Hóquei adaptado enfrenta dificuldades na renovação de atletas
O envelhecimento dos atletas e a falta de renovação dos praticantes ameaçam a continuidade do hóquei para pessoas com deficiência intelectual. À margem do sétimo Torneio Regional da Castanha, que decorreu em Bragança, a ANDDI Portugal defende uma maior articulação entre as escolas e as instituições de apoio à deficiência, de forma a promover a inclusão desportiva desde cedo.
O envelhecimento dos atletas e a falta de renovação das equipas são hoje um dos principais desafios do hóquei para pessoas com deficiência intelectual.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
O alerta é do presidente da ANDDI Portugal José Costa Pereira, durante o sétimo Torneio Regional da Castanha, que se realizou ontem, no pavilhão da coxa em Bragança.
"Este projeto já deu muitos frutos, inclusive Portugal já foi por duas ocasiões campeão da Europa. Entretanto, os atletas foram envelhecendo, não tem havido renovação porque esta população está institucionalizada e vai envelhecendo, como todos nós. Depois não há clubes institucionais envolvidos como é o caso do clube da APPACDM da Vila Nova de Gaia", disse.
Segundo o responsável esta dificuldade resulta de barreiras colocadas por professores. José Costa Pereira, acredita que uma maior ligação entre as instituições de apoio à deficiência e as instituições de ensino seria a solução para inverter a tendência.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
Com o processo da integração e da inclusão, os meninos estão todos na escola dita regular e só saem de lá aos 18 anos, o que já é um pouco tarde para iniciarem a prática desportiva. Era importante algumas instituições chegarem à escola", referiu, dando a entender que existe esperança de conseguirem criar esta ponte, ainda que "não seja fácil".
"Os próprios professores criam algumas barreiras, dizendo que como eles estão incluídos e integrados nas escolas, agora vão para um sistema segregado. A inclusão existe, mas é uma inclusão mais social do que desportiva. Hoje estão aqui sete equipas, tudo com atletas ou jogadores com deficiência intelectual. Este movimento tem que existir, senão também não existiam Jogos Paralímpicos", frisou.
Esta necessidade é também identificada pelo Centro Social e Paroquial Santos Mártires. O técnico de desporto, Sérgio Afonso, explica que a instituição já está a desenvolver ações de sensibilização em contexto escolar.
"Estamos a desenvolver estratégias no sentido de conhecermos a população local com contexto de deficiência para, no futuro, conseguirmos captar estratégias de, após o período de escolaridade mínima obrigatória, conseguirmos promover a prática desportiva inclusiva a essas crianças que hoje em dia já frequentam a escola. Inclusive temos feito algumas ações de sensibilização em contexto escolar para incentivar a prática desportiva."
A sétima edição do Torneio Regional da Castanha é, por isso, mais do que um momento de competição. Para Sérgio Afonso, o hóquei é também uma ferramenta de socialização, convívio e inclusão, capaz de aproximar atletas e instituições:
"o hóquei tem sido uma surpresa porque nós pensávamos que era uma modalidade difícil de introduzir no seio das pessoas com deficiência. É uma modalidade extremamente técnica, o manusear do stick, as movimentações, os deslocamentos, as skills, mas nós constatámos que esta população aderiu a esta modalidade em massa. E assim sendo, isto é uma mais-valia, é uma modalidade que promove a socialização, promove o convívio, é um desporto coletivo. E sendo assim, os utentes aderem. Aliás, já consideramos que isto é uma festa do hóquei e queremos promovermos esta modalidade no seio distrital", rematou.
A iniciativa juntou sete equipas dos distritos de Bragança, Vila Real e Porto, num conjunto de cerca de 80 participantes. O Clube de Gaia foi o grande vencedor da competição. A equipa da casa garantiu o segundo lugar e a APPACDM Mirandela fechou o pódio.
PUBLICIDADE


