha que os estudos dizem que vai ter mais população a circular, que vai permitir ter mais horários de comboio, vai permitir ser mais rentável. Temos um baixo assinado, precisamos de 7500 assinaturas para que isto seja debatido na Assembleia da República. Queremos levar este assunto também à União Europeia, aí numa outra vertente que é a forma como foi retirado o comboio, para além de ser muito pouco democrática, não foi um acaso e deve haver nem que seja consequências históricas daquilo que foi feito."

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Ao todo são necessárias sete mil e quinhentas assinaturas para que o assunto seja debatido no parlamento.

Apesar de satisfeito com o número de pessoas mobilizadas, o coordenador distrital da IL criticou a ausência de representantes de vários partidos e autarquias.

"Cada um é responsável pelos seus atos. As pessoas estão muito acomodadas nos partidos habituais, estão acomodadas a uma realidade que, infelizmente, o mundo já mudou. Eles não se querem adaptar, o comboio vem aí e vai passá-los por cima e vai atropelá-los completamente. Nós vamos continuar a convidá-los sempre, para tudo, para todos os movimentos. Vamos convidar todos os partidos para dialogar, para fazer pressão, para se juntarem a nós."

O próximo passo, segundo Nuno Fernandes, é criar um movimentado apartidário.

"É o momento de nos mexermos, das pessoas saírem à rua, de nos ajudarem, de assinarem a nossa petição, de se juntarem a nós. Vamos criar um movimento apartidário que é para toda a gente se poder juntar a nós. Que não vejam nisto um movimento partidário, que vejam nisto um movimento pela região, pelos transmontanos e para os transmontanos."

Recorde-se que já existe um estudo que viabiliza a linha ferroviária Porto – Vila Real – Bragança – Zamora que foi desenvolvido pela Associação Vale d’Ouro. Em 2025, o Governo assinou o protocolo que deu início ao estudo do corredor ferroviário de alta velocidade entre Porto e Zamora, uma ligação que irá passar pela região de Trás-os-Montes. Os resultados deverão ser apresentado no final de 2028.

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