FAMIDOURO junta 54 expositores e reforça aposta no artesanato e na economia local de Miranda do Douro

FAMIDOURO decorre até 24 de agosto em Miranda do Douro numa edição que reforça a ligação a Espanha

17 ago. 2026, 08:00

Arrancou na sexta-feira mais uma edição da FAMIDOURO, certame dedicado ao artesanato, à cultura e à atividade económica de Miranda do Douro, que durante dez dias reúne 54 expositores no centro da cidade. Entre artesãos, produtores e empresas de Miranda do Douro e de outros pontos do país, a feira assume-se como uma oportunidade para promover produtos, angariar clientes e dinamizar a economia local.

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Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Miranda do Douro (ACIMD), Bruno Gomes, a FAMIDOURO representa “tudo o que melhor se faz nesta terra”.

“Este evento é a forma de expor o artesanato, as atividades económicas que participam neste evento. São geralmente atividades de caráter cultural, porque isto é uma terra com muita identidade, com muita cultura, e reflete-se na forma de viver e na forma de trabalhar”, explicou.

O responsável considera que o impacto da feira na economia local é evidente, sobretudo pelo aumento do movimento na cidade durante os dez dias do certame. “Antes até ao dia 14 de agosto, Miranda está calma. Na abertura desta feira até ao dia 24 nota-se uma afluência muito grande e um movimento superior que não existiria se não houvesse feira”, afirmou.

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A ligação às festas da cidade, que decorrem em simultâneo, é também apontada como uma mais-valia. Para Bruno Gomes, a junção dos dois eventos permite aumentar a circulação de pessoas e beneficiar comerciantes, artesãos e restauração. “A feira ganha porque tem mais visitantes e as festas ganham porque têm pessoas a comprar. Portanto, é uma simbiose perfeita”, destacou.

Quatro expositores espanhóis reforçam ligação à vizinha Espanha

A edição deste ano conta ainda com uma novidade, a presença de quatro expositores espanhóis. Uma aposta da organização para reforçar a ligação com o país vizinho e tirar partido da forte presença de visitantes espanhóis em Miranda do Douro.

“Miranda é muito visitada pelos espanhóis e quisemos impulsionar essas visitas. Convidámos quatro expositores, eles vão trazer o seu artesanato e vamos ver como é que corre este ano e o impacto que vai ter nesta feira”, explicou o presidente da ACIMD.

A presença de público espanhol é também sentida pelos próprios expositores. Ana Neves, que viaja de Lisboa e participa na FAMIDOURO há 11 anos, garante que a feira lhe permite chegar a diferentes públicos e fidelizar clientes. “Faço bom negócio e angario clientes portugueses, imigrantes e espanhóis”, afirmou.

A artesã destacou ainda a crescente procura por produtos personalizados e diferenciados. “Cada vez gostam mais das coisas artesanais, acham que são mais bonitas e porque também por vezes têm coisas diferentes do que em todo o lado se vê e se compra”, explicou.

Entre os expositores locais está Diana Sousa, a representar a marca endógena “pitica de Dius”. Presença assídua no certame há vários anos com produtos associados à cultura mirandesa. T-shirts com estampados em mirandês, bolsas, brincos, porta-chaves e cadernos fazem parte da oferta que apresenta na feira.

Para Diana Sousa a presença na FAMIDOURO é também uma forma de contribuir para a preservação e divulgação da identidade local. “É promover a cultura mirandesa, porque o mirandês agora está a perder muito. E também a cultura dos burrinhos  mirandêses”, referiu.

Além da promoção cultural, a feira representa uma oportunidade para chegar a novos clientes. A artesã explica que o contacto estabelecido durante o certame permite posteriormente manter a relação através das redes sociais e continuar a comercializar os produtos.

Também Sónia Gaspar, de Bragança, encontra na FAMIDOURO uma importante montra para o trabalho que desenvolve na área da costura criativa. Há dez anos que participa no certame e garante já ter criado uma carteira de clientes graças à presença em feiras.

“Já tenho muitos clientes, em dez anos já fiz muitos clientes fixos”, afirmou, explicando que muitos dos compradores que conquistou são de diferentes zonas do país e que alguns regressam todos os anos.

A presença de visitantes espanhóis também tem peso no negócio. “Há muitos que são de Madrid e têm família em Zamora. Como neste período vêm normalmente de férias, aproveitam e vêm sempre aqui a Miranda do Douro”, contou.

Apesar dos custos associados à permanência durante os dez dias, entre alojamento, alimentação e deslocações, a artesã garante que a participação compensa. “As vendas traduzem-se nesse negócio”, afirmou.

A 27.ª edição da FAMIDOURO decorre até 24 de agosto, em simultâneo com as festas da cidade de Miranda do Douro, juntando durante dez dias artesanato, cultura, comércio, animação e gastronomia num dos principais certames de verão do concelho.