Falta de água no Portelo "está a resolver-se"

Bombeiros transportam água desde o início do verão ao Portelo, em Bragança. Em alguns dias, levam 40 mil litros à aldeia. Presidente da Junta de França considera que está a ser criado “um problema onde não o há”, mas reconhece o descontentamento da população.

Bombeiros levam água ao Portelo desde o início do verão

15 out. 2026, 07:30

Os Bombeiros Voluntários de Bragança estão desde o início do verão, a assegurar o abastecimento de água, no Portelo. Ao Jornal Nordeste, os moradores desta aldeia, na freguesia de França, no concelho de Bragança, denunciaram uma situação de falta de água que se arrasta há alguns meses e que se agravou nas últimas semanas. Numa nota, uma moradora disse ter estado até mesmo vários dias sem água corrente de água na habitação, apesar do abastecimento de emergência assegurado pelos bombeiros.

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“Há anos que nos habituámos a restrições nos meses de verão, devido à escassez natural da nascente. Este ano, porém, a situação agravou-se de forma insustentável”, lê-se na nota, que diz ainda que os moradores são “obrigados” a comprar água para beber, a procurar água de rega nas levadas para “descarregar o autoclismo de manhã” e a “guardar a água do banho do dia anterior para as necessidades mais urgentes”. “Na prática, regressámos ao século XX”, lê-se ainda no protesto que chegou ao Jornal Nordeste e que dá também conta do descontentamento em relação a “sucessivas fugas na rede de abastecimento”. “Quase todas as semanas, os serviços municipais levantam parte do pavimento em paralelepípedo para reparar uma fuga, repondo-o depois de forma deficiente. Reconhecemos que as fugas são reparadas, mas de pouco serve: continuamos sem água e com inúmeras fugas possíveis noutros pontos da rede. Os operários já quase fazem parte da vizinhança, de tanto que passam por cá, e continuamos sem uma solução de fundo”, refere ainda a nota.

Bombeiros transportam água desde o início do verão

Ao Jornal Nordeste, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, Carlos Martins, confirmou que a corporação assegura o abastecimento de água ao Portelo “desde o início do verão” e explicou que o recurso a autotanques para reforçar o abastecimento de várias aldeias do concelho é uma prática “habitual” nessa altura do ano, devido à diminuição do caudal das nascentes e ao aumento da população durante as férias. “No caso do Portelo, este ano agravou porque o município detetou fugas na rede”, referiu o comandante, acrescentando que os serviços municipais “têm estado a tentar resolver os problemas identificados”, embora ainda não tenham conseguido eliminar todas as fugas.

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Neste momento, os bombeiros estão a deslocar-se ao Portelo “duas vezes por dia, alguns dias com 40 mil litros de água” e, “ainda assim, há pessoas a queixar-se de que a água não chega às torneiras”.

O comandante reconheceu ainda que a situação do Portelo é, neste momento, “um caso extraordinário”, apesar de existirem outras aldeias que também necessitam de abastecimento através de autotanques, estando a recuperação dos níveis das nascentes depende da precipitação. “Estamos em outubro, mas convém perceber que também ainda não choveu assim tanto para que as nascentes voltem a ter aquele caudal necessário para abastecer as populações”, explicou.

“Um problema onde não o há”

Contactado pelo Jornal Nordeste, Pedro Afonso, presidente da Junta de Freguesia de França, considerou que a situação está a ser resolvida pelo município e contestou a dimensão do problema tal como tem sido apresentada. “Não há situação nenhuma para falar. Aquilo está a resolver-se. O problema disto é que se está a criar um problema onde não o há. Não há problema”, afirmou.

Ainda assim, confrontado com o descontentamento dos habitantes, que são entre 22 a 25, o presidente reconheceu que a população tem razões para estar insatisfeita com a necessidade de recorrer ao abastecimento por camião-cisterna.

Dizendo ainda que “o município está a garantir o abastecimento de água, andam a tentar resolver uma fuga, que tem que existir e não deve ser pequena”, o autarca admitiu que algumas habitações, sobretudo as que se encontram em cotas mais elevadas, ficam, às vezes, sem água, “durante uma ou duas horas”.

Ao contrário de várias outras aldeias, que são abastecidas há muitos anos, no Portelo, “só este ano e no final do verão do ano passado” é que foi necessária a ajuda dos bombeiros.

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