Duas cabras serranas mortas e uma cadela ferida por ataque de lobo em Santulhão
Ataque terá ocorrido dia 22
O lobo voltou a atacar no concelho de Vimioso. Desta vez, morreram duas cabras de raça serrana e ficou ferida uma cadela mastim que protegia o rebanho, adiantou o pastor Filipe Calado.
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“O ataque aconteceu, para mim, ao final da tarde do dia 22. Dei pela falta de duas cabras, uma delas grávida. O lobo separou os dois animais do rebanho e atacou-os. A cadela também foi mordida e ficou ferida numa pata. Está agora a receber tratamento”, relatou.
Na sequência do ataque, Filipe Calado contactou as autoridades e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). No local, a GNR terá encontrado vestígios da presença do lobo. Mais tarde, a inspeção à cadela permitiu confirmar a suspeita de ataque, através das marcas da mordedura.
“O ICNF encontrou os chips das cabras e, depois, quando examinou a cadela, as marcas dos caninos permitiram confirmar que tinha sido um ataque do lobo”, explicou.
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Filipe Calado conta que a pastorícia sempre fez parte da sua vida. “Tirando os 20 anos em que estive em França, sempre fui pastor. O meu pai teve sempre rebanhos e, quando vinha a Portugal, fazia questão andar com o gado”, recordou.
Apesar de reconhecer as dificuldades da atividade, garante que o retorno financeiro não é a sua principal motivação. “O valor monetário não é o que mais me interessa. Custa-me ver os animais a sofrer, como aconteceu com a cadela, ou a serem mortos. Faço isto por paixão à profissão e para dinamizar o setor”, afirmou, admitindo que teme para o futuro da pastorícia perante a ameaça do lobo.
«Se esta situação continuar, vai chegar ao ponto de estes lobos nos atacarem também a nós. Estes não são como os de antigamente, são mais destemidos e destruidores. Antigamente assustavam-se; agora, não. Levam e atacam os animais e já nem dos cães têm medo», lamentou.
Questionado sobre as expectativas quanto à rapidez do processo de compensação, Filipe Calado admite não serem altas e explica. "Eu ainda não reuni toda a documentação e por isso ainda não tive resposta. De qualquer forma, recordo-me do rebanho do meu pai ter sofrido um ataque e nunca recebeu a compensação, por isso não estou muito expectante", contou.
No início de setembro o Ministro da Agricultura e a Ministra do Ambiente e Energia assinaram um despacho para acelerar e simplificar o processo de decisão das indemnizações por ataque do lobo ibérico. Desde então, o prazo máximo de decisão passou a ser de 20 dias, para todos os ataques a rebanhos que se confirmem, por perícia do ICNF, que foi um ataque do lobo.
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