Comportamento dos animais vai ser estudado durante o eclipse
Para realizar o estudo vão ser utilizados equipamentos como audiomoth
O comportamento dos animais vai ser estudado durante o eclipse total do sol, que decorre a 12 de agosto, no Parque Natural de Montesinho, em Bragança.
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Paulo Cortez, investigador da Universidade Politécnica de Bragança, esclareceu que a ideia é analisar se os animais têm alguma alteração de hábitos ou de comportamento durante o eclipse, pelo facto de escurecer e voltar a ficar luz e voltar a escurecer.
“Vamos fazer registos de sons e imagem. Aquilo que esperamos é que seja mais plausível que aves cantem como cantam normalmente nas primeiras horas da manhã. A esta hora, por exemplo, não se ouvem aves a cantar. Como cantam ao fim da tarde também um bocadinho, começa a ficar mais fresco e portanto já têm alguma atividade. Do mesmo modo que eventualmente outros animais, como os morcegos, que têm atividade crepuscular noturna, possam entrar em atividade assim que começa a escurecer”, explicou. Os equipamentos vão permanecer também após o eclipse.
Os animais em estudo serão sobretudo “aves, morcegos e eventualmente outros mamíferos. Se fosse noutra altura haveria inclusive anfíbios que também se manifestam à noite, também emitem sons, mas que nesta altura não deverão fazê-lo e portanto não esperamos que isso aconteça, portanto vai ser sobretudo aves”, referiu, sublinhando que “eventualmente, se houver lobo, que uive. Se houver outro animal que se manifeste, pode ser detetado”, apontou o investigador para esta possível hipótese.
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Para realizar o estudo vão ser utilizados equipamentos como audiomoth. “São aparelhos que registam sons na gama do audível e ultrassons e são utilizados para detetar os sons emitidos pelos morcegos quando fazem as ecolocalizações, portanto quando estão a alimentar-se, por exemplo, eles emitem uma série de sons e recebem um eco, digamos assim, e é com isso que detetam os mosquitos ou as traças e portanto é por aí que as coisas funcionam. Cada morcego tem uma frequência, emite sons numa determinada frequência ou numa banda muito curta,e isso poderá ajudar a identificar depois os morcegos posteriormente Do mesmo modo que o padrão de sons das aves também pode ser identificado numa espécie de sonograma e portanto esse tipo de padrão com aquela frequência, com aquelas características, pode ser atribuído à espécie A, B ou C de ave e portanto nós conseguimos identificá-las”, explicou Paulo Cortez.
Segundo o investigador, este estudo surgiu devido a uma visita realizada no âmbito da Ciência Viva à Brama e, posteriormente, acabou por ser integrada num projeto europeu promovido a partir de Espanha, com a participação das universidades de Sevilha e do Porto e do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO).






