Há quem descubra um nódulo no banho, quem receba o diagnóstico aos 29 anos e quem tenha passado mais de uma década a ouvir que aquele caroço no peito não era motivo para preocupação. Há mulheres e homens que enfrentam cirurgia, quimioterapia, radioterapia e anos de tratamentos. E há quem, depois de tudo, aprenda a olhar novamente para o espelho e para a própria vida. No Outubro Rosa, quatro pessoas que enfrentaram o cancro e um especialista contam como se atravessa uma das doenças oncológicas mais comuns em Portugal.
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O número ajuda a perceber a dimensão da doença, mas dificilmente consegue traduzir aquilo que acontece quando a palavra “cancro” entra numa família. Em Portugal, o cancro da mama continua a representar uma das principais doenças oncológicas, com milhares de novos diagnósticos todos os anos. De acordo com o Global Cancer Observatory, em 2024 foram diagnosticados em Portugal cerca de 9.100 novos casos de cancro da mama e morreram cerca de 2.101 pessoas com este tipo de tumor.
É neste contexto que, todos os anos, o mês de outubro se pinta de rosa. O Outubro Rosa é uma campanha internacional de sensibilização para o cancro da mama, que procura chamar a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce, o rastreio e o apoio às pessoas que enfrentam a doença.
O diagnóstico precoce continua a ser uma das armas mais importantes. “Quanto mais cedo for diagnosticado um cancro da mama, maior a probabilidade de ser tratado com cura”, explica Nuno Mateus, médico especialista em cirurgia geral, com especialização na patologia da mama e na cirurgia oncoplástica da mama, que combina a remoção segura do tumor de cancro da mama (com margens de segurança adequadas) com técnicas de cirurgia plástica e reconstrutiva no mesmo tempo operatório
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O especialista alerta que não é preciso esperar pelos sintomas para procurar respostas. “A maioria dos cancros da mama já pode ser diagnosticada e tratada sem dar sintomas”, afirma. Segundo Nuno Mateus, uma parte significativa dos casos é atualmente detetada através dos exames de rastreio, numa fase em que a doença ainda não provocou sintomas.
O rastreio não substitui, contudo, a atenção ao próprio corpo. “Uma vez por mês, acho que é suficiente, a mulher deve palpar a sua mama, à procura de qualquer anomalia nova”, explica o médico. Um nódulo, uma alteração da pele ou do mamilo, um corrimento ou uma dor nova são sinais que justificam avaliação médica.
Foi precisamente a descoberta de um nódulo durante o banho que levou Anabela Alves, de 47 anos, a iniciar a sua luta contra a doença.
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Anabela Alves: “Olhei para o espelho e ele disse-me que eu continuava bonita”
Foi num banho, em junho de 2025, que Anabela sentiu um nódulo na mama esquerda. O momento foi suficiente para desencadear a preocupação. No dia seguinte, procurou a enfermeira de família. Seguiu-se o encaminhamento para o rastreio e, depois, para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, no Porto. O diagnóstico chegou em agosto.
Anabela estava sentada numa esplanada a tomar café quando recebeu o telefonema da médica. “Naquele momento desabou tudo. Senti-me sem chão.”
A notícia tinha ainda um peso acrescido. A mãe já tinha enfrentado um cancro da mama seis anos antes. Mesmo conhecendo de perto a doença, Anabela não imaginava que também lhe pudesse acontecer. “Eu na minha família já tinha um caso, que é a minha mãe, que também já passou pelo cancro da mama. A gente imagina sempre que é algo que não nos vai acontecer, mas temos de nos mentalizar de que a nós também nos acontece.”
A partir daí, começou uma sucessão de consultas, exames e tratamentos. Foi operada em Vila Real, em novembro de 2025, e iniciou a quimioterapia a 7 de janeiro. O tratamento prolongou-se até maio. Depois veio a radioterapia, entretanto concluída.
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É a quimioterapia que Anabela identifica como a fase mais difícil de todo o processo. A queda do cabelo, as dores e a incapacidade temporária de conduzir ou manter a rotina habitual obrigaram-na a adaptar-se. “Para mim, a quimioterapia foi o período mais difícil que passei, principalmente pelos efeitos secundários. Foi a queda do cabelo, depois tinha também muitas dores, não conseguia conduzir, não conseguia fazer a minha vida diária.”
A queda do cabelo teve uma dimensão que ultrapassou a questão física. Tinha o cabelo comprido e viu-o desaparecer com o segundo tratamento. “Como mulher, o cabelo é a nossa imagem. Custou-me imenso. Tinha um cabelo longo, comprido, e quando ele começou a cair fiquei bastante abalada.”
Foi diante do espelho que encontrou uma das respostas para continuar. “Olhei para o espelho e ele disse-me que eu continuava bonita igual, mesmo sem cabelo.”
A família foi essencial. O pai, a mãe, o filho e as amigas estiveram presentes durante o tratamento. Anabela diz ter aprendido uma coisa sobre as relações humanas. “É nestes momentos que a gente realmente vê quem são os nossos verdadeiros amigos. Quem nós pensávamos que eram, às vezes, são aqueles que se afastam e surgem outros amigos.”
Depois da radioterapia, aguarda novas consultas e mantém os olhos postos no futuro. “Quero recuperar e quero ficar bem porque ainda tenho um longo caminho. Quero viver ainda bastantes anos.”
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A mensagem que deixa a quem recebe agora um diagnóstico é simples. “Temos de ter muita coragem, muita fé, nunca baixar os braços e temos de ir à luta. E, sobretudo, apoiarmo-nos fundamentalmente na família e nas amigas.”
Madalena Morgado: “O IPO é um sítio onde ninguém deve ir sozinho”
Para Madalena Morgado, hoje com 63 anos, o diagnóstico chegou em 2018, depois de regressar de férias. Um exame realizado no âmbito do acompanhamento da Liga Portuguesa Contra o Cancro levantou suspeitas e obrigou à repetição.
Conta que até à biópsia conseguiu manter alguma distância emocional. Depois, tudo mudou. “Fiquei completamente paralisada. Foi realmente um balde de água fria.”
Madalena, que é professora de profissão, continuava a trabalhar quando recebeu a notícia, mas o tratamento obrigou-a a interromper a atividade profissional durante nove meses. Pelo caminho vieram cirurgia, quimioterapia, radioterapia e sete anos de hormonoterapia.
A cirurgia foi a parte que menos a marcou. A quimioterapia foi outra história. “É devastadora, principalmente se for curativa.” As consequências físicas eram difíceis de suportar. Feridas na boca, herpes, dores intensas e alterações na alimentação fizeram parte dos efeitos secundários. “Eu tenho fotografias em que os lábios quase nem se identificam, porque fica cheia de herpes.”
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Havia ainda a dimensão emocional de quem acompanhava a doença de perto. Madalena tentou esconder parte do sofrimento para proteger a família, sobretudo a filha, que a acompanhou às consultas e aos tratamentos. “Tentava nunca demonstrar muito, porque quem nos acompanha também sofre.”
A filha foi uma das principais âncoras durante o tratamento. Esteve presente nas consultas, nos exames e nas longas horas de quimioterapia. É por isso que Madalena diz uma frase que resume uma parte importante da experiência de quem atravessa um cancro. “O IPO é um sítio onde ninguém deve ir sozinho”, partilhou.
Não apenas pela companhia física, mas pelo peso psicológico de passar horas entre consultas, exames e tratamentos. “A quimioterapia demorava três horas. São três horas terríveis ali. Eu entrava às oito da manhã e saía de lá às quatro da tarde ou às seis.”
A doença também lhe mostrou os limites do corpo. Depois de uma sessão de quimioterapia podia sentir-se relativamente bem, mas os dias seguintes traziam uma realidade muito diferente. “Passado dois dias havia ali um período de quatro, cinco dias tenebrosos”, recorda. Ainda assim, continuou a trabalhar. Hoje, anos depois do diagnóstico, mantém a atividade profissional.
Quando pensa nas mulheres que estão agora a atravessar o mesmo caminho, Madalena fala sobretudo de coragem. E recorda uma frase da filha que ficou consigo durante um dos momentos mais difíceis do tratamento. “Nem que seja só por mim”, nesse momento, Madalena encontrou razão para continuar a lutar. Não apenas por si, mas por aqueles que precisavam dela.
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Joana Lopes: “O dia de amanhã vai ser sempre melhor do que o de hoje”
Joana Lopes tinha 29 anos quando ouviu a palavra “cancro”. Hoje tem 37. O diagnóstico aconteceu em 2018 e, passados sete anos, reconhece que a doença não terminou no dia em que terminaram os tratamentos.
“Primeiro, não pensas ter cancro com 29 anos. Segundo, ouves falar em cancro e é como se tivesses ali uma data, um prazo, um limite.”
Curiosamente, o diagnóstico trouxe-lhe também algum alívio. Durante cerca de um mês, viveu sem saber exatamente o que tinha. A incerteza era, naquele momento, quase tão difícil como a própria doença. “Não senti medo, senti alívio por saber aquilo que tinha, porque foi cerca de um mês sem saber o que era, o que não era, uma ansiedade muito grande.”
A estratégia passou por não olhar demasiado para o futuro. Uma etapa de cada vez. “Era um dia de cada vez, uma quimioterapia de cada vez. O teu objetivo é fazer a primeira quimio. Já está. Depois conseguir chegar à segunda. Ou seja, etapa a etapa.”
Durante os tratamentos, o corpo mudou. O espelho tornou-se um lugar estranho. “Por mais que tu tentes, por mais que te esforces, por mais que te maquilhes, ponhas um turbante, não te reconheces”, lembra.
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Mas, para Joana, a verdadeira dificuldade apareceu depois. Quando o tratamento termina, existe uma expetativa de regresso à normalidade. Só que essa normalidade já não é exatamente a mesma. “Quando tudo termina, aquilo que tu queres é voltar à tua rotina, mas nada é como antes.” O corpo mudou. Permaneceram efeitos secundários da quimioterapia e da hormonoterapia. E também uma sensação de que algumas capacidades que antes pareciam naturais já não funcionavam da mesma maneira. “O teu corpo muda. A forma como tu te conhecias, já não conheces.”
Joana regressou rapidamente ao trabalho, numa tentativa de recuperar a vida que tinha antes da doença. Hoje reconhece que talvez tivesse precisado de mais tempo. “Eu voltei logo a trabalhar após a conclusão dos tratamentos, porque queria voltar à minha vida normal. Mas hoje percebo que se calhar devia ter feito isso com mais tempo. Devia ter dado tempo a mim mesma para maturar tudo o que tinha acontecido”, reconhece.
Joana também olha hoje de forma diferente para o sofrimento da família. Durante a quimioterapia, sentia que estava em “autopiloto” e que não conseguia cuidar de quem estava à sua volta. “Se eu sofri? Sim, sofri. Numa escala de zero a 100, vou dizer que foi 10. O sofrimento deles, vou dizer que foi 100.”
Agora que é mãe, compreende ainda melhor aquilo que os familiares sentem quando assistem, impotentes, ao sofrimento de alguém que amam. “Pode ser dos momentos de maior amor que tu tens na tua vida e depois levas isso nos anos seguintes.”
Para quem está agora a receber um diagnóstico, Joana pede resistência e esperança. “O dia de amanhã vai ser sempre melhor do que o de hoje, por mais que o momento de hoje seja difícil.”
Jorge Pires: quando o cancro da mama também tem rosto de homem
Quando se fala em cancro da mama, a imagem que surge quase sempre é a de uma mulher. Jorge Pires, hoje com 54 anos, conhece bem a importância de contrariar essa associação.
A história começou em 2007, quando detetou um pequeno caroço no peito. Durante anos, foi acompanhado e ouviu que não seria nada de especial. Em 2013 ou 2014 realizou uma biópsia que se revelou inconclusiva e negativa.
O problema não desapareceu. Mais tarde o caroço começou a crescer. “Em 2018 aquilo começou a crescer muito e fui a um hospital privado. Entretanto, foi descoberto que tinha cancro de grau 2, grau 3”, partilha.
O diagnóstico provocou choque. Jorge já tinha vivido uma experiência de cancro na família, porque o pai tinha morrido de cancro do estômago. “Uma pessoa nunca está à espera disso. Quando nos dizem, fica em choque, fica apática, não sabe o que pensar. Foi chocante.”
Ao contrário de outros casos em que a quimioterapia antecede a cirurgia para reduzir o tumor, Jorge foi operado poucos dias depois do diagnóstico. Seguiram-se seis sessões de quimioterapia, 33 sessões de radioterapia e sete anos de hormonoterapia.
A cirurgia deixou marcas visíveis. Foi removido o tumor, parte muscular e foram analisados os gânglios linfáticos. Felizmente, o gânglio sentinela revelou-se negativo. “Retiraram-me o tumor, uma parte muscular, fizeram uma operação debaixo do braço, aos gânglios linfáticos. Fiquei com uma marca imensa porque rasgaram-me o peito todo.”
Jorge ficou com apenas um mamilo. Não optou por reconstrução mamária e explica que a decisão esteve relacionada sobretudo com a sua relação com o corpo e com o desporto. Não foi tanto a autoestima que ficou afetada, mas a capacidade física. “Limitou-me um bocado. Não diminuiu a autoestima. Mais a questão da performance.”
Durante algum tempo, teve limitações no movimento do braço devido à cirurgia e ao encurtamento da pele. Também reparou em alterações no cabelo depois da quimioterapia.
Os casos em homens são raros, mas não devem ser ignorados. A experiência levou-o a participar em ações de sensibilização dirigidas também aos homens. O objetivo é lembrar que a prevenção e a atenção aos sinais não têm sexo.
Para Jorge, falar hoje de cancro já não significa falar inevitavelmente de uma sentença de morte. “Antes falava-se em cancro e era uma sentença pesada, quase de morte. Agora já não é bem assim.”
Para quem está a começar esta caminhada, Jorge tem uma mensagem. “O cancro da mama está a ter um avanço muito grande e os casos de cura são muitos. Uma pessoa que está com um problema destes tem de pensar que não é o fim, que tem solução e que a medicina está cada vez melhor” e frisa que “as pessoas que nos são chegadas são essenciais, porque é nelas que nos amparamos”.
Na Liga, o cancro também se combate com companhia
O diagnóstico pode começar num consultório, mas a luta prolonga-se muito para além das paredes do hospital. Há quem precise de apoio psicológico, ajuda social, companhia, informação ou simplesmente de alguém que saiba ouvir.
Na Delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro, esse é um dos papéis desempenhados pelos voluntários. “Representa um apoio muito forte, muito grande, quer ao nível psicológico, quer ao nível social”, explica Anabela Anjos, voluntária da instituição.
Esse acolhimento acaba também por criar uma relação que ultrapassa o momento inicial. Muitas das mulheres que chegam à Liga acabam por regressar, desta vez para ajudar. “Chegam aqui, como se sentem bem, voltam e estão sempre disponíveis para tudo, para nos ajudar em tudo, a levar a mensagem da Liga muito mais longe.”
Às quintas-feiras, as oficinas solidárias são um dos exemplos dessa participação. As mulheres juntam-se para produzir pequenas peças e lembranças que depois são vendidas em feiras solidárias.
É uma atividade que cumpre duas funções: cria comunidade e ajuda a angariar fundos para a instituição.
A Liga apoia áreas diversas, desde o apoio social à investigação, passando por palestras, atividades e rastreios. Os recursos resultam de diferentes fontes, incluindo donativos, apoios e candidaturas. “Todos os donativos são bem-vindos”, sublinha Anabela Anjos.
Anabela Anjos é voluntária da Liga há cerca de 15 anos. Começou na angariação de fundos e, posteriormente, passou também a integrar a direção.
Ao longo deste percurso, uma coisa mudou profundamente a sua perceção sobre o cancro. Começou a conhecer pessoas que enfrentavam a doença todos os dias.
Depois de entrar para a Liga, começou a reparar na quantidade de pessoas afetadas. “Dava-me a sensação que nunca tinha passado por ninguém assim muito próximo com cancro. A partir do momento em que entrei para aqui, comecei a ter acesso a muitas pessoas.”
Quando a cirurgia não termina no bloco operatório
A doença pode transformar o corpo e, para algumas mulheres, a reconstrução mamária é uma parte importante do processo de recuperação.
O especialista em cirurgia geral, patologia da mama e cirurgia oncoplástica, Nuno Mateus, explica que o tratamento do cancro da mama é atualmente multidisciplinar. Cada caso é analisado por diferentes especialistas, para definir a estratégia mais adequada.
A cirurgia continua a ter um papel central, mas nem sempre significa retirar toda a mama. “A maioria das doentes pode ser operada ao seu cancro da mama sem precisar de remover toda a mama. Chama-se cirurgia conservadora da mama”, explica.
O médico recorre a uma imagem simples para explicar o procedimento: imaginar a mama como um queijo. Retira-se uma fatia correspondente à zona do tumor e tenta-se reconstruir o restante tecido de forma a manter uma configuração tão próxima quanto possível da original.
É aí que entra a cirurgia oncoplástica, que serve para tratar o cancro sem desvalorizar a dimensão estética e corporal. “O que se pretende é tratar bem o cancro e, ao mesmo tempo, sempre que for possível, permitir que se mantenha a estética da mama de uma forma aceitável para a doente.”
Quando é necessária uma mastectomia, existem diferentes possibilidades de reconstrução. Pode ser feita imediatamente, durante a mesma cirurgia em que a mama é removida, ou posteriormente, depois de concluídos outros tratamentos.
A reconstrução imediata pode representar uma vantagem psicológica para algumas mulheres. “Só numa cirurgia consegue tratar o cancro e pôr a mama outra vez.”
Mas o especialista alerta que também pode apresentar riscos acrescidos, nomeadamente complicações que podem interferir com tratamentos posteriores. Na reconstrução diferida, a mulher remove a mama, completa os tratamentos necessários e só depois avança para a reconstrução. Segundo o especialista, tem menor risco de determinadas complicações, mas implica uma nova cirurgia e um período de espera.
Não existe, por isso, uma resposta universal. “Quer uma quer outra têm vantagens, têm desvantagens. Isso é discutido caso a caso, doente com doente”, frisa.
Nuno Mateus insiste na prevenção. “As senhoras devem fazer os rastreios, ou seja, fazer os exames mesmo quando não tenham sintomas.” E, perante um sinal de alerta, não há lugar para medo ou vergonha. “No caso de haver sintomas, seja no tal autexame, devem procurar apoio médico e não ter medo, nem vergonha, nem pudor, porque esses são muitas vezes os grandes inimigos do sucesso no tratamento do cancro da mama.”
Portugal continua a enfrentar milhares de novos casos e mais de dois mil óbitos estimados anualmente por cancro da mama. Mas as histórias de quem passou pela doença também mostram outra realidade, como a evolução dos tratamentos, a importância do diagnóstico precoce e a possibilidade de sobreviver e reconstruir uma vida depois do cancro.
No Outubro Rosa, entre campanhas, rastreios e alertas, talvez seja esta a mensagem que mais importa guardar: o cancro da mama não precisa de ser enfrentado em silêncio, nem sozinho. E quanto mais cedo for descoberto, maior pode ser a margem para vencer a doença.
E, para quem já atravessou a porta do diagnóstico, há uma certeza, a vida depois do cancro também existe. Pode ser diferente, pode exigir tempo, pode deixar marcas. Mas existe.
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